Aviação agrícola contesta procuradora regional do Trabalho do Paraná

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O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) divulgou nota contestando declarações da procuradora regional do Trabalho do Paraná Margaret Matos de Carvalho para uma rádio do Paraná. Na entrevista, ela disse que a pulverização área “já se mostrou uma metodologia de imprecisão” e que mais de “60% do produto não chega à planta-alvo”, por causa da dispersão no ar, solo e água. Para o Sindag, a manifestação da procuradora “demonstra não só desconhecimento sobre a atividade aeroagrícola como, baseada em estereótipos, acaba prejudicando a própria discussão em torno do uso de produtos nas lavouras – tanto químicos como biológicos”.

Abaixo a nota do Sindag:

“O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) manifesta sua surpresa e preocupação com as declarações da procuradora Regional do Trabalho do Paraná Margaret Matos de Carvalho durante entrevista concedida na última semana para a Rádio Onda Sul, de Francisco Beltrão, na qual afirmou que a pulverização aérea “já se demonstrou uma metodologia de imprecisão” e que “mais de 60% do produto não chega à planta-alvo aí dispersa para o ar, para a água, para o solo, envenenando não só o ambiente, mas também a água(…)”. Tal declaração demonstra não só desconhecimento sobre a atividade aeroagrícola como, baseada em estereótipos, acaba prejudicando a própria discussão em torno do uso de produtos nas lavouras – tanto químicos como biológicos, ambos considerados agrotóxicos à luz do Artigo 2º da Lei Federal 7.802/89.

Não há pesquisas que indiquem perdas desse volume em aplicações aéreas, embora se tenha verificado a existência de artigos em que alguns autores mencionem erroneamente citações de trabalhos originários de estudos química analítica que, na origem, sequer se referem a aplicações aéreas. O que pode ser constatado com a simples checagem de citações de citações ao longo dos textos. Ao mesmo tempo, vale considerar que, sendo a despesa defensivos ou agrotóxicos a maior parcela do custo de produção, é óbvio que se uma perda de 60% fosse verdadeira, a aviação agrícola já teria sido extinta pelo próprio mercado, e não estaria crescendo justamente por sua eficiência – ainda mais que há produtos que chegam a custar mais de 400 o litro, conforme pode ser constatado no site da Conab.

Da mesma forma, não há qualquer pesquisa que atribua qualquer contaminação da água à aviação agrícola. Enquanto, por outro lado, a própria pesquisa do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da Anvisa, demonstra a segurança do setor, já que os alimentos de lavouras atendidas pela aviação (arroz, milho, trigo e banana) têm índice zero de contaminação.

]Mais do que isso, a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária (Embrapa) divulgou na última semana a Nota Técnica baseada em quatro anos da maior pesquisa já realizada no País sobre tecnologia de aplicação, onde atesta a segurança da aviação agrícola. Realizada em parceria com o Sindag e suas associadas e envolvendo seis centros de pesquisas da Embrapa, além de 10 universidades parceiras e empresas de tecnologia, o projeto Desenvolvimento da Aplicação Aérea de Agrotóxicos como Estratégia de Controle de Pragas Agrícolas de Interesse Nacional abrangeu estudos em lavouras no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Além de atestar a segurança da ferramenta aérea, a nota da Embrapa lembra que desde os anos 60 a aviação é a única ferramenta de aplicação com regulamentação específica, por isso mesmo a mais facilmente fiscalizável.  O documento também adverte que o País ainda não tem um plano de segurança alimentar e energética e os poderes públicos precisam se debruçar sobre o tema, promovendo um debate sem preconceitos, alinhando a sustentabilidade ambiental à produção em escala. 

Vale lembrar que a legislação aplicada ao setor aeroagrícola (entre mais de 20 normas diretas) exige desde pátio de descontaminação, Agrônomo responsável pelas operações, técnico agrícola com especialização em cada operação em lavoura, piloto altamente qualificado e até relatório completo, com o mapa do DGPS do avião registrando (em arquivo inviolável) exatamente cada passada sobre a lavoura e precisamente onde estava com os sistema aberto e fechado, entre outras obrigações. Além disso, o avião é sempre visível e a matrícula em sua fuselagem permite sempre saber a quem pertence o aparelho. Para completar, quando o avião está operando não há ninguém na lavoura.

Destacamos que os mesmos produtos usados por aviões são usados também por via terrestre, com os mesmos riscos, inclusive o de deriva – quando o produto se desvia do alvo pela má operação ou regulagem do equipamento ou não-observância dos fatores climáticos. O que foi atestado também em pesquisa realizada em 2017, em Goiás, pela Universidade de Rio Verde, Instituto Federal Goiano, Agência Estadual de Defesa Vegetal e outros parceiros, comparando aplicações com avião, autopropelido e pulverizador costal. Aliás, inclusive nesse quesito o avião leva vantagem também por sua velocidade, já que consegue realizar toda a operações em uma área antes que as condições climáticas mudem.

Para completar, especificamente no caso paranaense, a própria Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) divulgou em uma publicação de 2013, no site da entidade que entre 2009 e 2012 investigou 88 casos de deriva, dos quais 47 geraram processos, a maioria relativa a pulverizações terrestres. O que demonstra que o problema reside na adoção ou não de boas práticas e não na ferramenta, esteja ela entre os 55.721 pulverizadores terrestres existentes no Paraná, segundo o IBGE – tabela 2.2.22 (página 561) do Censo Agropecuário de 2006, ou os 134 aviões agrícolas existentes no Estado, segundo a ANAC – levantamento referente a 2018.

Todos esses dados reforçam o quanto pode ser equivocado conduzir uma discussão sem o aprofundamento necessário da questão em todas as suas nuances, levando a atacar uma ferramenta pelo simples fato de ser lembrada por ser a mais vista – em última instância punindo com estereótipo a transparência. Ao invés de favorecer o diálogo em busca de aperfeiçoar a segurança no campo, tal atitude serve apenas para polarizar uma discussão que precisa ser plural ampla e racional. Afinal, sustentabilidade ambiental e segurança alimentar são demandas de todos.”

AGROemDIA

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