Em busca de novos fornecedores, China vai começar a comprar soja da Tanzânia

A China, o maior importador mundial de soja, está abrindo seu mercado para a Tanzânia, numa tentativa de reduzir sua dependência dos Estados Unidos e do Brasil para o fornecimento da oleaginosa, noticia nesta quinta-feira o jornal South China Morning Post.

Wu Peng, diretor de assuntos africanos do Ministério das Relações Exteriores da China, disse que um acordo foi alcançado na segunda-feira 26 para a Tanzânia começar a exportar soja para o país.

Segundo ele, o acordo faz parte da promessa de Pequim de apoiar as nações africanas, expandindo as importações – especialmente além dos recursos naturais -, feita durante o Fórum de Cooperação China-África em 2018.

“Tanto a China quanto a África podem se beneficiar de laços comerciais mais fortes”, assinalou Wu.

Hoje, informa o jornal, as importações da China da África são dominadas por recursos naturais, como petróleo bruto, cobre, cobalto, minério de ferro e diamantes, que compra para atender às suas necessidades industriais e de manufatura. “Em troca, a África importa maquinário, eletrônicos e bens de consumo manufaturados da China.”

A Tanzânia é a última nação africana a assinar um acordo com Pequim, permitindo as exportações agrícolas para o país, ajudando a reduzir o déficit comercial que tem sido principalmente a favor da China. Outros países africanos com tais negócios incluem Quênia (abacate, chá, café e rosas), Etiópia (café e soja), Namíbia (carne bovina), Botswana (carne bovina e subprodutos), África do Sul (frutas) e Ruanda (café).

Em 2018, a China comprou produtos no valor de US $ 393,92 milhões da Tanzânia – principalmente gergelim, sisal, tabaco e castanhas de caju. Enquanto isso, Pequim exportou bens no valor de US $ 3,59 bilhões para a Tanzânia naquele ano.

Mbelwa Kairuki, embaixador da Tanzânia na China, disse à consultoria Development Reimagined, em uma entrevista no início deste mês, que a China estava em quinto lugar na lista de exportação da Tanzânia e respondia por 3,9 por cento das exportações totais do país.

A China também é o principal comprador de sementes de gergelim da Tanzânia, respondendo por 80% das exportações, disse ele.

“Em 2019, faturamos US$ 164,5 milhões somente com nossas exportações de gergelim para a China”, acescento Kairuki, segundo a publicação.

A embaixada da Tanzânia em Pequim disse que a demanda da China por soja foi estimada em 103 milhões de toneladas por ano – 15 milhões das quais são produzidas localmente e o restante importado.

Mercado para exportação da oleaginosa

“A Tanzânia se junta à lista de países que podem capitalizar no enorme mercado de exportação de soja”, disse a embaixada sobre o novo acordo, enfatizando que se “abrem novas oportunidades para os agricultores tanzanianos encontrarem um mercado confiável para o produto”.

A soja é a principal fonte de proteína para ração animal e óleo comestível na China.

A maioria é proveniente do Brasil, Estados Unidos e Argentina, e na África o único outro fornecedor é a Etiópia, que responde por uma pequena parte das importações. Outros produtores na África incluem África do Sul, Nigéria e Zâmbia.

A China comprou 9,79 milhões de toneladas da oleaginosa em setembro, um aumento de 19% em relação ao ano anterior, mostram dados da alfândega chinesa. Quase três quartos dessas importações foram do Brasil – o maior produtor e exportador de soja –, enquanto os EUA forneceram 12%, de acordo com a S&P Global Platts.

Mas, pontua o jornal, espera-se que a China aumente suas importações de soja dos EUA, como parte de seu compromisso sob a fase um do acordo comercial de comprar pelo menos US $ 200 bilhões a mais em bens e serviços em dois anos.

Mark Bohlund, analista sênior de pesquisa de crédito da REDD Intelligence, disse que havia sinais de que as importações agrícolas africanas para o mercado chinês de países como Quênia e Tanzânia estavam aumentando, mas ainda eram em uma escala muito pequena.

“Acho que se deve em parte ao desejo da China de cortar sua dependência das importações de soja dos Estados Unidos ou do Brasil, embora os níveis de produção na África sejam muito baixos para fazer alguma diferença real”, disse ele.

Tratava-se também de encontrar novos canais para se envolver com os países africanos, além de empréstimos para projetos de infraestrutura no âmbito da Belt and Road Initiative, que levou a problemas de dívida na Zâmbia e em outros países, disse Bohlund.

Charles Robertson, economista-chefe global do Renaissance Capital, um banco de investimento de mercados emergentes e de fronteira, disse que é “boa economia e política” para a China comprar da África.

“Isso ajuda a África a pagar pelas exportações chinesas que compra”, disse ele. “A agricultura africana poderia pelo menos dobrar (talvez quadruplicar) se a produção dos rendimentos aumentasse para os níveis observados no Brasil – e a China será um mercado para esses produtos.”

*Com informações do South China Morning Post

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