Sempre aos domingos: O enganado Lamartine Babo e a Serra da Boa Esperança

Foto: Reprodução

Tito Mattos//AGROemDIA

Foi em 1932/1933 que Lamartine Babo chegou ao auge de seu prestígio com dois sucessos: “O teu cabelo não    nega” e “Linda morena”. Apelidado de Lalá, muito feio, era seu costume não responder as cartas dos fãs. Um certo dia, porém, ele recebeu uma linda carta de Nair Oliveira Pimenta, da cidade de Dores da Boa Esperança, interior de Minas. O solteirão Lalá não só se encantou como apaixonou pela moça. A troca de cartas entre os dois rolou por muito tempo até que um dia Nair decidiu interromper aquela “paixão” correspondida. Na verdade, Nair nunca existiu. Foi uma artimanha de dr. Carlos Alves Neto (dentista), apelidado de Caro, um festeiro compositor da cidade que tocava vários instrumentos.

Ainda não refeito com o fim daquele romance, Lamartine recebe um convite: seria inaugurada em Dores um conjunto de jazz “Os Tangarás” e o chamaram para assistir ao evento como personalidade de honra. Mesmo odiando jazz, ele aceitou o convite. E lá se foi na esperança de se encontrar com Nair e restar aquele “namoro.”

Caro ainda tentou convencer uma das moças da cidade a se passar por Nair. Nenhuma delas aceitou, nem mesmo suas lindas irmãs, pois achavam Lalá muito feio.

Durante o evento, uma jovem lhe confidenciou que Nair era Caro. O compositor reagiu com elegância, apesar da decepação.

Relata o jornalista Gonçalo Júnior, na biografia de Rubem Alves, que os dois mantiveram uma longa amizade, e chegaram a compor a marchinha Vaca Amarela, gravada em 1938, em dueto de Lamartine com Araci de Almeida.

Para a sua despedida de Dores, os amigos ofereceram a ele um piquenique. E foi desse lugar que o compositor se deslumbrou e se inspirou com a paisagem da Serra da Boa Esperança e, dali, nasceram lindos versos. Uma das mais lindas canções – valsa, gravada em 1937 pelo consagrado cantor Francisco Alves – tornou-se um dos maiores sucessos de sua carreira artística.

 

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