Ineficiência do Estado brasileiro impede agro de ampliar mercados

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Deputado Alceu Moreira: País precisa ter política exportadora oficial para elevar sua participação no comércio agrícola mundial – Lucio Bernardo Jr/Câmara dos Deputados

João Carlos Rodrigues/AGROemDIA

A ineficiência do Estado brasileiro tem impedido o agronegócio de ampliar sua participação no mercado mundial. Isso foi o que constatou a missão do Ministério da Agricultura, do Legislativo e de empresários que visitou recentemente a Ásia, segundo o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB-RS). Para ele, o Brasil precisa, com urgência, criar uma política exportadora oficial, profissionalizando ainda mais a área de negociações comerciais internacionais para aumentar as exportações de alimentos e de outros produtos do agro.

“Estamos longe de sermos profissionais qualificados para poder oportunizar que nossas plantas, dos mais variados tamanhos e setores, venham a ter seus produtos consumidos pelas populações mundo afora’’, avalia Alceu Moreira.  Como exemplo, cita a descoberta, feita na China – a missão também visitou o Japão, a Indonésia e o Vietnã –, de que o Estado brasileiro não consegue sequer preencher corretamente um formulário. “Se isso está acontecendo com a China, pode estar ocorrendo também com outros países.’’

Por isso, ao voltar ao Brasil, a ministra Tereza Cristina imediatamente enviou um servidor do ministério à China para resolver o problema, relata o deputado. “Por causa do mal preenchimento do questionário, grande parte de nossas plantas ainda não pôde dar o start para exportar ao mercado chinês. Precisamos profissionalizar nossa gente, colocar nesse processo exímios comerciantes. Não basta um adido agrícola. Um país como a China requer uma equipe de vendas adequada ao seu tamanho.’’

A ampliação de mercados para o agro, assinala Alceu Moreira, vai além do corpo diplomático. “Temos que ter um grande grupo de vendas para conquistar novos mercados.’’ O assunto, informa, será debatido no próximo dia 13, durante o seminário “A Diplomacia do Agronegócio”, no Itamaraty. “Reuniremos o Ministério das Relações Exteriores [MRE], a CNA [Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil], a FPA, o IPA [Instituto Pensar Agro] e a Embrapa para tratar disso.’’

Segurança alimentar

O Itamaraty, diz o presidente da FP, deve ter protagonismo nesse processo. “Temos que estabelecer quais áreas do MRE se relacionarão com cada setor do agro. O Itamaraty precisa ser instrumento de relacionamento diário de cada cadeia produtiva com os mais diversos países. A via diplomática é a possibilidade de abrirmos porteiras para comercializarmos nossos produtos para outros mercados.’’

Alceu Moreira destaca que os países asiáticos, principalmente a China e o Japão, têm grande preocupação com a segurança alimentar e, ao mesmo tempo, amplas condições de fazer investimentos no Brasil. “Eles podem investir em logística, tecnologia, pesquisa e seguro agrícola. Há um mercado enorme para ser conquistado, cada um com seu viés cultural e interesses econômicos. Agora, para atraí-los, temos que corrigir nossas deficiências.’’

O presidente da FPA ressalta ainda a importância de o Brasil ter uma estratégia de comércio exterior de Estado. “Hoje, temos multinacional brasileira exportando carne bovina da Austrália, onde tem estrutura industrial, para o Japão, mas nós não vendemos nosso produto para aquele mercado. Isso contempla a estratégia comercial da empresa, mas não o interesse brasileiro.’’

Tal situação, enfatiza Alceu Moreira, reforça a necessidade de o país ter uma política oficial de exportação para promover comercialmente todo setor do agronegócio, e não apenas os grandes empreendimentos. “Não podemos negociar pelo interesse estratégico de uma empresa’’, afirma o deputado, criticando também a atuação de ONGs que contratam brasileiros para falar mal do país lá fora.

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Um comentário em “Ineficiência do Estado brasileiro impede agro de ampliar mercados

  • 2 de junho de 2019 em 10:37
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    Nunca vi tanto disparate, pronunciado pelas palavras de um deputado!!! Afirmar que as ONGS contratam brasileiros para falar mal do país la fora!!! Quanta asneira! Onde já se viu as instituições boicotaram os produtos brasileiros? E, se porventura, algo verdadeiro foi dito, decerto tinha um fundamento, por exemplo, se as organizações informam sobre o uso desenfreado de veneno, no prato do brasileiro, não estão errados. O próprio Ministério da Agricultura, reconheceu, haver um caso de vaca louca no Sul do país. E as ONGS são culpadas? Culpadas de quê? Vamos reconhecer, Alceu Moreira, que o agronegócio só gera dividendos para os “deputados ruralistas”. Antes de culpar as organizações não governamentais, ou os brasileiros, façam uma reavaliação e reestruturação interna (reúnam IBAMA, ANVISA, Ministério da Agricultura entre outros órgãos fiscalizadores que lidam com a qualidade dos produtos brasileiros e vejam onde está o erro). E tratem de serem mais eficientes. Ou seja, reduzam o uso abusivo de agrotóxicos nos alimentos, proíbam as experiências malfadadas dos transgênicos. E hajam com mais responsabilidades com a saúde pública do nosso povo.

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