O que muda na relação entre o agro brasileiro e os EUA com a eleição de Biden

A eleição de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos – confirmada neste sábado 7 por projeções de agências internacionais de notícias e dos principais veículos da mídia estadunidense, indicando a vitória do democrata sobre o republicano Donald Trump – não deve ter reflexos nas relações comerciais do país com o agronegócio brasileiro. Se houver pressão, ocorrerá na questão ambiental, especialmente por causa dos incêndios na Amazônia e eventual descontrole no plantio de soja na região.

A avaliação é do especialista em negociações internacionais e engenheiro agrônomo Odilson Ribeiro e Silva, ex-secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e ex-adido agrícola do Brasil na União Europeia.

“Os Estados Unidos têm uma burocracia muito bem estabelecida, bem formatada. Então, do ponto de vista de discussões e de negociações, acredito que vamos continuar tendo um bom canal de comunicação, de diálogo”, disse Ribeiro e Silva ao AGROemDIA.

No entanto, ele não descarta a possibilidade de uma maior pressão dos EUA sobre o agro brasileiro em temas ambientais relacionados ao agronegócio. “O protecionismo norte-americano pode tentar pressionar pelo lado do meio ambiente”, assinala.

Odilson Ribeiro e Silva, especialista em negociações internacionais – Foto: Divulgação

O ex-secretário do Mapa não vê, entretanto, espaço para os EUA fazerem qualquer restrição ao agro brasileiro na questão de preservação ambiental. Isto porque, pontua, o Brasil tem uma das legislações mais exigentes do mundo em relação ao meio ambiente.

“A lei brasileira exige, por exemplo, que os produtores rurais preservarem as margens dos rios e mantenham áreas de preservação permanente em suas propriedades”, sublinha. Para ele, os EUA precisariam ter legislação parecida para poder fazer uma cobrança mais forte nesse aspecto.

“Os Estados Unidos não têm muito que exigir do Brasil em temas ambientais, a não ser que eles façam o mesmo”, reforça. Isso não significa, enfatiza, que os EUA não venham a usar as queimadas e o plantio de soja na Amazônia para fazer um discurso ambiental mais forte.

A mudança mais acentuada na relação Brasil-EUA, acrescenta Ribeiro e Silva, pode ocorrer em nível presidencial, tendo em vista a proximidade entre os presidentes Jair Bolsonaro e Trump. “Mas, o diálogo técnico com os EUA deve continuar muito bom, claro e objetivo, como sempre foi.”

AGROemDIA

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Um comentário em “O que muda na relação entre o agro brasileiro e os EUA com a eleição de Biden

  • 7 de novembro de 2020 em 20:17
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    Do que adianta o Brasil ter leis melhores se não ter fiscalização, sendo que nada é feito ou cobrado?! que vergonha dessa comparação e argumentos pequeno demais. Tomara que Biden venha implicar e tentar ajudar o Brasil com seu meio ambiente, porque esta uma vergonha.

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