Pesquisadores mostram como potencializa irrigação na agricultura familiar

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Projeto busca apoiar uso da irrigação na agricultura familiar do oeste baiano – Aiba/Divulgação

Embora seja considerada fundamental para garantir a segurança alimentar mundial, por não restringir o plantio apenas ao período chuvoso, a irrigação das lavouras provoca inúmeras interpretações. Para debater a importância do tema, produtores de Barreiras, no oeste baiano, participaram nesta semana do workshop “Fortalecimento da Agricultura Familiar Irrigada”, na Fazenda Modelo Paulo Mizote.

Em nota, a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) informa que o objetivo workshop foi o de contribuir para acabar com o mito de que a irrigação é inimiga do meio ambientes.  Conforme dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), a área de produção no oeste baiano é de 2,3 milhões de hectare. Do total, apenas 170 mil hectares são irrigados.

“Boa parte da comida que chega à mesa da população é oriunda da agricultura familiar. Então, é injusto não fortalecer a atividade ou dar a ela condição de produzir mais e o ano inteiro. A irrigação é a única técnica capaz de permitir o aumento da produtividade sem que seja necessário ampliar a área cultivada, mas quando se fala em agricultura irrigada as pessoas associam a algo ruim, por puro desconhecimento. Os sistemas atuais são modernos e ambientalmente sustentáveis”, disse o professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Azis Galvão, que conduziu o painel sobre a experiência na região, na última quarta-feira (27).

Segundo ele, 60% da agricultura familiar no mundo é irrigada, liderada pela China e pela Índia. No entanto, no Brasil, a atividade ainda é pouco tecnificada. Essa realidade começa a ser mudada, com a implantação de um projeto piloto dentro do campo experimental da Fazenda Modelo. A iniciativa vai beneficiar alunos dos cursos técnicos da “Fazenda-Escola” e pequenos produtores rurais do Perímetro Irrigado Barreiras Norte.

“O pequeno produtor produz somente uma vez por ano e acabou. Com esse sistema, ele terá a possibilidade de produzir mais. Com a irrigação não ficamos apenas a mercê das chuvas. Saímos daqui com a certeza de que esse projeto pode mudar a realidade de muitas famílias”, ressaltou o presidente da Associação dos Produtores do Vale do Rio de Janeiro (Aprovele RJ), Jackson Teixeira, um dos beneficiados pela ação.

A iniciativa, que resultou na implantação de um sistema de irrigação por gotejamento e aspersão, é fruto de uma parceria entre o Instituto Aiba (Iaiba), a Universidade Federal de Viçosa (UFV), o Instituto Water for Food e a multinacional NaanDanJain, referência mundial em irrigação nas modalidades de gotejamento e aspersão.

Para o presidente da Aiba e do Instituto Aiba, Celestino Zanella, essa troca de conhecimento e experiências favorece a atuação do produtor, de forma mais precisa e consciente. “Na presença de pesquisadores, autoridades, produtores rurais, dos jovens aprendizes e estudantes de outras instituições, podemos mostrar as diferentes técnicas de produção e as diferentes técnicas de irrigação. O objetivo é um só: provar que a agricultura, independentemente da escala, necessita de água para produzir, e como vivemos em uma região que sofre muito com veranicos, a necessidade de recorrer à irrigação para assegurar as nossas refeições diárias é real. Contudo, desempenhada de uma forma responsável que garanta também a segurança hídrica”, declarou.

O diretor científico do Instituto Water for Food, da Universidade do Nebraska, Christopher Neale, reiterou a importância da irrigação na produção de alimentos para uma população cada vez mais numerosa. Ele comentou sobre a sua experiência no continente africano, onde pequenos produtores já utilizam pivôs centrais compartilhados com outros agricultores, para otimizar o uso do recurso hídrico e aumentar a produção em grupo.

Da redação, com Aiba

 

 

 

 

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