Cepea indica alta de 10% no preço do leite ao produtor a ser pago em setembro

Foto: Alcides Okubo Filho/Embrapa

O preço do leite ao produtor captado em agosto, com pagamento em setembro, pode subir cerca de 10%, registrando um novo recorde real. A projeção é do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Pesquisa Aplicada), da Esalq/USP, e foi publicada na edição do Boletim do Leite de setembro.

Segundo o Cepea, o aumento das cotações ao produtor entre março e agosto é um fato sazonal, já que a captação de leite é prejudicada pela baixa disponibilidade de pastagens, em decorrência da diminuição das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste. Mas, neste ano, a situação foi agravada por três fatores principais:

*condições climáticas mais severas, que impactaram a retomada da produção leiteira (com destaque para a estiagem no Sul do país);

*aumento nos custos de produção em relação ao ano anterior (o que tem dificultado os investimentos na produção);

*redução considerável dos estoques de derivados lácteos – o que está atrelado à recuperação do consumo, ancorado nos programas de auxílio emergencial.

“No entanto, o movimento de alta no campo deve perder força nos próximos meses. Isso porque o final da entressafra se aproxima com o início da primavera e com condições climáticas mais favoráveis para a produção leiteira”, destaca o Cepea.

Leia, abaixo, a análise de Natália Grigol, da Equipe Leite do Cepea, sobre o preço do leite em produtor em agosto, a ser pago em setembro:

“Preço ao produtor deve renovar recorde em setembro/20

Desde o início de 2020, o preço do leite no campo apresenta alta acumulada real de 42,5% na “Média Brasil” líquida do Cepea. Esse avanço foi acentuado nos últimos três meses, quando os valores subiram 39,7% e a cotação do leite captado em julho e pago ao produtor em agosto chegou ao recorde de R$ 1,9426/litro na “Média Brasil” líquida (dados deflacionados pelo IPCA de agosto/20). E, segundo pesquisas ainda em andamento do Cepea, a expectativa é de que o preço do leite captado em agosto e pago em setembro possa subir em torno de 10%, estabelecendo, portanto, um novo recorde real.

O aumento das cotações ao produtor entre março e agosto é um fato sazonal, já que a captação de leite é prejudicada pela baixa disponibilidade de pastagens, em decorrência da diminuição das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste. Mas, neste ano, a situação foi agravada, por três fatores principais: pelas condições climáticas mais severas, que impactaram a retomada da produção leiteira (com destaque para a estiagem no Sul do país); pelo aumento nos custos de produção em relação ao ano anterior (o que tem dificultado os investimentos na produção); e pela redução considerável dos estoques de derivados lácteos – o que está atrelado à recuperação do consumo, ancorado nos programas de auxílio emergencial. Há, também, que se destacar que, no primeiro semestre, o volume de importações de lácteos foi enxuto, devido à desvalorização do Real frente a moedas estrangerias – o que contribuiu para a demanda superar a oferta e para a concorrência acirrada das indústrias de laticínios na compra de matéria-prima.

O preço do leite captado em agosto e pago em setembro deve continuar sendo influenciado por esses fatores, à medida que os preços do spot e dos derivados também se elevarem. Entre a primeira e a segunda quinzenas do mês, a pesquisa do Cepea apontou alta acumulada de 15% nos valores do leite spot (comercializado entre indústrias) em Minas Gerais. O preço médio de agosto aumentou 12,2% em relação a julho, com a média a R$ 2,66/litro. A menor oferta de leite e os baixos estoques dos derivados lácteos também impulsionaram os preços médios da muçarela e do leite em pó, que atingiram novos recordes da série histórica do Cepea (ver seção Derivados).

Movimento de alta pode perder força

No entanto, o movimento de alta no campo deve perder força nos próximos meses. Isso porque o final da entressafra se aproxima com o início da primavera e com condições climáticas mais favoráveis para a produção leiteira.

Além disso, a indústria tem aumentado as importações de lácteos, visando diminuir a disputa pela compra de matéria-prima (ver seção Mercado Internacional). Como consequência, o preço médio do leite spot em Minas Gerais na primeira quinzena de setembro se elevou apenas 0,2%. Na segunda quinzena, recuou 5,5%, chegando a R$ 2,61/litro. Além disso, o acompanhamento diário das negociações de derivados durante a primeira quinzena de setembro indicou desaceleração dos preços. Assim, existe uma tendência de estabilidade-queda para o preço do leite captado em setembro e a ser pago em outubro.”

Clique aqui para acessar a íntegra do Boletim do Leite de setembro do Cepea.

 

 

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