Em parceria com a Embrapa, Marfrig lança linha de carne carbono neutro

Foto: Robinson Cipriano/Embrapa/Divulgação

A Marfrig e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) anunciaram nesta quinta-feira 27 o lançamento da marca Viva, uma nova linha de carnes com atributos de sustentabilidade. Desenvolvida pela Embrapa, a carne carbono neutro (CCN) é uma certificação do gado criado em sistemas de integração do tipo silvipastoril (pecuária-floresta) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta, ILPF). 

Para desenvolver a Viva, que dá nome a diferentes cortes de carne bovina para grelha e dia a dia, a Marfrig investiu cerca de R$ 10 milhões. Os recursos foram alocados em pesquisa, certificação de propriedade, construção da marca, construção dos padrões de corte, divulgação, royalties, entre outros. A parti deste mês, a linha será vendida, de forma exclusiva, em 10 lojas selecionadas do Pão de Açúcar, na cidade de São Paulo, e posteriormente em todo país.

Os produtos da linha Viva são provenientes de animais inseridos em um sistema de produção pecuária-floresta, que neutraliza as emissões de metano dentro de um protocolo desenvolvido pela Embrapa. Essa compensação é assegurada a partir da certificação e verificação por auditorias independentes. Além disso, o protocolo garante produtos diferenciados e de alta qualidade, bem como todos os preceitos de bem-estar animal atendidos dentro do sistema de produção.

Produção sustentável

“Ao incentivarmos a produção sustentável, geramos valor para a empresa e para a cadeia de negócios. Além disso, o desenvolvimento da carne carbono neutro, em parceria com um dos mais respeitados centros de pesquisa e de inovação do agronegócio mundial, a Embrapa, reafirma o nosso compromisso com quatro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU”, diz Miguel Gularte, CEO da Marfrig. São eles: combate às alterações climáticas, vida sobre a Terra, consumo e produção responsáveis e parcerias em prol das metas.

Para a Embrapa, a produção de carne carbono neutro fortalece o mercado interno e, futuramente, a exportação de carnes para países exigentes, diferenciando o produto brasileiro em questões de sustentabilidade. “É um projeto que conta com a participação de 12 centros de pesquisa da Embrapa, envolvendo uma rede de mais de 150 pesquisadores e ainda diversas instituições. O agro será o motor da retomada brasileira e vai precisar de parcerias como essa, unindo esforços dos setores público e privado”, enfatizou Celso Moretti, presidente da Embrapa.

“A parceria com a Marfrig posiciona a nossa carne em um novo patamar de percepção de valor nos mercados nacional e internacional, e atende a crescente demanda por práticas sustentáveis de produção e ações que garantam o bem-estar animal, com foco nos sistemas em integração, que contribuem tanto com a mitigação, quanto com a redução dos gases de efeito estufa”, afirma a diretora-executiva de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Adriana Regina Martin.

A diretora de Sustentabilidade do Pão de Açúcar, Susy Yoshimura, afirma que, além do consumo consciente, é importante fortalecer a curadoria de produtos mais sustentáveis, incentivando a cadeia de valor para inovação nos processos de produção com menor impacto socioambiental. “É um privilégio, em parceria com a Marfrig, oferecer com exclusividade o lançamento da linha Viva em nosso portfólio e ampliar as opções de carbono neutro aos nossos clientes que buscam produtos de qualidade e com atributos sustentáveis”, afirma.

Sob o ponto de vista do produtor, as vantagens da integração pecuária-floresta são evidentes não só em termos de ganho para o meio ambiente, mas também em conforto animal e produtividade. “A certificação CCN coroa a nossa dedicação a um projeto de integração que iniciamos em 2009”, diz Arthur Pollis, presidente da Santa Vergínia Agro, primeira propriedade rural no Brasil certificada com o selo CCN e fornecedora de gado para a Marfrig, no estado de Mato Grosso do Sul.

Selo Carne Carbono Neutro

A principal finalidade da marca-conceito CCN desenvolvida pela Embrapa é atestar a produção de bovinos de corte em sistemas com a introdução obrigatória de árvores como diferencial. Nessas condições, a presença do componente arbóreo em sistemas de integração do tipo silvipastoril (pecuária-floresta, IPF) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta, ILPF) neutraliza o metano entérico (exalado pelos animais), um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa que provoca o aquecimento global.

O conceito pode impulsionar a exportação, principalmente para o mercado europeu, que é muito exigente. A perspectiva é melhorar a visibilidade da carne brasileira e promover maior adoção dos sistemas ILPF e IPF no Brasil. Estudo realizado na Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS) mostra que cerca de 200 árvores por hectare seriam suficientes para neutralizar o metano emitido por 11 bovinos adultos por hectare ao ano, sendo que a taxa de lotação usual no Brasil é de um a 1,2 animais por hectare.

Da Embrapa

 

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