Lava Jato: Presos dois ex-ministros da Agricultura de Dilma

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Antonio Andrade, ex-ministro da Agricultura, preso pelo PF – Valter Campanato/ABr

Dois ex-ministros da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo Dilma Rousseff estão entre os presos pela Polícia Federal nesta sexta-feira (9): Antonio Andrade (MDB), hoje vice-governador de Minas Gerais, e Neri Geller (PP), deputado federal eleito pelo PP de Mato Grosso. Eles foram detidos pela Operação Capitu, braço da Lava Jato que investiga um suposto esquema de corrupção, no qual também estariam envolvidos executivos do grupo JBS, no Ministério da Agricultura e na Câmara dos Deputados.   

Durante operação também foram presos empresário Joesley Batista, dono da JBS, Ricardo Saud e Demilton de Castro, ex-executivos do grupo, e Rodrigo Figueiredo, ex-secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Ao todo, são 19 mandados de prisão temporária (válida por 5 dias), um deles contra o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB), que está preso no Paraná.

A PF cumpre ainda, segundo os delegados Rodrigo Morais e Mário Velloso, 63 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso.

Um dos mandados foi cumprido na casa do vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (MDB), que foi relator de uma medida provisória em 2014 que teria beneficiado a JBS. A casa do prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT), ex-ministro de Dilma, também foi alvo da Operação Capitu.

Segundo o delegado da PF Mário Velloso, responsável pelas investigações, as prisões foram decretadas porque os investigados estavam atrapalhando as investigações.

Esquema

Batizada de Capitu, a operação é um desdobramento da Lava Jato e feita em conjunto com a Receita Federal. A operação é baseada na delação do doleiro Lúcio Funaro, apontado como operador do MDB. Em sua delação, Funaro disse que a JBS dos irmãos Joesley e Wesley Batista deu dinheiro para o MDB – R$ 15 milhões para o nacional e mais R$ 15 milhões para o mineiro.

Na delação, ele disse ainda que Antonio Andrade foi indicado ao Ministério da Agricultura pelo grupo do deputado cassado Eduardo Cunha. Em troca, ajudava no esquema que beneficiou a JBS.

De acordo com as investigações, havia um esquema de arrecadação de propina dentro do Ministério da Agricultura para beneficiar políticos do MDB

Duas grandes redes varejistas de Minas Gerais – BH e EPA – atuavam no esquema, por meio de seus controladores e diretores. As redes varejistas se aproveitavam do grande fluxo de caixa para lavar o dinheiro que era doado a partidos e políticos. O esquema operou entre agosto de 2014 e fevereiro de 2015.

Quando era ministro, o vice-governador Antonio Andrade teria beneficiado a JBS ao determinar a regulamentação da exportação de despojos (parte do boi que não é consumível), a proibição do uso da ivermectina de longa duração – um antiparasita – e a federalização das inspeções de frigoríficos, segundo as investigações.

Em troca, o grupo empresarial Grupo JBS teria pago R$ 2 milhões pela regulamentação da exportação de despojos e R$ 5 milhões na proibição da ivermectina de longa duração.

Se indiciados, os envolvidos vão responder pelos crimes de constituição, participação em organização criminosa, obstrução de Justiça, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

O que dizem os citados

A J&F Investimentos, holding que controla a JBS, informou por meio do advogado de Joesley Batista, André Callegari, que causa estranheza a decretação de prisão temporária. “Joesley Batista é colaborador da Justiça e tem cumprido à risca essa função. Portanto, causa estranheza o pedido de sua prisão no bojo de um inquérito em que ele já prestou mais de um depoimento na qualidade de colaborador e entregou inúmeros documentos de corroboração. A prisão é temporária e ele vai prestar todos os esclarecimentos necessários”.

Os advogados do deputado federal Neri Geller esclareceram que tão logo conheçam os motivos da prisão e o inteiro teor do processo irão se manifestar.

A rede de Supermercados BH disse que não se manifestaria. A EPA foi contatada, mas não respondeu até a última atualização desta reportagem.

A reportagem não conseguiu contato com a assessoria do vice-governador. O Governo de Minas Gerais ainda não se posicionou sobre a prisão de Andrade.

O advogado de Ricardo Saud não atendeu às ligações.

O advogado Bruno Espiñeira disse que Lucio Funaro segue colaborando com a Justiça, no que for necessário.

A reportagem ligou para o gabinete de João Magalhães (MDB), na ALMG, e as ligações não foram atendidas.

O G1 também procurou a assessoria da ex-presidente da República, Dilma Roussef, que não vai se posicionar sobre a operação.

O Ministério da Agricultura não vai se pronunciar.

O advogado Rafael Guedes de Castro, que representa Eduardo Cunha disse que o mandado de prisão ainda não chegou ao presídio. “A defesa ainda não teve acesso ao conteúdo do decreto de prisão. Com certeza irá se manifestar após o conhecimento”.

O advogado de Rodrigo Figueiredo afirmou que vai se pronunciar ainda nesta tarde.

Veja os nomes dos presos já divulgados

Antonio Andrade, vice-governador de Minas e ministro da Agricultura de março de 2013 a março de 2014

Joesley Batista, sócio da J&F, dona da JBS

Ricardo Saud, ex-executivo da J&F

Demilton de Castro, ex-executivo da J&F

João Magalhães, deputado estadual pelo MDB de MG

Neri Geller, deputado federal eleito pelo PP de MT e ministro da Agricultura de março de 2014 a dezembro de 2015

Rodrigo Figueiredo, ex-secretário de Defesa Agropecuária

Mateus de Moura Lima Gomes, advogado

Mauro Luiz de Moura Araújo, advogado

Ildeu da Cunha Pereira, advogado

Marcelo Pires Pinheiro

Fernando Manoel Pires Pinheiro

Walter Santana Arantes

Claudio Soares Donato

José Francisco Franco da Silva Oliveira

Da redação, com G1

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