Produtores de algodão querem elevar arroba da pluma a R$ 92 pela PGPM

Foto: Abrapa/Divulgação

Mesmo com o recente reajuste de 7,57%, determinado pela Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), os produtores de algodão defendem nova alta na cotação da pluma. No último dia 19, o governo elevou de R$ 72,00 para R$ 77,45% o valor da arroba do produto pela PGPM. Para o setor, o ideal seria a arroba a R$ 92,00 – R$ 14,55 a mais que a cotação atual –, para fazer frente às dificuldades impostas pela pandemia da covid-19.

“É muito importante que o preço mínimo esteja equiparado à realidade, uma vez que é a referência dos programas do governo para crédito, subvenção e seguro rural”, disse o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero.  O custo do algodão no Brasil nesta safra está estimado em US$ 0,60 por libra-peso. Com base nele, os produtores calculam o parâmetro ideal.

A cotação da pluma pela PGPM foi um dos temas da reunião on-line da Câmara Setorial do Algodão e Derivados, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), realizada nessa quarta-feira 24. A colheita da fibra, iniciada há pouco mais de duas semanas na maioria dos 10 estados produtores, a perspectiva para a safra 2020/21, as exportações e a situação da indústria têxtil também foram debatidas na reunião.

Segundo a cadeia produtiva, a safra de algodão 2019/2020 no Brasil é estimada em cerca de 2,9 milhões de toneladas, com produtividade média de 1.795 quilos de pluma por hectare. Isso é o que sinalizam os primeiros resultados dos exames de High Volume Instrument (HVI). Até agora, 3% da área plantada, de 1,62 milhão de ha, já foram colhidas.

Quanto ao plantio do ciclo 2020/21, os produtores estão cautelosos em razão das incertezas causadas pela crise sanitária. A pandemia afetou o mercado global, com efeitos em cascata desde a indústria às exportações, passando pelo consumidor final, conforme a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que preside a câmara setorial.

Como a covid-19 está levando os produtores a aumentar a busca por crédito, principalmente para armazenagem da pluma, a Abrapa e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) projetam um estoque de passagem maior.

“Não temos notícias de cancelamentos de remessas até agora, mas os prazos de entrega estão sendo alongados. Por isso, o produtor precisa de infraestrutura para as reservas, o que lhe permite gerenciar as vendas de acordo com as melhores oportunidades de mercado”, afirmou o presidente da Abrapa, Milton Garbugio.

Exportações

A pandemia também teve reflexos nas exportações brasileiras de algodão. A previsão inicial era de embarques de 2,1 milhões de toneladas, mas devem recuar para pouco menos de 2 milhões de t, de acordo com o presidente da Anea, Henrique Snicovski.

“O ciclo de exportações da safra 2018/2019 ainda não terminou. De julho de 2019 a meados de junho de 2020, o país já embarcou 1,89 milhão de t de algodão”, assinalou Snitcovski. O acumulado de junho é de 34 mil toneladas, mas a entidade acha que chegará a cerca de 50 mil t, o que deverá ser consolidado no primeiro dia útil de julho.

“Apesar da revisão na meta, este é o maior volume de embarques de algodão que o Brasil já teve. No segundo semestre do ano passado, o país exportou 1,08 milhão de toneladas, o maior segundo semestre da série histórica, desde 1997”, pontuou Snitcovski.

Mercado asiático

A China continua sendo o maior destino da pluma nacional, com 30% dos embarques, destacou a Anea. Em seguida, aparecem o Vietnã, com 15%; Bangladesh, com 12%; e, empatados, Indonésia, Paquistão e Turquia, com 10% cada um. Somados, esses seis principais mercados representam 90% dos embarques do Brasil.

O país segue como o segundo maior exportador da pluma, com 20% do mercado do algodão. Cerca de 97% dos embarques foram feitos pelo Porto de Santos. Os 3% restantes seguiram pelos chamados portos do “arco norte” do Brasil e outros da Região Nordeste.

Indústria

A pandemia do novo coronavírus atingiu fortemente a atividade da indústria têxtil. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit) informou que o desempenho foi péssimo entre os meses de abril e junho. A expectativa é que o cenário melhore a partir de 2021.

 

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