Preço do leite ao produtor tem alta de 13,7% no acumulado do trimestre

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Cotações do leite estão se recuperando desde o início do ano – Alcides Okubo Filho/Embrapa

O 1º trimestre de 2019 tem se caracterizado pela menor oferta de leite no campo, pelo aumento da competição entre empresas para assegurar a compra de matéria-prima e por consequentes altas no preço ao produtor, segundo Natália Grigol, pesquisadora da equipe leite do Cepea-Esalq/USP. “Desde o início do ano, o valor do leite ao produtor acumulou alta de 13,7% na “Média Brasil” líquida”, diz ela, em análise sobre o setor publicada na edição de março do Boletim do Leite.

Conforme Natália, esse movimento de valorização deve permanecer em março (referente à captação de fevereiro), mas em menor intensidade frente ao observado no mês anterior – de janeiro para fevereiro, a “Média Brasil” líquida subiu 10%.

De acordo com pesquisadora do Cepea, a estiagem no Sudeste e no Centro-Oeste e o excesso de chuvas no Sul prejudicaram a atividade leiteira nos últimos meses. “Além disso, houve desestímulo de produtores no final do ano passado, tendo em vista a queda da receita e a alta nos custos de produção”, pontua.

No encerramento de 2018, as assimetrias de informações e ações especulativas também diminuíram a confiança de produtores em seguir aumentando a produção, acrescenta Natália, no texto publicado no boletim.

Alerta sobre sustentação de preço

A pesquisadora observa ainda que expressiva valorização do leite ao produtor já no início do ano desperta alerta sobre a sustentação desse movimento. “Em 2017, a oferta limitada de leite impulsionou as cotações no início do ano, mas o desequilíbrio entre oferta e demanda fez os valores despencarem a partir de junho.”

No entanto, ela ressalta que há diferenças entre o cenário atual e o do ano retrasado, o que traz perspectivas mais animadoras para os produtores. “O que difere o cenário atual do daquele ano é, principalmente, o contexto econômico, que mostra recuperação do consumo e aumento do poder de compra das famílias.”

Na avaliação da pesquisadora, o aquecimento da demanda pode facilitar a absorção da valorização dos derivados e evitar que os preços no campo despenquem. “No entanto, houve maior oscilação dos valores de derivados, como UHT e muçarela, na negociação entre indústria e atacado no correr de março, evidenciando a dificuldade em ultrapassar os atuais patamares de preços.”

Produtividade abaixo do potencial

Natália afirma também que, se a demanda conseguir absorver a alta da matéria-prima, o ajuste da oferta pode ocorrer no curto prazo. Ao mesmo tempo, a pesquisadora enfatiza que o rebanho brasileiro apresenta produtividade muito abaixo do potencial.

“Com os preços do leite em alta, há maior estímulo nutricional e aumento da produção. Além disso, a perspectiva é de preços mais atrativos de milho nos próximos meses, principalmente a partir de junho”, sublinha Natália. Ela alerta, no entanto, que o  fenômeno El Niño pode prejudicar a produção neste ano.

“É importante que produtores e indústrias dialoguem para planejar suas atividades e aumentar a previsibilidade, evitando especulações e assimetrias de informação”, recomenda Natália. “Esses são gargalos importantes que podem intensificar o descompasso entre oferta e demanda e resultar em aumento exagerado da volatilidade dos preços neste ano.”

Leia aqui a íntegra da edição de março do Boletim do Leite do Cepea-Esalq/USP.

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