Balanço do ano: Federarroz projeta exportações de 1,2 milhão de toneladas

montagem alexandre velho e roberto fagundes ghigino federarroz
Alexandre Velho (E), presidente da Federarroz, e Roberto Ghigino, vice-presidente

As exportações de arroz no ano safra 2019/20, que se encerra em fevereiro, devem alcançar de 1,2 milhão de toneladas, 200 mil t acima da média histórica de 1 milhão de t. A projeção foi apresentada durante o balanço de 2019 da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). A entidade está otimista em relação ao cenário para o setor orizícola em 2020.

A federação destacou, entre os fatos positivos do ano, o aumento das exportações de arroz para países da América Central e Caribe, a sustentação de preços no mercado interno e as tratativas com os governos estadual e federal para reduzir os custos de produção da orizicultura.

Segundo o presidente da Federarroz, Alexandre Velho, o aumento do volume das exportações se deve ao câmbio alto e à abertura de novos mercados, como o México. Em outubro, informou, foram embarcados 11 contêineres para aquele país com 275 mil quilos de arroz beneficiado.

“Estamos para confirmar mais 20 mil toneladas [para o México]”, assinalou Velho, nessa terça-feira 17. A expectativa, frisou, é que haja continuidade nos envios para o mercado mexicano, devido à seca prolongada e à diminuição de área de plantio nos Estados Unidos.

Conforme o dirigente da Federarroz, também devem ocorrer, entre janeiro e fevereiro, exportações de 60 mil t de arroz em casca para a Venezuela e de 20 mil t para a Costa Rica. “Temos condições de aumentar as exportações em 20%.”

Hoje, os maiores compradores do arroz brasileiro são Venezuela, Costa Rica, Peru e Senegal. Velho espera que haja continuidade nos embarques para o Iraque e a Costa Rica e vê perspectiva para exportar para a China e a Índia, por causa da limitação do uso de água nesses países.

Maiores plantadores e consumidores do cereal, China e Índia reduziram a produção e aumentaram as compras externas, especialmente dos EUA. Com isso, observou Velho, outros países que antes se abasteciam do grão norte-americano estão buscando novos fornecedores, o que é uma oportunidade para o Brasil.

Mercado interno

Em relação ao mercado interno, a estimativa da Federarroz é de crescimento 2,9% no consumo em 2020, com a produção ficando estagnada – a estimativa é 10,5 milhões de t. No Rio Grande do Sul, a projeção é que a produção chegue a 7,1 milhões de t.

“Acreditamos que o arroz vai terá outro patamar [de preços] nos supermercados, mas o impacto para o consumidor não deve ser significativo no contexto geral”, avaliou Velho. “Hoje, a cotação média paga ao produtor está em R$ 49 a saca, quando deveria estar acima de R$ 50.”

Em 2019, a cadeia arrozeira voltou a enfrentar os altos custos de produção. Para atenuar o problema, a Federarroz tem estimulado os produtores a diversificarem as culturas, adotando, por exemplo, a integração lavoura-pecuária: plantio de arroz e soja e criação de gado.

Arroz plantacao - Crédito Fagner Almeida Federarroz Divulgação 2019
Foto: Fagner Almeida – Federarroz/Divulgação

Diversificação de culturas

De acordo com Velho, essas iniciativas podem reduzir o custo de produção em 15% e aumentar a produtividade em até 20%. “Também estamos estudando a viabilidade de alternativas de culturas para a Metade Sul do RS, que incluem milho e canola.”

“A diversificação de culturas é a alternativa para o agricultor continuar na atividade”, afirmou ao AGROemDIA o vice-presidente da Federarroz, Roberto Fagundes Ghigino, acrescentando que a redução da área também contribui para sustentação de preços do cereal.

A busca por outras culturas já está ocorrendo em municípios da Fronteira Oeste do RS. “Em Uruguaiana, não havia soja. Há uns quatro, cinco anos, começou o plantio da oleaginosa por aqui, com 400, 500 hectares. Hoje, a área plantada de soja já alcança quase 5 mil hectares”, revelou Fagundes.

Paralelamente, a área de arroz em Uruguaiana caiu de 104 mil hectares para 96 mil hectares nesse período de quatro a cinco anos, pontuou o vice-presidente da Federarroz. “Se o produtor conseguir cultivar arroz e soja e criar gado e ovelha numa mesma área, é o ideal.”

Lavoura-pecuária

A integração lavoura-pecuária poderá ser vista durante a Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, que será realizada de 12 a 14 de fevereiro na Estação Experimental Terras Baixas, da Embrapa, em Capão do Leão (RS).

Além das lavouras de arroz, soja e milho e das zonas de pecuária, uma das grandes inovações desta edição do evento é a instalação e utilização de um pivô central para irrigação dos arrozais. O equipamento é tradicionalmente usado para a soja, mas também pode ser aproveitado em outras culturas para a racionalização do uso da água.

Renegociação de dívidas

No balanço do ano, a Federarroz destacou a sua atuação no debate sobre a renegociação das dívidas dos produtores. “O endividamento do setor é muito preocupante”, enfatizou Fagundes. Isso, salientou, tem trazido enormes prejuízos à cadeia do arroz de oito anos para cá. “Mas, os últimos quatro anos foram terríveis”.

Ao AGROemDIA, o vice-presidente da Federarroz defendeu ainda mudanças no Mercosul para ajudar a reduzir o custo de produção e, consequentemente, as perdas dos produtores. Para ele, é preciso liberar as compras de insumos entre os países do bloco econômico. Que Mercosul é este que não se pode comprar insumos no país vizinho?”, indagou.

A Federerraz também contribuiu, em 2019, para a proposta de reforma tributária que deverá ser votada em 2020, visando dar mais competitividade ao setor orícola. “A diferença [de tributos] entre estados penaliza nosso produtor [gaúcho] na venda para os grandes centros do Brasil”, sublinhou Velho.

A federação dos orizicultores também participa dos debates do grupo de trabalho criado pela Câmara de Crédito, Seguro e Comercialização do Ministério da Agricultura para modernizar o atual modelo de seguro rural. Em 2020, a subvenção para produtos agrícolas será de R$ 1,2 bilhão. A expectativa da entidade é tornar o seguro agrícola mais abrangente, beneficiando um maior número de produtores.

AGROemDIA

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