Sempre aos domingos: O Colono, homenagem de Teixeirinha aos agricultores

Da redação//AGROemDIA 

Nestes dias de homenagens aos agricultores, o AGROemDIA busca no canto de Teixeirinha um presente para os agricultores brasileiros. Em O Colono, uma das 12 músicas do LP Dorme Angelita, gravado em 1969, o gaúcho do município de Rolante Vitor Mateus Teixeira, mundialmente conhecido como Teixeirinha, recorreu aos versos para enaltecer os produtores rurais e, ao mesmo tempo, repudiar o preconceito ainda hoje existente em relação aos trabalhadores e trabalhadoras do campo, embora eles e elas sejam os grandes responsáveis pelo Brasil ter se transformado numa potência agrícola.

Na atualidade, porém, o preconceito contra os agricultores está cada vez mais restrito a nichos de incompreensão. Mas, vamos deixar isso de lado para saudar o Dia Internacional da Agricultura Familiar, comemorado nesse sábado 25, e o Dia do Agricultor, que será celebrado nesta terça-feira 28.

Ah, quem quiser conhecer um pouco mais sobre a história de Vitor Mateus Teixeira – um dos maiores nomes da música gaúcha e brasileira – e ouvir as suas músicas, clique aqui para visitar o site da Fundação Teixeirinha. Está tudo lá.

O Colono

Teixeirinha

Eu vi um moço bonito, numa rua principal

Por ele passou um colono, que trajava muito mal

O moço pegou a rir, fez ali um carnaval

Resolvi fazer uns versos, pra este fulano de tal.

 

Não ri seu moço daquele colono

Agricultor que ali vai passando

Admirado com o movimento

Desconfiado lá vai tropicando

Ele não veio aqui te pedir nada

São ferramentas que ele anda comprando

Ele é digno do nosso respeito

De sol a sol vive trabalhando

Não toque flauta, não chame de grosso

Pra ti alimentar, na roça está lutando.

 

Se o terno dele não está na moda

Não é motivo pra dar gargalhada

Este colono que ali vai passando

É um brasileiro da mão calejada

Se o seu chapéu é da aba comprida

Ele comprou e não te deve nada

É um roceiro que orgulha a pátria

Que colhe o fruto da terra lavrada

E se não fosse este colono forte

Tu ias ter que pegar na enxada.

 

E se tivesse que pegar na enxada

Queria ver que mocinho moderno

Pegar no coice de um arado nove

E um machado pra cortar o cerno

E enfrentar doze horas de sol

Num verão forte tu suavas o terno

Tirar o leite, arrancar mandioca

No mês de julho no forte do inverno

Tuas mãozinhas finas delicadas

Criava calo e virava um inferno.

 

Este colono enfrenta tudo isto

E muito mais eu não disse a metade

Planta e colhe com suor do rosto

Pra sustentar nós aqui na cidade

Não ri seu moço mais deste colono

Vai estudar numa faculdade

Tire um “dr”, chegue la na roça

Repare lá quanta dificuldade

Faça algo por nossos colonos

Que Deus lhe pague por tanta bondade.

AGROemDIA

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