Mídia chinesa destaca importância do país para a soja brasileira

Foto: Ivan Bueno/Appá

Por Chen Weihua & Rodney Mello/Da Agência Xinhua

 A soja é atualmente um dos destaques nas relações comerciais bilaterais entre a China e o Brasil. Em 2019, a China foi o maior comprador da soja brasileira, segundo os dados do Ministério da Economia do Brasil. Em tempos de crise provocada pela covid-19, o Brasil espera manter o rumo das exportações para a China.

A produção de soja foi introduzida comercialmente no Brasil na década de 1960, no Rio Grande do Sul e, nos últimos 50 anos, expandiu-se para todas as regiões do país. A pesquisa teve um papel fundamental no desenvolvimento da cultura de soja no Brasil. Diversos programas de melhoramento genético foram realizados no início da década de 1970 pela Secretaria de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, o Instituto de Pesquisa Agropecuária do Sul (Ipeas) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“Nos anos 1970, o Brasil não era considerado uma potência na produção de alimentos. Não tinha o papel que ele tem hoje na questão de segurança alimentar e na exportação de commodities, porque nós somos um país que está em um cinturão tropical, onde os solos eram muito ácidos e a fertilidade baixa. A partir dos anos 70, houve um esforço muito grande no desenvolvimento de tecnologias e de estudos de pesquisa, sobretudo na questão agropecuária”, relata Margareth Simões, chefe-adjunta de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa.

Nestes últimos anos, o aumento significativo da demanda chinesa impulsionou o desenvolvimento da cultura de soja no Brasil. Segundo a projeção recentemente divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de soja deverá totalizar 120 milhões de toneladas na temporada 2019/2020, com aumento de 4,6% em comparação com a temporada anterior, quando foram colhidas 115 milhões de toneladas.

Entre os grandes produtores concorrentes, que são os Estados Unidos e Argentina, o Brasil é o que possui o maior potencial de expansão em área cultivada, com possibilidade de duplicar a produção.

“Nós não temos dificuldades nenhuma em aumentar a nossa produção. Temos dificuldades em escoar essa produção. Fazer essa soja sair do meio do Brasil até o porto e do porto para outros países. Acredito que o governo federal tem feito bastante projetos de infraestrutura, tem investido bastante e até assinado convênios com outros países para obras de infraestrutura, que é algo realmente necessário para o desenvolvimento do nosso país”, disse Jules Inácio Bortoli, diretor do grupo Bom Futuro, um dos maiores produtores de soja do mundo, com 500 mil hectares espalhados em 21 cidades, mais de 100 fazendas e cerca de 6 mil funcionários.

Na lista do governo brasileiro neste ano, estão previstos sete leilões para manutenção e construção de estradas, e também outros projetos para renovação e construção de rodovias e ferrovias, que podem ajudar no escoamento e, por consequência, provocar um aumento de produção. Os principais estados brasileiros produtores são Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul.

“Mais de 50% da soja brasileira é exportada e dessa exportação, 90% é para atender a demanda chinesa para alimentação de suínos e frangos, para a produção de proteína animal. Essa relação Brasil e China é muito positiva. E uma relação muito importante para o futuro. O Brasil vai continuar a aumentar a produção de soja, porque a demanda vai continuar crescendo na China por soja e por proteína animal”, afirmou Rodrigo dos Santos, presidente da divisão agrícola da Bayer na América Latina.

De acordo com a edição de abril do boletim “Estimativa de Safra”, da Aprosoja Brasil, a China será o destino de 85% das exportações brasileiras de soja in natura. Dos 120 milhões de toneladas de soja que o Brasil deve produzir na safra 2019/2020, 77 milhões de toneladas serão voltados para a exportação. Do total, 66 milhões de toneladas para a China.”

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta