Advocacia criativa: Sobrevivendo como advogado pós-pandemia

Décio Guimarães, advogado colaborativo e gestor de conflitos – Foto: Arquivo pessoal

Décio Guimarães*

“A advocacia vive e sobrevive dentro do Estado democrático de Direito e dele depende, pois há de exercer seu papel indispensável à administração da Justiça sempre fiel observância à lei e à Constituição. E não se trata de mera opção profissional! É um dever que impõe ao advogado grande comprometimento com toda e qualquer luta contra arbitrariedades e violências às liberdades, aos Poderes da República, ao devido processo legal, ao direito de defesa.” (1) 

Não está fácil para ninguém, diz seu vizinho de escritório, que luta, arduamente, para manter aberta a sua oficina de trabalho. Este cenário de perplexidade e de incredulidade perpassa em todos os profissionais do ramo do Direito.

Não bastasse a pandemia, convivemos com um clima de instabilidade política e jurídica evidentes no nosso país, o que coloca essa temática na ordem do dia dos operadores do direito.

Evidente que as mudanças bruscas e abruptas, no mercado de trabalho, já se faziam presentes no nosso cotidiano.

As inovações não paravam de aparecer no meio jurídico, fazendo com que estejam na pauta mudanças de paradigmas e de culturas, mantidas intactas por longo tempo.

Desde os bancos escolares universitários, tínhamos conhecimento de que, para ser bem-sucedido na profissão e seguir em frente, deveríamos buscar um nicho, desafiando mitos e falácias da profissão.

Chegamos no século XXI com um desafio muito presente: a profissão à beira do esgotamento, sem falar da relação com o Judiciário, desgastada e completamente superada.

O Judiciário, temente de ter sua importância questionada, transformou a tecnologia em salvação, independente da falta de prática e da maneira horizontal proposta.

Como se diz no popular, “o advogado que lute”.

As formas de resolução de conflitos, via Judiciário, nos dão mostras de que não é mais possível caminhar por esta senda.

É urgente e necessária, para termos uma sociedade organizada, a procura por outras formas de solução de conflitos.

Agora, é determinante e urgente que caminhemos por diferentes trilhas, tais como atendimento remoto e audiências on-line, estabelecendo novas formas de advogar e de se relacionar com os clientes, sem abrir mão dos princípios e da ética profissional.

É preciso perseverar, quebrar paradigmas, mudar coisas que você aprendeu quando era advogado analógico e que não funcionam mais no mundo digital.

Mude como o mundo muda, acompanhe as divergências, seja sagaz e caminhe pelo lado certo da vida.

Reinventar a advocacia?

Então, é hora de revisar conceitos, aprender as novidades, integrar-se ao mundo tecnológico e dar sentido ao trabalho de operador do direito, num sentido mais amplo.

O cardápio que se nos apresenta leva-nos a uma relação mais próxima com o cliente, com as novas formas de resolução de conflitos e, também, com o sucesso da empreitada.

Não mais agarrados aos prazos e jurisprudências velhacas, agora teremos que dialogar com o bom senso e a razão para obter êxito.

O que se quer, no momento, é a boa e esperada Justiça.

Seja para a mãe que busca a pensão alimentícia, seja um contrato que perdeu seu objeto, seja um imposto cobrado a mais.

O número avassalador de processos no Judiciário poderá ser aumentando exponencialmente pelo evento pandemia, seja pela quebra de contratos, falência de empresas e descumprimento de legislação trabalhista.

Imagina-se que o número poderá dobrar, o que ocasionará uma exaustão e lentidão, e, consequente, falta de entrega de justiça aos cidadãos, tão maltratados pela covid-19.

Mas, se, há algum tempo, havia apenas uma porta, o Judiciário, agora temos um sistema de multiportas que pode, muito bem, resolver o conflito de forma satisfatória para as partes.

Surgem daí, novas ideias que podemos pôr em prática, como, por exemplo, consultoria on-line, utilizando e-mail ou aplicativos como whatsApp; advocacia a distância, forma muito utilizada em cidades populosas; métodos adequados de resolução de conflitos, tais como negociação, conciliação, mediação e arbitragem, que facilitam a vida dos clientes e tornam as demandas mais céleres, trazendo satisfação para as partes.

Ao estabelecermos, para determinadas situações, este novo paradigma negocial, evitaríamos a quebra de relações entre sócios, acionistas e parceiros; a discussão infindável sobre conflito de interesses; a solução demorada pela via judicial e gastos desnecessários.

Nessa esteira, ainda ganharíamos, no mínimo, o estabelecimento de um novo patamar nas relações negociais e a mudança para uma atitude proativa e não-beligerante.

Este é um primeiro passo, outros certamente serão dados em direção ao caminho a ser seguido para a resolução dos conflitos, que busca a superação frente ao excessivo número de ações judiciais que superlotam o Judiciário brasileiro, que resultam em frustração para as partes envolvidas.

*Advogado colaborativo e gestor de conflitos

(1) Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), in blog Justiça & Cidadania, agosto 2020  

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