O quebra-cabeças nacional

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Gil Reis*

Continuo observando o cenário nacional, acompanhando a mídia tradicional e as redes sociais, tentando navegar, inclusive, em meio às inúmeras teorias de conspiração sem naufragar. Confesso a todos que tem sido um esforço inaudito para chegar a conclusões diante de um quebra-cabeças nacional tão confuso.

A chegada do famigerado coronavírus em terras brasileiras criou um gravíssimo problema para o sistema de saúde pública e um enorme contencioso político. Neste imbróglio, surgiram duas grandes ondas originadas por dois ministérios, o da Saúde e o da Economia, comandados por dois cidadãos extremamente competentes.

O Ministério da Saúde segue uma visão eminentemente técnica, baseada na medicina e na ciência, com medidas destinadas a evitar o colapso da saúde pública. Já o Ministério da Economia se orienta pelas diretrizes econômicas do programa de governo, tentando resguardar o país para o “day after”, que inevitavelmente virá.

Em meio a todos os problemas, está o mandatário maior, procurando caminhar sobre águas revoltas provocadas pelas duas ondas, a da saúde e da economia. Afinal, a sanidade do sistema público de saúde e da economia é uma equação que tem como resultante a saúde do povo brasileiro.

Cumpre, assim, a obrigação de qualquer dirigente eleito para dirigir um país. Além de todo o tecnicismo envolvendo os dois ministérios, preocupa-se também com as dificuldades enfrentadas pelos cidadãos no período da crise e no que será o amanhã, em razão da parada na economia. Paralisação que pode gerar comoção social, mais adiante, semelhante a esta desencadeada pelo coronavírus.

O mandatário maior, que jamais aprendeu ou aprenderá o discurso do politicamente correto, vem se pronunciando e se comportando de modo muito peculiar. Às vezes, concorda, em outras discorda, de ambas as ondas, o que tem ensejado uma saraivada de balas disparadas de todas os laddos, inclusive dos que se dizem aliados de primeira hora. O mais irônico é que se o seu comportamento fosse diametralmente oposto ao de hoje a artilharia seria tão intensa quanto a de agora.

Quanto ao comportamento da imprensa, não avaliarei por questão de ética profissional, mas me faz recordar uma entrevista do Franklin Martins, falando sobre o embate Lula x imprensa, quando disse: “Quando a imprensa se dirige ao presidente, ela é crítica. Quando o presidente responde, ele a ataca.

Sobre as duas ondas, também me vem à mente as greves de ônibus, que sempre paralisam as nossas cidades. Nessas ocasiões, todos têm razão – os proprietários das empresas, os motoristas, os trocadores e os passageiros (um assunto muito difícil de se chegar a um consenso sem usar o raciocínio, a lógica e o bom senso).

Quanto ao problema político, vejo claramente o embate entre os três poderes da República. Trata-se de um embate de poder entre poderes, que não nasceu com o vírus. Aliás, há muito eles deixaram de lado a necessária harmonia entre os poderes da República.

Afora isso, o que me causa perplexidade é que algumas autoridades da República nos transmitam a sensação que o setor do agro está voando. Pura ilusão. Esquecem ou não têm conhecimento dos problemas que a atividade atravessas há muito, desde a carga tributária desmedida e em cascata até o endividamento e o passivo retroativo do Funrural, a “mãe de todas as dívidas”, criado “magicamente” pelo STF.

Uma coisa fica muito clara: assim como quem faz a gramática não são os gramáticos, mas o povo, espero que não seja o povo que apresente a solução!

Alguns torcem para que eu traga uma solução mágica – mágica é fruto de histórias de ficção. O que existe é a necessidade premente de que todas as autoridades envolvidas sentem em uma mesa e comecem a discutir tecnicamente, sem ranços ideológicos ou ambições políticas, em busca de uma ação equilibrada em favor do Brasil neste momento de crise que atravessamos. Crise desencadeada por um inimigo invisível e onipresente, que nos obriga ficar reclusos sob a ameaça de morte.

*Consultor em agronegócio

 

 

AGROemDIA

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