Pedidos de recuperação judicial de tradings causam receio entre produtores

Foto: Agência Alagoas

João Carolos Rodrigues //Da redação AGROemDIA

Os pedidos de recuperação judicial de tradings   e empresas comerciais exportadores de commodities agrícolas têm causado insegurança entre produtores rurais. Alguns receiam fechar contratos de venda de grãos, entregá-los no prazo acordado e depois não receberam porque a empresa pediu recuperação judicial. Com isso, correm o risco de acabar amargando prejuízos capazes de ameaçar sua capacidade de investir nas lavouras de soja e milho da safra seguinte.

Este é o caso de um grupo de produtores de Santa Mariana, no norte do Paraná. Há dois anos, eles venderam grãos, por intermédio da Associação dos Produtores Agrícolas Marianense (APAM), para uma empresa de Sertanópolis (PR), que mais tarde pediu recuperação judicial e os causou prejuízos. Desde então, eles têm receio quando fazem novas vendas para tradings e empresas comerciais exportadores, incluindo algumas das mais conceituadas do mercado.

“A gente se sente inseguro”, diz o Genésio Camolese, 69 anos, produtor de soja e milho desde 1972 e tesoureiro da APAM. Por isso, ele tem buscado informações para tentar escapar das vendas intermediadas por tradings e empresas comerciais exportadores, que normalmente pagam o produto vendido para exportação entre 30 ou 60 dias após a entrega. “A soja da próxima safra, nós entregaremos em janeiro 2021, mas só receberemos em abril ou maio.”

Sede da Associação dos Produtores Agrícolas Marianense (APAM) – Foto: Divulgação

Criada em 1993, a APAM reúne cerca de cem produtores. Eles produzem aproximadamente 400 mil sacas de 60 kg de soja e 600 mil sacas de 60 kg de milho (safrinha) por temporada. Associação também tem estrutura com capacidade estática para armazenar 200 mil sacas de 60 kg. Mas, com a saída da produção vendida, o volume armazenado pode chegar a 300 mil, 400 mil sacas de 60 kg de grãos (milho e soja) por ano.

A área plantada dos associados da APAM passa de 3 mil alqueires, e os grãos são exportados pelo Porto de Paranaguá. “Nossa produção é pequena, mas é de qualidade”, ressalta Genésio. Segundo ele, a criação da associação foi fundamental para organizar os produtores locais, buscando aumentar a produtividade das lavouras e ter mais poder no momento de negociação das safras com os compradores.

 

 

 

 

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