Exportações do agronegócio caem 4,3% em 2019; superávit recua 5%

exportacao-navio-agro-ivan-bueno-appa 2019
Foto: Ivan Bueno/APPA/Divulgação

Da redação/AGROemDIA

As exportações do agronegócio somaram US$ 96,79 bilhões em 2019, queda de 4,3% em relação aos US$ 101,17 bi alcançados em 2018. Os números constam da balança comercial do setor, divulgada nesta sexta-feira 10 pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). As importações também caíram, totalizando US$ 13,7 bi. Com isso, o saldo foi de US$ 83,01 bi, recuo de 5% na comparação com 2018.

Mesmo assim, as vendas externas do agro recuaram menos que as exportações totais brasileiras, que tiveram queda de 6,4%, somando US$ 224,0 bi. Com esse resultado, o setor aumentou a participação nas exportações totais do Brasil, passando de 42,3% do valor total exportado em 2018 para 43,2% em 2019.

Os destaques foram milho, carnes e algodão, que lideraram as exportações agrícolas. O milho registrou volume recorde de exportação, com 43,25 milhões de toneladas. O recorde anterior foi registrado em 2017, com 29,25 milhões de toneladas do cereal exportadas.

O Mapa atribui a queda 4,3% no faturamento das vendas externas à redução do índice de preço das exportações do agronegócio brasileiro, que caiu 6,9% em 2019. Essa retração foi compensada pela elevação de 2,7% no índice de quantidade das exportações, ou o equivalente ao incremento de 2,7% no volume exportado em 2019, conforme nota técnica do ministério.

Os cinco principais setores exportadores de 2019 foram: complexo soja (33,7% das exportações do agronegócio); carnes (17,1% das exportações do agronegócio); produtos florestais (13,3% das exportações do agronegócio); cereais, farinhas e preparações (8,4% das exportações do agronegócio); e complexo sucroalcooleiro (6,5% das exportações do agronegócio).

De acordo com o Mapa, esses cinco setores foram responsáveis por 79% das exportações totais do agronegócio brasileiro em 2019. No ano de 2018, os mesmos setores responderam por 80,5% das exportações do agronegócio brasileiro.

Complexo soja

O principal setor exportador do agronegócio brasileiro é o complexo soja. O setor foi responsável por cerca de um terço das exportações totais do agronegócio brasileiro em 2019 ou US$ 32,64 bilhões. A soja em grão é o principal produto exportado no setor. As vendas externas da oleaginosa caíram quase dez milhões de toneladas em 2019, passando de 83,2 milhões de toneladas exportadas em 2018 para 74 milhões de toneladas exportadas em 2019 (-11,1%).

Segundo o Mapa, a peste suína africana foi um dos principais fatores responsáveis pela redução das exportações brasileiras de soja em grão. Tradicionais países importadores de soja, como a China, tiveram seus rebanhos suínos afetados pelo vírus causador da peste suína, o que afetou a demanda de soja em grão brasileira.

Ainda no setor, as exportações de farelo de soja diminuíram 12,0%, passando de US$ 6,62 bilhões em 2018 para US$ 5,83 bilhões, enquanto as exportações de óleo de soja declinaram 32,1%, saindo de US$ 1,03 bilhão em 2018 para US$ 696 milhões em 2019.

O recuo das exportações dos três produtos do complexo soja fez as vendas do setor recuarem de US$ 40,70 bilhões em 2018 para US$ 32,64 bilhões em 2019 (-19,8%). Esta diminuição de cerca de US$ 8,0 bilhões em valores absolutos nas exportações do setor foi responsável pela queda global das exportações do agronegócio no ano de 2019, ainda que outros setores tenham obtido resultado absoluto positivo, abrandando a redução das exportações do agronegócio no ano.

Carnes

O setor de carnes foi um dos que teve resultado positivo no ano de 2019. As vendas externas do setor passaram de US$ 14,68 bilhões em 2018 para US$ 16,52 bilhões em 2019 (+12,5%). Diferente do que ocorreu com o complexo soja, as consequências da peste suína africana em diversos países ajudaram no incremento das exportações brasileiras de carnes.

