Os defensivos agrícolas exigem uma explicação

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Foto: Aprosoja Brasil/Arquivo

Marcos Rosa*

A história recente do Brasil nos mostra que o agronegócio brasileiro (de uns 40 anos para cá) se tornou um promissor motor da economia brasileira. Nas últimas quatro décadas, graças à adoção de eficientes e inovadoras tecnologias no campo, deixamos a incômoda posição de importador de produtos básicos para nos transformar em um dos principais fornecedores de alimentos do mundo.

Tal estágio é resultante de pesados investimentos em pesquisa. No campo, o agricultor sabe a importância dessa tecnologia para o desenvolvimento e a sustentabilidade da agropecuária brasileira. Na cidade, porém, distante da realidade imposta pelo árduo trabalho nas lavouras, a percepção é a de que uma dessas tecnologias, os defensivos, devem ser dispensados, banidos. Puro engano.

Para quem vive o agronegócio de perto, os defensivos são fundamentais na agricultura tropical, a que praticamos nos quatro cantos deste imenso país continental. Tais produtos – os agroquímicos – possibilitam uma defesa mais eficiente de nossas lavouras contra a infestação das pragas e doenças tão comum nos países onde predomina o clima tropical, diferente dos países de clima temperado, cujo controle é praticamente natural. São esses defensivos que vêm contribuindo para os gigantescos saltos de produtividade alcançados pela agricultura brasileira. São esses defensivos que contribuem também para que o Brasil bata a cada safra recordes de produção.

Um dado exemplar demonstra que na comparação da produtividade brasileira com a americana desde l975, a nossa agricultura registrou um aumento de quase 300% em seu rendimento, enquanto a dos Estados Unidos avançou apenas cerca de 40%. Isso explica, em parte, o expressivo crescimento dos produtos agrícolas brasileiros no mercado internacional. Nossos concorrentes já perceberam esse cenário e por isso mesmo ficam assustados diante da competência dos nossos agricultores. É conveniente registrar aqui que o agronegócio já representa cerca de 45% de nossas exportações.

Para os que pouco sabem desse assunto é bom dizer que antes mesmo da sua aplicação, os defensivos agrícolas são amplamente estudados e analisados. Segundo os especialistas, “para avaliar a segurança do uso das substâncias químicas utilizadas com a finalidade agronômica, inúmeros estudos toxicológicos são requeridos e avaliados pelas agências de regulamentação de cada país, quando da concessão do registro ou na reavaliação dos produtos já registrados” (livro “Bases Científicas para Avaliação da Toxidade de Agrotóxicos”, publicado pela International Life Sciences Institute, ILSI-Brasil, 2010).

É fundamental esclarecer também aos milhões de citadinos consumidores de alimentos que o setor de defensivos agrícolas apresenta o grau de regulamentação mais rígido do mundo. Até a sua aprovação, os produtos são submetidos a numerosos requerimentos da legislação; sua regulamentação científica inclui comprovações de eficiência e segurança. Acordos internacionais, tratados e convenções são firmados visando regular e apoiar o manejo responsável de agroquímicos. Um exemplo é o Código Internacional de Conduta e Distribuição e Uso de Produtos Fitossanitários, criado em 1985.

A base desses protocolos é estabelecer que os níveis de resíduos dos defensivos, corretamente utilizados nas lavouras, sejam seguros aos trabalhadores, ao meio ambiente e aos consumidores. A indústria do setor no Brasil é signatária de todos esses regulamentos. Outra coisa: antes de serem registrados e produzidos, os defensivos passam por rigorosa avaliação agronômica, toxicológica e ambiental de três ministérios: da Saúde, do Meio Ambiente, e do Ministério da Agricultura. Isso sem falar nas boas práticas agrícolas incentivadas pelos órgãos da extensão rural e praticadas pelos nossos agricultores. Assim, ao sentar à mesa para o café da manhã, almoço e jantar, o consumidor deve ter a certeza de que o alimento que ali está posto é saudável e de que foi submetido a rigoroso controle de qualidade. O resto é conversa fiada.  Bom apetite.

*É engenheiro agrônomo, vice-presidente da Famato e ex-presidente da Aprosoja Brasil

*Publicado originalmente no Correio do Povo (RS)

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Um comentário em “Os defensivos agrícolas exigem uma explicação

  • 11 de agosto de 2019 em 14:06
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    O que precisamos no Brasil é exatamente prestigiar a informação técnica e científica. O jogo as claras é sempre o melhor caminho. O agronegócio e os defensores ambientais precisam informar o cidadao comum e nao adotar medidas preconceituosas uns contra os outros. Contra informação tecnica e cientifica nao ha contra argumento. Vamos colocar as cartas na mesa. O Brasil só tem a ganhar. Abaixo a ignorância e seus decensores, de ambos os lados.

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