Chuva mantém gafanhotos no chão na Argentina; mau tempo impede combate

Foto: Governo de Corrientes/Divulgação

A chuva está mantendo os gafanhotos no chão na região de Sauce, na província argentina de Corrientes. Isso impede qualquer operação para combatê-los. Mesmo assim, o Brasil segue a prontidão na fronteira do Rio Grande do Sul por causa da mudança de ventos em direção ao território brasileiro e ao Uruguai.

As empresas de aviação agrícola da região de Uruguaiana e da faixa entre Alegrete e Pelotas (RS) também estão em alerta para uma eventual ação no Brasil.

Conforme o fiscal agropecuário Juliano Ritter, da Secretaria de Agricultura do Estado do RS, o vento nesta terça-feira 30 mudou para o sentido sudoeste, com rajadas de 20 quilômetros por hora. “Bem em direção ao estado”. Segundo ele, a sorte está na temperatura mais baixa, que diminui a mobilidade dos gafanhotos. “É o que está nos ajudando.”

Segundo o professor Mauricio Paulo Batistella Pasini, doutor em Entomologia e pesquisador da Universidade de Cruz Alta (Unicruz), o mau tempo não elimina os gafanhotos. “A chuva apenas impede a migração. Eles ficam onde estão e voltam a migrar depois que a chuva passa. O que elimina os insetos é o frio. A partir de cinco graus, já eliminaria alguns indivíduos. Mas, para o clima acabar com a nuvem, seria preciso frio abaixo de zero.”

Protocolo de ação

Paralelamente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) segue na elaboração do Plano Nacional para Contenção da Praga de Gafanhotos, como apoio do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) e outras entidades.

O primeiro passo foi a publicação pelo Mapa, nesta terça, no Diário Oficial da União, da Portaria 208/20. O documento traça diretrizes gerais e autoriza, em caráter emergencial e temporário, o uso de alguns produtos contra os gafanhotos, possibilitando ações imediata enquanto o plano não fica pronto. A portaria lista princípios ativos químicos e biológicos que podem ser usados contra os insetos.

Também nesta terça, o Sindag ainda deve enviar ao Mapa a contribuição da aviação agrícola para o plano contra gafanhotos. O trabalho vinha sendo feito desde a última semana e abrange dados sobre as características dos insetos e sua voracidade, as formas de combate em cada estágio e a tecnologia disponível no país.

O sindicato também reforça os requisitos legais para as empresas aeroagrícolas operarem, desde registros e licenças ambientais até a formação mínima da equipe – que, além do piloto especialmente formado para isso, precisa ter um agrônomo coordenador e pelo menos um técnico agrícola com especialização na equipe de solo.

O texto preliminar recomenda ainda a exigência de tecnologias de ponta como fluxômetro (controla o fluxo de produto de acordo com a velocidade do avião), bicos e atomizadores com capacidade para gerar o tamanho correto de gotas e ainda sistema de posicionamento via satélite com sinal diferencial (DGPS) com capacidade de gravação de toda a operação, entre outros itens, além das técnicas de combate, de preferência, com os gafanhotos no solo, ao final da tarde ou início da manhã (quando a nuvem se condensa em área menor). E, em casos especiais, sobre a nuvem em voo.

Especialistas

A equipe do sindicato aeroagrícola que elaborou o texto preliminar é formada por quatro especialistas, todos agrônomos: a doutora em Biologia e pós-doutora em Bioquímica e Fisiologia Andréa Brondani da Rocha; o doutor em Entomologia Maurício Pasini, da Unicruz, e o doutor em Produção Vegetal (sistemas automáticos de pulverização), Henrique Borges Neves Campos.  O quarto especialista é Eduardo Cordeiro de Araújo, um dos pioneiros em tecnologias aeroagrícolas no Brasil.

Araújo ajudou aperfeiçoar o projeto do avião agrícola Ipanema (como agrônomo e piloto da Embraer) e realizou os primeiros testes com sistema de DGPS no País.

Além disso, contribuiu para adaptar o Brasil aos protocolos internacionais de combate a mosquitos com uso de aviões, em uma operação que ajudou a frear um surto de encefalite transmitida pelo mosquito culex, na Baixada Santista, em 1975.

 

O trabalho do Sindag também faz a referência de técnicas para cada tipo de produto e reforça a necessidade de uma rede de monitoramento permanente de insetos – tanto nascidos no País quanto a aproximação e nuvens vindas de fora.  “Agora, o Mapa deverá avaliar e propor as alterações e acréscimos necessários, juntando ao restante do plano, que está sendo preparado pelos técnicos da entidade”, diz o presidente da entidade, Thiago Magalhães Silva.

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