Produtores rurais gaúchos reclamam do serviço de distribuidora de energia elétrica

Da redação//AGROemDIA

As contas do rosário de problemas dos produtores rurais gaúchos não indicam apenas preces para superar as dificuldades impostas pela estiagem, pelos altos custos de produção, pela carga tributária elevada e, no caso do setor leiteiro, também pelo desequilíbrio de mercado provocado pelas volumosas importações de lácteos. Elas sinalizam ainda orações pelo fornecimento regular de energia elétrica, cujas frequentes interrupções têm causado prejuízos ao setor agrícola, especialmente o de leite.

Os agricultores reclamam principalmente dos serviços prestados pela RGE, “responsável por distribuir 65% da energia elétrica consumida no Rio Grande do Sul e atender 2,86 milhões de clientes residenciais, industriais e comerciais em 381​ municípios gaúchos”, como informa em seu site. O nível de insatisfação com a RGE na zona rural é tanto que levou o deputado Ronaldo Santini (PTB-RS) a pedir, durante sessão da Câmara Federal, nesta semana, providências em relação à empresa:

“Quero deixar registrada a nossa indignação com péssimo trabalho realizado pela companhia RGE no apoio aos produtores rurais do Rio Grande do Sul. É um absurdo o que essa companhia tem feito, deixando as propriedades rurais até dois dias sem energia.”

O parlamentar prosseguiu: “Não conheço um produtor que esteja satisfeito com o serviço dessa empresa. Temos propriedades rurais no distrito de São Joaquim, no interior de Lagoa Vermelha, com dois dias sem energia.” Segundo ele, a falta de atenção da RGE tem causado prejuízos aos pequenos produtores, especialmente os de leite.

“Aneel precisa agir logo”

Santini cobrou providências da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para melhorar a qualidade dos serviços prestados pela RGE. “A Aneel não pode ser conivente com essa vergonha. Precisa agir logo para resolver a situação.”

Agricultores de várias partes do estado reforçam as queixas do parlamentar. Entre eles, os integrantes do Movimento Construindo Leite Brasil. Produtora no município de São Jorge, no nordeste do RS, Soeli Lopes Zampieri contou ao AGROemDIA um pouco de que tem padecido com o serviço prestado da RGE:

“Aqui, em São Jorge, falta muita energia, seguidamente. Quando começam os primeiros pingos de chuva, já falta energia. A última vez foi na quarta-feira [2]. Era mais ou menos nove horas da noite quando faltou energia. Só voltou na quinta-feira [3], depois das 10 horas da manhã. Ficamos mais de 12 horas sem energia.”

As frequentes interrupções no fornecimento de energia causam insegurança, disse Soeli.  “Isso é complicado para nós, que trabalhamos com leite. O nosso gerador permite fazer a ordenha, mas a gente nunca sabe se vai dar pane. Infelizmente, não temos condições de ter um gerador maior, que possibilite tocar todas as atividades.”

As quedas de energia também aumentam os custos, enfatizou a produtora. O acionamento do gerador, assinalou, representa gastos com combustível.  “É só prejuízo. A RGE nunca desconta isso e, muitas vezes, nem atende nossas ligações, mas está sempre cobrando. Já ficamos mais de 40 horas sem energia.”

Produtora rural Soeli Lopes Zampieri, do município de São Jorge (RS) – Foto: Arquivo pessoal

“Descaso com consumidores”

Para ela, “é um descaso o que a RGE faz com seus consumidores. Deveriam fazer a manutenção dos postes para que não aconteça isso quando chove. O tempo é imprevisível, mas se a RGE cuidasse, ia ser melhor para todo mundo. Aqui, tem um poste podre, quase caindo no meio da lavoura, perto de casa. Já falamos para arrumar, mas ainda não vieram.”

Soeli apontou ainda outro problema provocado pelas constantes quedas de energia: o estresse nos animais. “O barulho do gerador deixa as vacas estressadas.”

“Aqui em Júlio de Castilhos, tem sido frequente [a queda de energia] e demoram muito para restabelecer [o serviço]. Terminou a luz na quarta [2] e só chegou há 10 minutos”, relatou um produtor, na sexta-feira 4, no grupo de WhatsApp do Movimento Construindo Leite Brasil. “Não temos para quem reclamar. O 0800 é em São Paulo.”

Perda de 80 mil litros de leite

“Em Livramento [fronteira oeste do RS] é a mesma coisa. “Se [o tempo se] arma para chover e cai [água], só no gerador [para trabalhar]”, acrescentou o produtor de leite Roberto de La Rosa. “Aqui em Cacequi, na minha propriedade, toda hora a chave cai e tem que ligar para várias vezes para a RGE, se não eles não arrumam”, emendou o produtor Abel Minello.

Um dos coordenadores Construindo Leite Brasil, o produtor Rafael Hermann, do município de Boa Vista do Cadeado, revelou que também já passou maus momentos por causa da RGE. “Há tempos, perdi mais de 80 mil litros de leite e cheguei a ficar até quatro dias sem energia elétrica.”

O AGROemDIA enviou pedido de informações sobre a situação à RGE, mas ainda não obteve retorno.

Leia também: Caixa intensifica atuação no crédito rural no Plano Safra 2020/2021 (clique aqui e aqui)

 

AGROemDIA

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