No Dia Mundial do Solo, Fundação Grupo Boticário faz alerta sobre degradação

Foto: PIxabay License

A data de 5 de dezembro foi instituída pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) como o Dia Mundial do Solo. Um momento para refletirmos sobre uma preocupação crescente diante dos efeitos da degradação das terras, que já chega a 32% no mundo, conforme dados da própria instituição, cujas causas estão diretamente ligadas ao desmatamento, às queimadas e às ações do homem.

O solo é essencial para proporcionar alimentos, conservar a biodiversidade, reduzir o impacto das mudanças climáticas, criar agroenergia, sustentar construções, proteger águas subterrâneas e superficiais, entre outras funções.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que o manejo inadequado do solo reduz em até 8% ao ano o Produto Interno Bruto (PIB) nos países em desenvolvimento. Anualmente, o planeta perde 24 bilhões de toneladas de solo fértil.

“O solo não tem sido adequadamente cuidado”, aponta o coordenador de Negócios e Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Guilherme Karam. “Segundo a ONU, a cada cinco segundos, o mundo perde uma quantidade de solo equivalente a um campo de futebol”, conta.

A conservação do solo também significa menos problemas para as cidades. Ainda segundo Karam, em áreas com solo permeável e de boa qualidade, ocupado pela vegetação natural e por agricultura sustentável, a água fica retida nele e na vegetação e vai sendo disponibilizada gradativamente aos rios e aos lençóis freáticos, fazendo com que períodos longos de seca sejam sentidos de forma mais branda, por exemplo. “Como o solo bem manejado ou ocupado por vegetação natural funciona como uma esponja, retendo a água durante os períodos de chuva, evita também enchentes e alagamentos”, explica.

No Brasil, devido ao uso inadequado, seja pela agricultura convencional ou pela ocupação urbana, muitas áreas estão degradadas, apresentando um solo de menor qualidade, o que amplia a quantidade de sedimentos e poluentes nos corpos hídricos das bacias hidrográficas, criando entraves para o abastecimento de água nas cidades e elevando os custos para o seu tratamento.

Iniciativas-modelo vêm sendo testadas com a proposta de buscar soluções. Uma delas é o movimento Viva Água, idealizado pela Fundação Grupo Boticário e que conta com o envolvimento de diversas instituições, como BTG Pactual, Sanepar, Sebrae e ProAdapta. O objetivo é aumentar a segurança hídrica da Região Metropolitana de Curitiba (PR) por meio da conservação e recuperação de ecossistemas, além da implantação de boas práticas de uso do solo nas atividades agrícolas realizadas por produtores rurais da bacia hidrográfica do Rio Miringuava, localizada no município de São José dos Pinhais (PR).

Uma das ações da iniciativa é recuperar a vegetação nativa em áreas estratégicas em parceria com agricultores da região. Com isso, a vegetação aumenta a resiliência do solo e funciona como uma esponja, que absorve a água da chuva e alimenta os rios gradualmente. Outro aspecto importante é que o solo protegido por vegetação natural ou por boas práticas agrícolas não é levado para os rios, evitando a presença de sedimentos na água e o seu assoreamento. Consequentemente, as estações de tratamento de água gastam menos tempo e recursos para disponibilizar água tratada para o consumo da população. Atualmente, a bacia do Miringuava fornece água a 230 mil pessoas.

A importância dos manguezais

Localizados em regiões tropicais e subtropicais, os manguezais ocupam cerca de 10 mil quilômetros quadrados em regiões litorâneas no Brasil, território que se estende do Amapá a Santa Catarina. Essa vegetação desempenha importante função no processo de fixação do solo, contribuindo de forma significativa para evitar erosão e, ao mesmo tempo, estabiliza a linha de costa. Apesar disso, estima-se que, desde o começo do século 20, cerca de 25% dos manguezais no país tenham sido perdidos.

“Mesmo sendo um bioma com status de Área de Preservação Permanente, continuamos tendo perdas nos manguezais. A degradação desse bioma tem se intensificado devido ao desmatamento, poluição dos rios, esgoto não tratado, derramamento de petróleo e avanço da urbanização irregular. Precisamos de um olhar mais atento para esse ecossistema tão importante”, afirma o membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ronaldo Christofoletti.

Caracterizada como um ecossistema costeiro e de transição entre a água doce e salgada, essa zona úmida também é conhecida como berçário marinho, pois propicia locais de abrigo, alimentação e reprodução de diversas espécies. É um ambiente de fundamental importância para o equilíbrio ambiental.

O que é o solo?

O engenheiro agrônomo Carlos Hugo Rocha, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), explica que o solo é a fina camada que reveste o planeta. Originado das rochas, se forma após séculos de chuva, vento e erosão. Seus diferentes tipos resultam da rocha de origem e dos processos de deterioração que elas sofrem.

 

“Sua composição é 45% de minerais, que é a degradação da rocha; 25% de água; 25% de ar e 5% de matéria orgânica, ou seja, o tecido animal e vegetal morto, acumulado durante séculos e que dá vida ao solo”, explica Rocha, que é professor adjunto da Universidade Estadual de Ponta Grossa, do Paraná.

Além de ser importante para a regulação climática, a produção de alimentos, a filtragem de sedimentos e agrotóxicos e o sequestro de carbono (contido naqueles 5% de matéria orgânica), o solo tem função até na produção de fármacos (como os microrganismos presentes na matéria orgânica, que deram origem à penicilina) e, em especial, na regulação hidrológica.

A meta número 15 da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável estabelece o objetivo de proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra.

 

AGROemDIA

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