Sojicultores condenam desmatamento ilegal e queimadas criminosas

queimadas jose cruz abr
Foto: José Cruz/Agência Brasil

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e suas 16 associadas estaduais condenam a prática das queimadas criminosas que atingem regiões de vegetação e de produção agrícola na Região Norte do país. Segundo a associação, os produtores rurais são as principais vítimas desses crimes, porque têm suas propriedades, lavouras e áreas de preservação sob sua responsabilidade ameaçadas pelas chamas.

Em nota, a Aprosoja Brasil enfatiza que considera importante ponderar, no entanto, que a ocorrência de incêndios florestais no bioma amazônico coincide com o período de estiagem na região, entre junho e agosto, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Agência Nacional de Águas (ANA), coletados entre 1981 e 2011.

A entidade afirma, na nota, ser contrária ao desmatamento ilegal e a toda forma de supressão de vegetação nativa que não esteja legalmente autorizada pela Lei 12.651/2012, que instituiu o Código Florestal. “O posicionamento está expresso na Carta de Palmas, documento elaborado em junho deste ano, no qual os sojicultores reafirmam a sustentabilidade da soja no Cerrado brasileiro perante a sociedade, governos e empresas do Brasil e do exterior”.

Código Florestal

Aprovado pelo Congresso Nacional, o Código Florestal é uma das mais rígidas legislações ambientais do mundo, pontua a Aprosoja Brasil. A legislação atribui ao proprietário a responsabilidade pela preservação de reserva legal dentro das propriedades privadas, que variam de 20% a 80% dependendo do bioma, além de áreas de proteção permanente como nascentes de rios, margens e topos de morro.

“Portanto, para o bem do debate sobre a sustentabilidade ambiental, econômica e social, é importante saber discernir entre o desmatamento ilegal e o desmatamento autorizado pelo Código Florestal para não criminalizar aquele empreendedor rural que faz investimentos, gera empregos e desenvolvimento obedecendo aos limites impostos pela legislação ambiental brasileira”, destaca a nota.

Graças ao Código Florestal, nenhum outro país produtor de alimentos preserva tanta vegetação nativa quanto o Brasil, assinala a Aprosoja Brasil. “Segundo dados da Embrapa Territorial e confirmados por imagens de satélite captadas pela Agência Espacial Norte Americana (Nasa), dos 851,6 milhões de hectares que compõem o território nacional, 66,3% estão preservados, o que equivale a 564,8 milhões campos de futebol.”

Produção de soja

A produção de soja, principal cultura agrícola do país, ocupa apenas 4% da área total do país, o que equivale a 36 milhões de hectares, informa a associação. “Dos 66,3% de vegetação nativa do país, 25% estão dentro de fazendas. Ou seja, o Brasil é um dos poucos países em que a preservação ambiental é uma responsabilidade compartilhada entre o Poder Público e produtores rurais.”

Ainda de acordo com dados da NASA, observa a Aprosoja, entre os 10 países com maior extensão territorial, o Brasil é o sétimo em ocupação de áreas de lavouras (7,6%), ficando atrás da Índia (60,5%), Estados Unidos (18%), China (17,7%), Argentina (14%), Cazaquistão (9,6%) e Rússia (9,5%).

Entre os países que fazem parte do G-20, o Brasil é o terceiro que mais possui cobertura arbórea (61%), incluindo vegetação nativa e florestas plantadas, ficando atrás apenas da Indonésia (85%) e do Japão (71%), e à frente da Rússia (45%), dos Estados Unidos (29%) e de todos os países da Europa. “O percentual de cobertura arbórea brasileiro supera em muito aos da Alemanha (35%), França (31%), Itália (31%), Espanha (22%) e Reino Unido (15%).”

Sustentabilidade socioeconômica

Além de ser a mais ambientalmente sustentável do mundo, diz a Aprosoja, a soja brasileira tem papel relevante na sustentabilidade socioeconômica. “A cadeia produtiva da soja movimenta US$ 70 bilhões/ano no Brasil. Para cada US$ 100 exportados, US$ 14 são oriundos da soja, que gera em torno de 15 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos.”

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em 1991, 79% dos municípios rurais apresentavam Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo e 20% deles muito baixo. Em 2018, 57% dos municípios rurais passaram a apresentar IDH alto e 38% deles IDH médio. Ou seja, onde tem soja, há melhora na qualidade de vida dos brasileiros, sublinha a Aprosoja.

“A cadeia produtiva da soja é responsável por uma revolução alimentar que garante segurança nutricional para mais de 7 bilhões de pessoas em todo o planeta. A partir da soja são produzidas carnes, leite, ovos, além outros produtos, como cosméticos, tintas, biodiesel e até pneus.”

A Aprosoja lembra ainda que a soja teve papel relevante na transformação do Brasil de país importador de alimentos para o maior exportador mundial, graças ao emprego da tecnologia e da harmonia entre produtores e meio ambiente.

“Em defesa de uma Nação forte e soberana, a Aprosoja Brasil apoia as medidas do governo federal que estão garantindo a preservação ambiental de nossa biodiversidade, ao mesmo tempo reconhece o esforço do Poder Executivo para fazer o país voltar a crescer e a oferecer oportunidades para os brasileiros que vivem no campo e na cidade”, salienta a Aprosoja.

 

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