Agronegócio reclama do viés anti-China do governo

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Pedro Camargo Neto critica briga comercial sem ao menos saber por qual motivo –  Youtube

Lideranças do agronegócio estão preocupadas com o que avaliam ser um viés anti-China disseminado no governo Bolsonaro, informa a Folha de S.Paulo desta sexta-feira (15). Esse sentimento ganhou força com a recente declaração do ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) de que “o Brasil não vai vender sua alma para exportar minério de ferro e soja”. Os representantes do agro querem se reunir com Araújo para tratar do assunto.

“Estamos comprando briga com nosso maior parceiro comercial e nem sabemos por que, só para imitar o Trump [presidente dos EUA, Donald Trump]”, disse ao jornal paulista o produtor Pedro Camargo Neto, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), ex-secretário de Comercialização e Produção do Ministério da Agricultura e colaborador do governo de transição de Bolsonaro.

Ainda segundo a Folha de S.Paulo, representantes de diferentes cadeias do agronegócio relataram que a mensagem que têm recebido do governo é de que é preciso reduzir a “sino-dependência”, diversificar mercados e diminuir a exposição à China.

“Setores como os de carnes, suco de laranja, algodão e soja, que fazem grandes exportações para a China ou têm planos de expandir, manifestaram preocupação”, noticiou o jornal.

Conforme a Folha de S.Paulo, em encontro recente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) com entidades do setor, representantes do Ministério da Agricultura garantiram que não haverá rompimento com a China. Porém, desestimularam o aumento das exportações para o país, encorajando-os a buscar novos mercados.

Discurso foi a gota d’água

O discurso do ministro de Relações Exteriores para alunos do Instituto Rio Branco na última segunda-feira (11) foi a gota d’água. Araújo afirmou que o Brasil não vai vender sua alma para exportar minério de ferro e soja. A China é a maior compradora de soja e minério de ferro do país.

“Queremos vender soja e minério de ferro, mas não vamos vender nossa alma. Querem reduzir nossa política externa simplesmente a uma questão comercial, isso não vai acontecer”, discursou o chanceler.

Além de pedir ao presidente da FPA, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), para marcar uma reunião com Araújo, produtores rurais procuraram a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para tratar do tema, relata a Folha de S.Paulo. Ele teria prometido que conversaria sobre o assunto com o presidente Bolsonaro na viagem aos EUA.

Araújo, por sua vez, está tentando desfazer o mal-estar das declarações, de acordo com a Folha de S.Paulo. Na quinta-feira, ele contemporizou: “Não me referia à China, falei de qualquer parceiro. Nossa política comercial tem que vir junto com política de reforço dos nossos valores. Precisamos trabalhar tanto com crescimento econômico, quanto com os valores mais profundos da nacionalidade.”

Leia aqui íntegra da reportagem

 

AGROemDIA

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