Cepea projeta queda de 4%, em média, no preço do leite ao produtor em agosto

leite ordenha produtor - Foto Alcides Okubo Filho
Foto: Alcides Okubo Filho/Embrapa

O preço do leite ao pecuarista deve continuar caindo em agosto. Segundo levantamento do Cepea, da Esalq/USP, a perspectiva para este mês da “Média Brasil” líquida, que considera os valores do produto recebido por produtores sem frete e impostos na BA, GO, MG, SP, PR, SC e RS, é de redução de 4%. A queda deve ser desigual entre as regiões, por causa do volume de leite disponível e da competição dos laticínios, além de suas estratégias de captação.

De acordo com o Boletim do Leite do Cepea de agosto, a “Média Brasil” líquida de julho fechou a R$ 1,4064/litro, recuo de 8,1% (ou 12 centavos/litro) em relação ao mês anterior, em termos reais (deflação pelo IPCA de julho/19).

“A pressão nas cotações vem das fracas negociações dos lácteos nos últimos meses, que resultaram em margens espremidas para as indústrias. Enquanto o preço do leite no campo acumulou consecutivas altas até junho por conta da oferta limitada e da grande concorrência entre laticínios, o repasse dessa valorização para os derivados foi dificultado devido à estagnação econômica”, assinala a analista do Cepea Natália Grigol.

“Com o consumo enfraquecido e a competição acirrada entre laticínios para garantir a venda de lácteos, os preços dos derivados não acompanharam a alta do campo nesse primeiro semestre”, ressalta.

Comportamento do mercado

Até o momento, observa o Boletim do Leite do Cepea, o comportamento do mercado lácteo está bastante semelhante ao de 2017, com preços elevados no primeiro semestre, devido à oferta reduzida de matéria-prima, e queda brusca na segunda da metade do ano, após a recuperação do volume de leite (safra do Sul).

“Contudo, a diferença entre esses anos parece estar centrada no fôlego da recuperação da produção. A saída de produtores da atividade nos últimos anos e a grande insegurança em realizar investimentos de longo prazo frente às incertezas no curto prazo devem prejudicar a captação em 2019”, pontua Natália Grigol.

Além disso, completa a analista do Cepea, a safra do Sul foi menor neste ano porque as forrageiras de inverno não apresentaram bom desenvolvimento em decorrência do clima desfavorável.

Natália Grigol enfatiza ainda que os agentes entrevistados pelo Cepea afirmam que a oferta segue limitada em agosto. “Para assegurar matéria-prima, diminuir a ociosidade não planejada, que se traduz em custos, e manter seus shares de mercado, as indústrias continuam atuando com concorrência acirrada, o que deve impulsionar a cotação no mercado spot também na segunda quinzena de agosto. Esse cenário pode atenuar o movimento de queda em setembro ou até mesmo gerar condições de estabilidade”, escreve a analista no Boletim do Leite do Cepea deste mês.

Custos de produção permanecem estáveis

Já os custos de produção da pecuária leiteira registraram estabilidade em julho, acrescenta o analista do Cepea Ivan Barreto. “Durante o mês, os desembolsos correntes da atividade, representados pelo Custo Operacional Efetivo (COE), recuaram apenas 0,02% na “média Brasil”.

Esse movimento, sublinha Ivan Barreto, está relacionado à suave queda de 0,1% nos preços do concentrado, principal item de custo nas propriedades leiteiras do Brasil. “O recuo dos preços desses insumos, por sua vez, está atrelado às retrações nas cotações do milho, em função da disponibilidade interna recorde do cereal projetada pela Conab”.

Relação de troca

Apesar da recente queda no preço do leite, conforme o analista do Cepea, a relação de troca com o grupo de adubos formulados está mais favorável ao produtor frente ao primeiro mês deste ano. Em julho, o poder de compra em relação a esses insumos, que têm alto impacto no custo de formação e manutenção de forrageiras perenes e anuais, estava 10,25% maior do que o observado em janeiro”.

 

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: