Em 10 anos, lavouras de arroz do RS perdem 2,46 mil empregos, diz Farsul

Debate Lavoura Arrozeira - Crédito Nestor Tipa Júnior Divulgação
Perda de competitividade preocupa arrozeiros gaúchos – Nestor Tipa Júnior Divulgação

Entre 2009 e 2019, a área de cultivo de arroz no Rio Grande do Sul perdeu 123 mil hectares. Essa queda também eliminou 2,46 mil empregos. Os números foram apresentados pelo economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, nesta segunda-feira (27), durante reunião com prefeitos no auditório da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), em Porto Alegre.

“O equilíbrio do setor passa pela arrecadação do ICMS. Está ocorrendo um grande problema de rentabilidade. Se isso não for alterado, o endividamento e o desemprego não serão resolvidos”, alertou Antônio da Luz. A perda de competitividade do arroz gaúcho, que está sendo substituído pela soja em diversas regiões do estado, dominou a pauta da reunião.

O vice-presidente e presidente eleito da Federarroz, Alexandre Velho, confirmou a redução da safra 2018/2019 em 1,2 milhão de toneladas e reivindicou a redução temporária do ICMS, a modernização do Porto de Rio Grande, regras transparentes em relação ao Mercosul e mais recursos para o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Segundo o dirigente, a lista de impactos negativos é mais evidente na Metade Sul do estado, embora mais de 140 municípios do RS tenham sua economia especialmente amparada no desempenho da lavoura do arroz.

“O grão emprega um funcionário para cada 50 hectares, enquanto a soja contrata um funcionário para cada 200 hectares. A lavoura de arroz emprega quatro vezes mais e, nas suas operações de vendas internas, contribui com impostos para o Rio Grande do Sul, enquanto a soja acaba sendo exportada”, comparou o dirigente da Federarroz.

Alto custo de produção

Velho enfatizou que o alto custo de produção e os preços baixos pagos ao produtor são as razões para o avanço da soja em áreas antes dedicadas ao plantio de arroz.  “Já temos mais de 300 mil hectares de soja na Metade Sul, de uma área de um milhão de hectares de arroz. É muito”, assinalou.

O dirigente da Federarroz defendeu ainda a da redução da alíquota do ICMS para o arroz em casca, pelo período de 90 dias, nas saídas interestaduais. “Esta medida em nada vai reduzir a arrecadação. Pelo contrário, a tendência é aumentar, em razão de o imposto estar relacionado ao valor nominal do arroz.”

Ele lembrou também que o RS produz 70% do grão nacional. “Temos um excedente estocados. De forma alguma, isso é uma ação contra a indústria que não tem condições de processar, beneficiar e industrializar toda a produção. Não vai gerar desabastecimento.”

Diante do atual cenário, o prefeito de Tapes e presidente da Comissão de Agricultura da Famurs, Silvio Rafaeli, ressaltou que é preciso cobrar de forma dura os parlamentares para continuar defendendo a lavoura arrozeira e os empregos que gera.

“É importante que os prefeitos percebam a gravidade da situação e o quanto essa cadeia alimentar mexe com o serviço dentro e fora da porteira”, pontuou Rafaeli, acrescentando que há todo um universo para trabalhar com o grão que ainda não foi explorado.”

 

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