Sem competitividade, exportações brasileiras de leite não crescerão

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Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados

As exportações brasileiras de lácteos podem crescer, mas para isso é preciso aumentar a competitividade do setor, destacou o representante da Associação Brasileira de Laticínios, Marcelo Costa Martins, durante audiência pública da Subcomissão Permanente do Leite, da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira 29. O evento debateu a abertura do mercado da China para as exportações de leite e derivados do Brasil e a situação dos produtores brasileiros.

Segundo Marcelo Martins, a expectativa é de aumentar as exportações de queijos, leite em pó e leite condensado em R$ 17 milhões. “Recebemos semanalmente demandas de traders que querem importar produtos lácteos brasileiros, mas quando as empresas passam os valores de cotação de leite em pó, o nosso não é competitivo.”

O mercado mundial de leite e derivados tem 1,4 bilhão de consumidores. Só de leite em pó, a China importa 800 milhões de toneladas por ano – mais do que toda a produção brasileira, de 600 milhões de toneladas.

Havia um acordo com os chineses, fechado há 12 anos, para negociar produtos lácteos com o Brasil. No entanto, só em julho deste ano, 24 frigoríficos brasileiros tiveram permissão da China para exportar.

Representante da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges lamentou a ausência do Ministério da Economia no debate. Segundo ele, o leite em pó brasileiro custa, no mercado asiático, 20% a 40% mais caro.

Controle de preços

Na avaliação de Paulo do Carmo Martins, da Embrapa, as exportações também podem ajudar a controlar os preços no mercado interno, gerando mais estabilidade ao produtor e à indústria na hora de definir seus investimentos.

Recém-chegado de uma viagem à Ásia, o representante do Ministério da Agricultura, Leandro Diamantino Feijó disse que os chineses estão atentos à qualidade do produto brasileiro.

“A gente não pode se enganar que nós vamos produzir de qualquer jeito e colocar isso no mercado chinês. Eles estão de olho no nosso trabalho. Então, é necessário que o governo brasileiro e o setor privado se mantenham vigilantes no cumprimento daquilo que foi acordado”, assinalou Feijó.

Papel da Câmara

A audiência foi realizada a pedido dos deputados Celso Maldaner (MDB-SC) e Jerônimo Goergen (PP-RS). Na opinião de Maldaner, a Câmara dos Deputados tem papel importante na melhoria de competitividade do setor leiteiro.

“Temos que sensibilizar o governo para ter uma política de mais apoio, principalmente na área de assistência técnica e infraestrutura, para o nosso produtor de leite.”

Da Agência Câmara Notícias

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