Produtores têm altas produtividades em áreas com nematoide de cisto

Se não tiver o devido controle, o nematoide de cisto da soja (NCS), Heterodera glycines – muito comum nas principais regiões produtoras da oleaginosa do Brasil –, pode causar perdas importantes de produção, entre 5% e 30% em locais com baixas infestações (1 a 10 cistos viáveis por 200 cm³ de solo), e até 70% naqueles com maior incidência (20 cistos por 200 cm³ de solo). A ocorrência desse patógeno é mais recorrente em Mato Grosso, atingindo principalmente as regiões sudeste, médio-norte e Parecis.

Segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN), passam de R$ 16 bilhões os prejuízos causados na cultura da soja por todas as espécies de nematoides consideradas mais importantes no Brasil. Somente o nematoide de cisto está presente em aproximadamente 3 milhões de hectares com a oleaginosa, considerada sua principal hospedeira. Neste contexto, a utilização de cultivares com ampla resistência é uma opção que pode trazer rentabilidade para o produtor que lida com o problema.

A fitopatologista Marcella Viana de Sousa, da área de genética e análise de plantas da Tropical Melhoramento e Genética (TMG), diz que a primeira medida a ser tomada pelo produtor rural é a de saber exatamente qual a raça ou raças de nematoide de cisto está presente na sua propriedade. O monitoramento, assinala, deve ser feito a cada safra para entender se houve mudança ou não das raças. A partir disso, acrescenta, é possível escolher as cultivares de soja com resistência mais adequadas ao local.

Marcella ressalta ainda que a recomendação da cultivar correta ajuda a evitar a pressão de seleção na população de nematoides, ou seja, vai contribuir para evitar a perda da resistência genética das cultivares.

Resistência às multirraças

A disponibilidade de cultivares frente às perdas por nematoide de cisto ainda é pequena, especialmente quando se trata de resistência às multirraças existentes associado a alto potencial produtivo.

Anderson Meda, gerente de Pesquisa da TMG, enfatiza que, com investimentos em pesquisa e melhoramento genético, a empresa tem contribuído com o desenvolvimento de variedades de elevado potencial produtivo e resistência a múltiplas raças de cisto, o que é um resultado diferenciado no mercado de cultivares de soja no Brasil.

Com essa proposta, a TMG lançou a cultivar TMG 2381IPRO, resistente às raças 1, 3, 4, 5, 6, 9, 10 e 14. Indicada tanto para solos de alta fertilidade (visando segunda safra de algodão ou de milho), como também de média fertilidade associado a texturas arenosas, a cultivar pertence ao grupo de maturação 8.1, com aptidão para abertura de plantio e pode ser cultivada em Mato Grosso, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Goiás, no Maranhão, Tocantins, Piauí e no oeste da Bahia.

“A cultivar é considerada uma variedade de bom arranque inicial e alto potencial de engalhamento, possui excelente sanidade foliar e tolera bem a chuva na colheita”, diz, em nota, a TMG.

Clóvis Dutra, produtor e gerente da Fazenda Medeiros, de União do Sul (MT), optou pela TMG 2381IPRO na safra 2019/20 e relata que a cultivar se estabeleceu rápido e surpreendeu com produtividade de 73,4 sacas por hectare, em área com histórico de nematoide de cisto. Por essa razão, o agricultor vai plantá-la novamente no próximo ciclo.

O produtor Alexandre Bottan, com áreas nos municípios de Campo Novo do Parecis e Sapezal (ambos em MT), destaca a performance da cultivar. “Plantamos pela primeira vez este ano, tanto em áreas argilosas para cultivo de algodão safrinha, quanto áreas de milho safrinha. Também testamos em área arenosa e teve excelente performance”. Ele colheu 202 hectares com a produtividade de 75 sc/ha.

Sintomas e sinais do NCS

Os estudos indicam que nem sempre plantas atacadas pelo NCS vão exibir algum sintoma evidente na parte aérea, exceto uma ligeira redução no porte. Isso pode acontecer em regiões com boa distribuição de chuvas e em solos de fertilidade naturalmente mais alta.

Quando há maior pressão do nematoide, é possível perceber que o processo de alimentação nas raízes causa intenso subdesenvolvimento na parte aérea e amarelecimento das plantas. Em muitos casos, é possível desenvolver poucas vagens de soja e, em anos de estiagem, os sintomas podem se agravar. Em lavouras onde a população é muito alta, também pode ocorrer morte prematura de plantas.

Por isso, de acordo com especialistas, o diagnóstico definitivo requer observação, a partir da quinta semana após a semeadura da soja, se há presença de fêmeas do nematoide do tamanho aproximado da ponta de uma caneta esferográfica e em formato de limão, com coloração branca e amarela, presas nas raízes das plantas. Associado a essa observação, é preciso recorrer à diagnose em laboratório qualificado em análises nematológicas para a constatação da presença de cistos no solo.

Manejo

A fitopatologista da TMG explica que umas das características do cisto é que ele pode permanecer viável no ambiente por até oito anos, mesmo sem a presença de plantas hospedeiras. “Infelizmente, o sojicultor tem que aprender a conviver, através do uso de cultivares resistentes, manejo da fertilidade do solo e uso de nematicidas químicos ou biológicos.”

Outra técnica recomendada de manejo do NCS é a rotação de culturas, com plantas não hospedeiras e controle da soja tiguera na área, durante a entressafra. Além disso, também ajudam a minimizar o problema a adoção da semeadura direta e de práticas que aumentem o teor de matéria orgânica e a fertilidade do solo, que propiciam um aumento da fauna microbiológica do solo que atua na redução do tempo de viabilidade do cisto. E, por fim, é importante também a manutenção do pH do solo dentro dos níveis recomendados para a região.

Controle genético

Dependendo da fonte de resistência utilizada, há duas formas de atuação. A primeira é na alimentação das fêmeas, resultando em fêmeas menores e poucos ovos. A segunda atua no impedimento de formação de células nutridoras e as fêmeas não possuem a fonte de nutrientes essenciais para a reprodução.

Diferente da planta resistente, a cultivar com ampla resistência a cisto possui mais genes de resistência que impedem a reprodução de diferentes raças do nematoide de cisto, seja atuando na alimentação das fêmeas ou impedindo a formação de células nutridoras.

A TMG ainda oferece em seu portfólio de soja duas cultivares convencionais (não transgênicas) com ampla resistência a cisto, a TMG 4182 (nove raças) e TMG 4185 (sete raças e moderada resistência a mais duas raças). O portfólio também contempla cultivares resistentes a uma, duas ou três raças – TMG 2383IPRO, TMG 2379IPRO, TMG 2173IPRO, TMG 2378IPRO, TMG 2185IPRO, TMG 2181IPRO, TMG 2182IPRO, TMG 2286IPRO, TMG 1180RR, TMG 1188RR e o lançamento TMG 4377 (convencional).

 

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