Setor de carne bovina alerta governo sobre possíveis restrições ambientais europeias

Foto: Lilian Alves/Embrapa

O debate no Reino Unido, na União Europeia e nos Estados Unidos sobre a aprovação de leis que imponham restrições ambientais para compra de produtos agropecuários preocupa o agronegócio brasileiro, especialmente o setor de carne bovina. Em ofício enviado à ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) pede que o governo intensifique as ações, inclusive na Organização Mundial de Comércio (OMC), para tentar reverter essa situação que pode trazer prejuízos ao Brasil.

“A Abrafrigo está solicitando ao governo que intensifique seus esforços nas negociações comerciais e diplomáticas, inclusive na Organização Mundial do Comércio, para demonstrar os equívocos que envolvem as propostas legislativas com restrições ambientais que estão em curso no Reino Unido, União Europeia e Estados Unidos, visando desconstruí-las e salvaguardando os mais elevados interesses comerciais do Brasil”, diz o ofício, encaminhado nessa segunda-feira 14.

Segundo a entidade, que também enviou o documento aos ministros da Economia, Paulo Guedes, das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a iniciativa desses países contra o desmatamento no Brasil “vem causando grande apreensão em diversos setores agroexportadores brasileiros, e em especial no segmento de carne bovina, uma vez que, se aprovada a referida legislação, as empresas compradoras do produto brasileiro passarão a exigir controles e certificações mais rigorosos, elevando inevitavelmente os custos de conformidade e podendo, inclusive, inviabilizar a produção de diversas indústrias e produtores agropecuários”.

Ainda conforme a Abrafrigo, que congrega empresas responsáveis por mais de 50% da produção brasileira de carne bovina, recentemente o governo do Reino Unido abriu consulta pública com o intuito de colher subsídios com vistas à elaboração de uma nova legislação que visa a fiscalizar grandes empresas importadoras de produtos agropecuários quanto a riscos relacionados ao desmatamento florestal.

“Preocupante é o fato de que esse modelo de legislação, proposto pelo Reino Unido, possa ser adotado também por outros importantes parceiros comerciais do Brasil, o que poderá resultar em um efeito dominó que poderá levar a perdas incalculáveis ao agronegócio e ao comércio exterior brasileiro”, afirma a Abrafrigo.

Para a associação, “é necessário ressaltar que o Brasil é possuidor de uma das legislações ambientais mais restritivas e rigorosas do mundo, o que coloca a produção agropecuária brasileira em patamar superior em termos de requisitos ambientais em comparação com nossos principais competidores internacionais.”

 

 

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