Sem defensivos na agricultura, PIB do RS perderia R$ 51,36 bi, diz Farsul

Sem o uso de defensivos no campo, o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul teria uma redução de R$ 51,36 bilhões, o equivalente a uma queda de 10,69%, superior a três vezes o impacto das piores secas. Os números constam de estudo da Farsul com simulação sobre os   resultados que a produção agrícola gaúcha teria caso não utilizasse agroquímicos, comparando-a com a agricultura convencional.   

O levantamento se baseou em números da safra 2019 e estudos científicos. “O objetivo é demonstrar o impacto econômico e social que a adoção generalizada do modelo [sem defensivos] causaria”, esclarece a Farsul.  Com a simulação, entidade mostra ainda os prejuízos que o setor teria com o fim da isenção sobre o ICMS de fertilizantes, que passariam a ser taxados em 1,7%, conforme o projeto de reforma tributária do governo gaúcho.

Hoje, o RS tem 1.240 empresas distribuidoras de insumos e 128 cooperativas que têm boa parte da receita proveniente, parcialmente, dos insumos entregues aos produtores para ser pagos depois com parcela dos grãos colhidos. “Utilizando uma única forma [de produção], grande parte dessas empresas seriam fechadas, junto com seus postos de emprego”, alerta o estudo.

De acordo com a Farsul, o resultado de um eventual desestimulo ao uso de defensivos significaria uma retração de 32% somente no PIB do agronegócio gaúcho. O próprio governo estadual, assinala o estudo, registraria uma considerável perda de arrecadação. Em 2019, no caso, o RS teria menos R$ 4,98 bi nos cofres públicos. No mesmo ano, o déficit do governo era de R$ 3,2 bi.

Os defensivos são responsáveis por um grande investimento dos produtores, especialmente por serem importados e influenciados pela variação cambial. “Uma produção sem utilizá-los reduziria os custos em R$ 9,43 bi, mas haveria na queda de produtividade. A produção de 33,6 milhões de toneladas de grãos, por exemplo, cairia para 23,2 milhões”, pontua o levantamento.

O impacto econômico, acrescenta a Farsul, também teria reflexo sociais. “Como possuem uma produtividade menor, os produtos que não recebem aplicações de agroquímicos têm custo maior para o consumidor na relação de demanda de mercado. Ao considerar que toda a produção gaúcha adote esse modelo, a disponibilidade de alimentos seria menor, com reajuste de preços.”

Um exemplo é o arroz, cita a Farsul. O Rio Grande do Sul é o maior produtor do cereal no Brasil, atendendo boa parte da demanda nacional, além de exportar. “Em 2019, o rendimento médio de uma lavoura convencional era de 7.417 kg/ha em lavouras convencionais. Já naquelas em que não havia a aplicação de defensivos, a produtividade caiu para 4.286 kg/ha. Uma diferença de 42%.”

A menor oferta do produto, enfatiza a Fasul, deixaria 62,6 milhões de brasileiros desabastecidos. “Isso afetaria a população mais carente do país, que tem no arroz um dos principais ingredientes da sua dieta diária. A escassez o tornaria um produto nobre e aumentaria os preços ao consumidor. Para garantir o volume, seria preciso aumentar em 50% a área plantada.”

Não podemos aceitar que os produtores convencionais ou os que adotam uma agricultura sem defensivos sejam estigmatizados” – Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul

Desmistificação de acusações

O presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, afirma que “o estudo busca desmitificar a acusação de um pessoal de plantão que gosta de apontar o agronegócio como envenenador do meio ambiente. E tentam fazer uma comparação entre os chamados orgânicos e os feitos de maneira tradicional”.

Gedeão destaca ainda a posição da Farsul em não distinguir os produtores conforme o modelo que adotam. “A Federação da Agricultura representa a todos produtores rurais. Quem achar que tem nicho de mercado para produzir orgânicos, que siga na sua seara. Quem prefere o sistema convencional, que siga assim produzindo.”

“O que queremos demonstrar em números, através da ciência, é justamente as diferenças de eficiência produtiva entre os sistemas, para trazer a importância de tudo aquilo que a gente faz e como faz”, completou Gedeão, enfatizando o papel do setor no atual momento:

“Estamos num momento muito importante porque o agronegócio brasileiro está cumprindo com sua grande missão. Basta chegarmos em qualquer supermercado para vermos a quantidade e qualidade dos produtos ofertados. Aquilo que tínhamos uma grande preocupação, que era haver algum tipo de desabastecimento em função da pandemia, não ocorreu. E não ocorreu porque o agronegócio não parou de funcionar e não só tem abastecido o mercado interno, como continua abastecendo fortemente os mercados internacionais.”

Sem preconceito contra o produtor

O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, reforça a importâncias do levantamento para afastar preconceitos sobre modelos de produção. “Não podemos aceitar que os produtores convencionais ou os que adotam uma agricultura sem defensivos sejam estigmatizados, que algum processo produtivo seja avaliado de maneira preconceituosa.”

Em recado direto ao governo Eduardo Leite, Antônio da Luz declara: “Quando esse estigma vem do Estado, vestido de política pública, tributária ou coisas do tipo, exige uma resposta clara do nosso lado. Montamos o estudo para mostrar a razão de os produtores adotarem uma agricultura convencional e os benefícios que trazem para o estado.”

O coordenador da Comissão do Meio Ambiente da Farsul, Domingos Lopes, lembra que, além de abastecer o consumo interno, o Brasil exporta para centenas de países que têm os mais diferentes regramentos para a entrada de alimentos e cumpre todas as exigências, o que garante a segurança alimentar. A grande maioria desses produtos, assinala, são resultantes do modelo agrícola convencional.

Em relação ao debate sobre os modelos produtivos, Lopes reforça o posicionamento da Farsul. “Defendemos sempre que o que rege nosso modelo de produtividade em primeiro lugar é a estlegalidade. Em segundo está o tripé que consideramos base da nossa atividade. Sustentabilidade, pois temos sim que sustentar o meio ambiente; temos que ter um desenvolvimento social.”

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