Antecipação da vacinação contra febre aftosa no RS enfrenta resistência

vacinacao aftosa gov to 23 2 2020
Foto: Gov. Tocantins

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou, em nota, a antecipação da vacinação contra a febre aftosa no Rio Grande do Sul de maio para março. No dia 13 deste mês, o AGROemDIA já havia noticiado a decisão do governo federal de mudar a calendário de imunização do rebanho bovino e bubalino no estado. A medida, entretanto, enfrenta resistência de parte dos pecuaristas gaúchos, que está preocupada com aspectos relacionados à fiscalização e à comercialização, embora tenha sido aprovada em reunião dos sindicatos rurais promovida pela Federação da Agricultura do Estado do RS (Farsul).

A antecipação da primeira etapa da vacinação contra aftosa no estado foi confirma pelo Mapa na sexta-feira 21, atendendo a pedido encaminhado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) do RS no último dia 17. Porém, o aval para a mudança foi dado pela ministra Tereza Cristina dia 13, durante reunião com o governador Eduardo Leite, o secretário de Agricultura, Covatti Filho, parlamentares da bancada gaúcha e representante de entidades do agro.

Com a medida, a campanha de vacinação será feita de 16 de março até 14 de abril de 2020. Segundo o Mapa, a decisão visa manter a possibilidade de o estado – caso cumpra todos os requisitos e ações previstas do Plano Estratégico 2017-2026 do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) – pleitear o reconhecimento de zona livre de febre aftosa sem vacinação perante à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), em maio de 2021.

O RS tem cerca de 13 milhões de bovinos e teve o último registro da doença em 2001.

Pecuaristas associados à Conexão Delta G

Em nota, a Conexão Delta G – associação que reúne pecuaristas de corte – declarou ser contrária à antecipação da vacinação contra a aftosa no RS. Conforme a entidade, a maioria de seus associados aponta questões técnicas, comerciais e políticas para se opor à medida, que é a primeira etapa para retirada da vacina.

De acordo com o comunicado, a Conexão Delta G avalia que o RS deve se estruturar melhor e os órgãos de fiscalização precisam estar com plena capacidade de atuação, tanto na prevenção quanto no caso de eventual foco e da retirada da vacina.

“Não vemos vantagens comerciais que superem o risco a correr. Não há dúvidas que devemos evoluir sempre, mas precisamos reforçar a base. Tivemos uma experiência de retirada da vacina fracassada há pouco tempo. Hoje, somos o grande player na exportação de carne. O mundo olha para o Brasil e seria péssimo retornar ao status anterior, pois já passamos por isso e o efeito foi devastador”, alerta a nota.

Para a entidade, o status sanitário é determinante para o mercado internacional e o calendário de retirada da vacina proposto pelo Mapa prevê mais um ano para que o RS altere seu status. “Dada à crise por qual que nosso estado, talvez seja uma boa oportunidade de aceitarmos com humildade nossas limitações e utilizarmos esse prazo para efetivamente nos prepararmos para que esse importante passo seja dado com segurança. A vontade da maioria dos produtores de continuar vacinando vem da insegurança, que poderá e deverá desaparecer com os acertos nos processos que ainda não estão bem estabelecidos.”

Posição da Farsul e sindicatos rurais

A antecipação da imunização foi debatida durante reunião da Farsul, em Porto Alegre. Por meio de vídeo, o presidente da entidade, Gedeão Pereira, informou que 69 sindicatos rurais de municípios gaúchos, de um total de 138, participaram do encontro que deliberou sobre o assunto

“Dos 69, 64 estavam aptos a votar. Destes, 53 sindicatos rurais, ou seja, 83%, votaram a favor da retirada da vacina no curto prazo”, disse Gedeão. Isso reforçou a antecipação da imunização do rebanho gaúcho.

“A Secretaria de Agricultura vai continuar com esse processo e no mês de agosto nos examinaremos com os nossos sindicatos rurais se aqueles quesitos que ainda não foram aprovados pelo Ministério da Agricultura podem ser saneados”, observou Gedeão. Se puderam, enfatizou, será realizada nova assembleia para decidir pela retirada ou não da vacina contra aftosa no RS.

 

 

 

AGROemDIA

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