Impacto do acordo EUA-China sobre o agro brasileiro pode ir além da soja

 

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Além da soja, China deve comprar outros produtos do agro dos EUA – Danilo Estevão/Embrapa

O acordo comercial em negociação entre os Estados Unidos e a China pode ter reflexo não apenas sobre as exportações brasileiras de soja para o país asiático. O fortalecimento do comércio bilateral EUA-China também tem potencial para afetar as vendas de milho, algodão, etanol e carnes (bovina, suína e de frango) do Brasil para o mercado chinês.

A avaliação é de Marcos Jank, especialista em questões globais do agronegócio, e André Soares, senior fellow do CEBRI (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) Em artigo publicado nesse sábado (16) na Folha de S.Paulo, os dois especialistas dizem:

“O acordo pode representar o fim de uma era em que o comércio se expandia baseado essencialmente na competitividade dos países, sem grande esforço. Ele traz novos elementos para a equação: pressionados por imenso déficit comercial de US$ 420 bilhões, os EUA deram início a uma guerra mercantilista com a China impondo elevadas tarifas sobre US$ 250 bi em importações. O gigante asiático retrucou impondo tarifas sobre US$ 110 bi dos EUA, o que atingiu em cheio a soja americana.”

Jank e Soares observam que a disputa trouxe US$ 8 bi adicionais para exportações brasileiras de soja para a China. Agora, entretanto, assinalam os dois especialistas, os EUA tentam fazer a China ampliar suas compras de produtos agropecuários americanos em R$ 30 bilhões anuais. Esse montante, acrescentam, deve ser somar aos US$ 14 bilhões comprados no ano passado.

“Acreditamos que as exportações mundiais de soja voltarão ao seu curso normal pré-2017, com os chineses se beneficiando plenamente da alternância das safras americana (EUA) e sul-americana (Brasil e Argentina), que ocorrem em diferentes momentos do ano. Essa complementariedade garante estabilidade de oferta e menor risco para a China”, pontuam Jank e Soares.

Segundo eles, para alcançar os US$ 30 bi adicionais, a China precisará oferecer acesso privilegiado aos EUA em outros produtos, como milho, algodão, etanol e todas as carnes. “A China certamente tem meios para atender à forte pressão dos EUA, ampliando o acesso de soja e de outros produtos agropecuários. Resta saber se isso será feito à luz das regras da OMC, se ela vai forçar a barra na flexibilização das barreiras técnicas e sanitárias e se usará a sua estrutura estatal (estoques estratégicos e empresas públicas) para operacionalizar o acordo.”

AGROemDIA

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