Produtores de leite temem que importações atrasem recuperação do setor

Da redação//AGROemDIA

Embora os preços do leite ao produtor tenham se valorizado nos últimos três meses, segundo o Cepea/Esalq/USP, o setor está em alerta. O motivo é a possibilidade de aumento das importações do produto pelos laticínios, citada dias atrás, por exemplo, pelo Conseleite do Rio Grande do Sul. A base produtora teme que a entrada de lácteos de outros países tenha impacto negativo num momento em que os custos de produção da cadeia estão muito altos, pressionados pelo dólar.

“Nós, produtores de leite, temos grande preocupação com a possibilidade de entrada de importação, porque os nossos custos de produção estão muito elevados, em razão da alta de dólar, disse ao AGROemDIA o empresário produtor de leite Rafael Hermann, do município de Boa Vista do Cadeado, na região central do RS. “Ao mesmo tempo, este é o momento que em estamos preparando o solo para o plantio de milho para silagem e as pastagens.

Por isso, assinalou o pecuarista leiteiro, é importante que não haja desvalorização do preço do litro de leite ao produtor neste momento. “Nossos investimentos estão mais altos, assim como os preços das rações concentradas para alimentação animal, que subiram muito nos últimos meses. Infelizmente, não temos como baixar os custos de produção, porque não depende da gente.”

Um dos líderes do Movimento Construindo Leite Brasil, membro da comissão do leite da Farsul e representante estadual da Abraleite, Rafael alertou que importar leite também pode atrasar a recuperação do setor leiteiro gaúcho. “Tivemos uma seca severa no verão, que atingiu 100% dos produtores, e dias atrás ocorreram duas fortes geadas, que comprometeram o azevém, a aveia e o trigo, que seriam destinados para feno, silagem e pré-secado.”

Na avaliação de Rafael, qualquer perda agora pode inviabilizar a atividade de milhares de famílias produtoras de leite no estado. “Tudo isso deixa os produtores tensos.” Ele que espera que o governo Bolsonaro crie políticas pública de apoio ao setor. “Precisamos de seguro para o milho destinado à silagem e para pastagens, por exemplo, porque hoje não temos garantia alguma.”

Recentemente, Rafael e outros dois líderes do Movimento Construindo Leite Brasil, os produtores Joel Dalcin e Leonel Fonseca, tiveram audiência com o presidente Jair Bolsonaro, em Bagé (RS). No encontro, eles entregaram um documento com as reivindicações do setor leiteiro ao governo. “Queremos contribuir para o desenvolvimento do país, mas precisamos de condições”, enfatizou Rafael.

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