A carne bovina foi a principal carne exportada pelo Brasil, com US$ 7,57 bilhões em vendas externas no ano de 2019 (+15,6%). Este valor exportado é recorde para toda a série histórica. Além disso, o volume exportado de carne bovina também foi recorde, atingindo 1,85 milhão de toneladas em vendas externas. A China se tornou o principal país importador de carne bovina brasileira, com 26,8% do volume total exportado pelo Brasil, ultrapassando sua região administrativa especial de Hong Kong, que ficou na segundo posição, com 18,6% do volume.

As exportações de carne de frango foram de US$ 6,90 bilhões em 2019, o que significou um crescimento de 7,7% em relação aos US$ 6,40 bilhões exportados em 2018. A China se tornou o principal país importador de carne de frango do Brasil, ultrapassando a Arábia Saudita, que foi o principal país importador de carne de frango em 2018. As exportações para a China atingiram 585,59 mil toneladas ou 14,2% do total exportado.

Já as vendas externas de carne suína apresentaram crescimento de 33%, atingindo US$ 1,58 bilhão em exportações.

O volume exportado de carne suína também foi recorde, com 737,2 mil toneladas em 2019. Uma terça parte desse volume exportado em 2019 foi para a China (33,8%), que ultrapassou sua região administrativa especial de Hong Kong, que ficou na segunda posição com participação de 22,1% no volume exportado pelo Brasil.

A China aumentou muito as aquisições de carnes do Brasil em 2019, tornando-se a maior compradora de carnes bovina, de frango e suína brasileiras. As exportações de carnes para a China subiram de US$ 2,59 bilhões em 2018 para US$ 4,52 bilhões em 2019 (+74,4%). Com esse crescimento, a participação da China nas aquisições de carnes do Brasil subiu de 17,7% para 27,4%.

Produtos florestais

As exportações de produtos florestais foram de US$ 12,90 bilhões (-7,6%), cifra que colocou o setor na terceira posição dentre os principais setores exportadores. A celulose foi o principal produto exportado pelo setor, com US$ 7,50 bilhões em vendas externas (-9,4%).

O volume exportado de celulose foi recorde da série histórica, atingindo 15,22 milhões de toneladas. Não obstante o volume recorde, a queda do preço médio de exportação da celulose em 9,6% impediu a obtenção de um novo recorde no valor exportado. Outros dois produtos do setor também registraram queda das exportações: madeiras e suas obras (US$ 3,42 bilhões; -7,1%) e papel (US$ 1,98 bilhões; -0,9%).

Milho

Outro grande setor exportador que contribuiu para arrefecer a queda das exportações do complexo soja foi o setor de cereais, farinhas e preparações. As exportações do setor subiram 73,5%, chegando a US$ 8,13 bilhões. O valor exportado foi US$ 3,4 bilhões superior aos US$ 4,68 bilhões exportados em 2018. O principal produto exportado do setor foi o milho. Foram exportadas 43,25 milhões de toneladas de milho em 2019, um volume recorde de exportação para o cereal. Para efeito de comparação, o recorde anterior de exportações ocorreu em 2017, ano em que o Brasil exportou 29,25 milhões de toneladas.

A safra de milho recorde na safra 2018/2019, de 100 milhões de toneladas ou quase 20 milhões de toneladas superior à safra 2017/2018, gerou um excedente exportável de milho de praticamente vinte milhões de toneladas em relação à quantidade exportada em 2018. Com o volume recorde exportado (+88,5% em 2019 na comparação com 2018), as exportações de milho atingiram US$ 7,34 bilhões em 2019 (+87,4%).

As exportações do complexo sucroalcooleiro foram de US$ 6,26 bilhões em 2019 (-15,9%). As exportações de açúcar foram de US$ 5,25 bilhões (-19,6%) enquanto as exportações de álcool foram de US$ 994,05 milhões (+11,2%). O volume exportado de álcool voltou a subir, atingindo 1,54 milhão de toneladas.

Algodão

O destaque do setor de fibras e produtos têxteis foi para o aumento das vendas de algodão não cardado nem penteado, que subiram de US$ 1,69 bilhão em 2018 para US$ 2,64 bilhões em 2019 (+56,5%).

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta