Bolsonaro admite rever fusão da Agricultura e Meio Ambiente

A fusão dos ministérios da Agricultura e Meio Ambiente é praticamente carta fora do baralho na montagem do governo Bolsonaro, caso ele seja eleito presidente neste domingo (28), como indicam as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da disputa. O próprio candidato do PSL se mostrou disposto a rever a proposta, dizendo que quer o melhor para o país.
A manifestação do presidenciável foi um alívio para o setor agropecuária, cujos representantes não escondiam a preocupação de que a medida pudesse prejudicar as exportações brasileiras. Eles temiam que a fusão dos dois ministérios viesse a ser usada pelos mercados concorrentes, especialmente o europeu, para impor novas barreiras ambientais aos produtos agrícolas do Brasil.
Bolsonaro falou sobre o assunto em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, nessa quarta-feira (24). Antes do presidenciável, o produtor rural Nabhan Garcia, um dos principais interlocutores do presidenciável no setor agrícola, afirmou que fundir as duas pastas “sem ouvir a sociedade seria um ato de um governo radical”.
Presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Nabhan acrescentou: “Podemos inclusive, sim, rever essa questão da fusão da pasta da Agricultura com o Meio Ambiente. Se tiver que funcionar a pasta da Agricultura aqui e o Ministério do Meio Ambiente lá, tudo bem. Vai valer a vontade da maioria da sociedade brasileira.”
De acordo com o site UOL, o presidente da UDR, cujo nome já chegou a ser cotado para o Ministério da Agricultura, deu a declaração pouco depois de conversar com Bolsonaro, no Rio de Janeiro. Tudo indica que ele – até então um defensor da fusão da Agricultura e do Meio Ambiente – tenha sido orientado pelo presidenciável a também rever sua posição.
Em encontros recentes com representantes do agro, Bolsonaro tem dito que quer nomear para o Ministério da Agricultura alguém indicado pelo setor produtivo. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que reúne cerca de 200 deputados federais e senadores, pretende entregar ao presidenciável uma lista com indicações.
Um dos nomes com maior apoio na bancada ruralista é o da presidente da FPA, deputada Tereza Cristina (DEM-MS), mas outros também são cogitados, como o da senadora Ana Amélia Lemas (PP-RS) e de Blairo Maggi, ministro da Agricultura.
Nabhan enfatizou, após a reunião dessa quarta, que Bolsonaro reafirmou o compromisso de indicar para a Agricultura alguém apoiado base produtiva rural, o que pode ampliar o leque de opções de nomes para o cargo.

