Trabalhador da fruticultura está entre os 20% mais pobres do país

O Brasil é hoje o terceiro maior produtor de fruta do mundo, e a região Nordeste se destaca como grande polo desse cultivo no país. As frutas que chegam à mesa de milhões de pessoas no Brasil e no exterior geram cerca de R$ 40 bilhões por ano, mas não garantem salários e condições dignas a grande parte dos trabalhadores e trabalhadoras que estão no campo plantando e colhendo. Não à toa os trabalhadores de frutas estão entre os mais pobres do Brasil. É o que revela o relatório “Frutas Doces, Vidas Amargas”, lançado recentemente pela Oxfam Brasil, organização da sociedade civil brasileira criada em 2014.

Dados do relatório revelam que trabalhadores e as trabalhadoras safristas que atuam nas cadeias de melão, uva e manga no Rio Grande do Norte e perímetro irrigado do Vale do rio São Francisco (Petrolina/Juazeiro) estão entre os 20% mais pobres da população brasileira.

Além disso, conforme o relatório, vivem em constante ameaça de contaminação por agrotóxicos, trabalham muitas vezes sem as condições básicas necessárias e estão presos a um ciclo de pobreza, muitas vezes mal tendo o que comer.

“Nosso relatório revela o sofrimento de muitas famílias e as desigualdades na cadeia de produção e venda das frutas brasileiras, do campo aos supermercados”, afirma Gustavo Ferroni, coordenador de Setor Privado e Direitos Humanos da Oxfam Brasil.

O relatório vem acompanhado de uma campanha para que as grandes redes brasileiras de supermercados – Carrefour, Pão de Açúcar e Big (ex-Wal Mart) – assumam sua responsabilidade pela situação dos trabalhadores nas cadeias de frutas no país.

Na página da campanha é possível assinar uma petição pedindo para que os supermercados liderem mudanças no setor. “Com ela, podemos pressionar para dar mais dignidade à vida das pessoas que trabalham no plantio, colheita e processamento de frutas”, ressalta a Oxfam Brasil.

Supermercados têm poder de negociação na cadeia de frutas

“Esses supermercados têm poder de negociação na cadeia da fruticultura brasileira e, por essa razão, podem exigir de seus fornecedores uma maior transparência em cada etapa da produção dos alimentos que vendem”, afirma Gustavo Ferroni.

Katia Maia, diretora-executiva da Oxfam Brasil, lembra que a fruticultura é em geral celebrada como atividade emblemática do potencial do semiárido brasileiro. Trata-se de uma cadeia de produção moderna do país e geradora de milhares de empregos e, por isso, não é inadmissível que os trabalhadores de frutas estejam entre os mais pobres do país.

“Nosso relatório revela que ainda existem problemas graves que precisam ser enfrentados. As pessoas que estão colhendo as frutas que chegam às nossas mesas têm o direito a ter uma vida digna. E os supermercados têm o dever e a responsabilidade de ajudar a mudar esse preocupante cenário que estamos apontando”, afirma Katia.

A Oxfam Brasil analisou as cadeias de três frutas importantes no Nordeste – melão, uva e manga. “O resultado é que algumas práticas são responsáveis por impedir que muitas pessoas consigam superar a pobreza. Como, por exemplo, a discriminação de renda contra as mulheres no campo, falta de proteção contra agrotóxicos e o trabalho temporário”, pontua o relatório.

“O argumento de que qualquer emprego é melhor que nenhum emprego coloca sobre os trabalhadores o peso de aceitarem qualquer condição de trabalho. Assim, setores econômicos importante podem se sentir menos responsáveis pela situação. Isso não é justo. A cadeia das frutas gera riqueza e é necessário que essa riqueza seja mais bem distribuída”, assinala Katia Maia.

Clique aqui para acessar a íntegra do relatório.

 

AGROemDIA

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