2020, o ano em que a voz do produtor de leite chegou direto ao centro do poder

Foto: Ana Volpe/Senado – Montagem: AGROemDIA

Da redação//AGROemDIA

2020 ficará conhecido, no setor rural, como o ano em que a voz do produtor brasileiro de leite chegou direto ao núcleo do poder político do país. Mesmo em meio às restrições impostas pela pandemia de covid-19, representantes da base produtora leiteira conseguiram se encontrar com o presidente Jair Bolsonaro, durante sua viagem a Bagé (RS), para lhe entregar uma carta com as suas reivindicações, e, mais recentemente, ter uma reunião virtual com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para debater propostas para resolver os problemas enfrentados pela cadeia.

Os dois encontros simbolizam, para a base produtora leiteira, o resultado de uma luta iniciada no final de 2018, quando os produtores intensificaram a mobilização nas redes sociais, por meio de grupos como Construindo Leite Brasil, Inconfidência Leiteira, Aliança e Ação e União e Ação, para discutir a realidade da cadeia e propor alternativas para superar as dificuldades, principalmente às relacionadas à falta de previsibilidade no pagamento do produto entregue aos laticínios, aos custos de produção, à alta carga tributária e às elevadas importações de lácteos.

Embora não ignore a atuação das entidades representativas do setor leiteiro e da agropecuária como um todo, a base produtora entende que ela tinha melhores condições de expressar alguns dos seus principais problemas, apresentando não só os prejuízos econômicos e financeiros, mas também as consequências sociais, como o abandono crescente da atividade leiteira e o aumente do êxodo rural. Por conviverem dia a dia com tais adversidades, os produtores avaliam ainda que a busca de soluções deve, necessariamente, passar por eles.

Assim, a base produtora resolveu usar as redes sociais e os grupos de aplicativos de mensagens para construir um caminho que a levasse a uma interlocução direta com o governo federal. Contribuiu para isso a própria estratégia do governo Bolsonaro de se comunicar com a população via Facebook, YouTube, Twitter e WhatsApp, entre outros meios eletrônicos, e o apoio de parlamentares identificados com o setor, como os deputados federais Ronaldo Santini (PTB-RS) e Aline Sleutjes (PSL-PR).

Políticas públicas

Na avaliação de representantes dos movimentos da base produtora leiteira, como os produtores Awilson Viana, Leonel Fonseca, Joel Dalcin, Marco Sérgio Batista Xavier e Rafael Hermann, os encontros com Bolsonaro e Tereza Cristina marcam o início de um processo de diálogo para construção de políticas públicas que venham a eliminar os gargalos enfrentados pelo setor e contribuam para torná-lo mais competitivo.

“Tivemos neste ano avanços no setor leiteiro nunca vistos antes no Brasil. A base produtora se inseriu direto no centro do poder. Então, hoje há um diálogo quase que direto com a ministra [Tereza Cristina] e com mais alguns membros do primeiro escalão do governo, o que é fantástico, porque nunca a base produtora tinha conseguido isso”, destaca Leonel Fonseca.

Rafael Hermann acrescenta: “Neste ano, continuamos trabalhando para buscar soluções e diálogo com o governo e associações, federações e demais entidades.  Conseguimos também apresentar o Construindo Leite Brasil ao presidente da República, em Bagé, quando entregamos a pauta nacional de reivindicações do setor. Além disso, fomos ouvidos pela ministra Tereza Cristina e participamos de inúmeras audiências e do Fórum Nacional da Cadeia Produtiva do Leite.”

De acordo com Rafael Hermann, o Construindo Leite e os demais movimentos aproveitaram essas oportunidades para fazer um raio-x da situação do produtor, visando   buscar maior equilíbrio entre todos os elos da cadeia láctea. O objetivo, reforçou, é a construção de Plano Nacional de Desenvolvimento para a Cadeia Láctea Brasileira para torná-la ainda mais competitiva, a fim de garantir alguns benefícios ao elo produtor.

AGROemDIA

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