Exportação de soja do Brasil deve cair mais de 75% em janeiro, diz agência marítima

Foto: Ivan Bueno/APPA

Da Reuters

Os embarques de soja do Brasil devem cair mais de 75% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano passado, para cerca de 300 mil toneladas, diante de uma baixa oferta após fortes exportações em 2020 e um atraso na colheita da temporada 2020/21, de acordo com dados da programação de navios (line-up) da agência marítima Cargonave.

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Apesar de o volume mensal ser um dos mais baixos da história pelo maior produtor e exportador global de soja, ainda superaria as 270 mil toneladas registradas em dezembro, quando os estoques baixos já haviam exercido importante influência nas vendas externas brasileiras.

Mas a programação de navios nos portos brasileiros, que aponta para aproximadamente 290 mil toneladas em janeiro, confirma volumes muito abaixo dos normais, que somam vários milhões de toneladas ao mês quando a colheita da safra tem bom ritmo ou está toda finalizada.

Na mesma época do ano passado, o line-up indicava embarques de pouco mais de 1 milhão de toneladas, enquanto as exportações efetivas em janeiro de 2020 atingiram cerca de 1,4 milhão –à medida que o mês avança, novos navios podem entrar na programação.

“Talvez feche (janeiro) com umas 300 mil toneladas, muito provavelmente, mas vão ser volumes muito baixos. Não temos estoques, estão praticamente exauridos. O que tem a indústria vai pegar, os preços do farelo de soja subiram, a rentabilidade está interessante para esmagar”, disse o analista da consultoria IHS Markit Aedson Pereira.

Segundo ele, à medida que a colheita vai atrasar neste ano após um plantio lento devido a falta de chuvas satisfatórias, “haverá um deslocamento da exportação para fevereiro”, quando só então a colheita estará mais volumosa –até o momento apenas poucos produtores iniciaram os trabalhos.

“Vai ter o atraso natural em função do atraso no plantio e consequentes problemas acarretados com o desenvolvimento da lavoura”, completou ele, lembrando que o Brasil lida com os menores estoques de passagem da história.

O atraso na chegada da safra de soja do Brasil, devido aos problemas do plantio, já havia sido apontado em reportagem da Reuters no início de outubro.

Mas, diante de problemas como greves e seca na Argentina, a demora para a chegada mais volumosa da safra brasileira tem potencial de sustentar os preços na bolsa de Chicago, uma vez que a demanda está toda voltada para a oleaginosa norte-americana.

Nesta quarta-feira, um alto executivo da Cargill disse que o mercado global de soja está em “modo racionamento”, ao comentar as recentes máximas de mais de seis anos vistas na bolsa dos EUA.

Em 2020, o Brasil fechou o ano com exportações de soja de 83 milhões de toneladas, apenas 200 mil abaixo das verificadas no recorde histórico de 2018, contando com a firme demanda da China.

Milho firme

Se as exportações brasileiras de soja serão baixas, as de milho apontam para um crescimento ante janeiro de 2020, de acordo com os dados da Cargonave, apesar de problemas de seca verificados na primeira safra do cereal no Brasil.

A programação de navios indica, até o momento, embarques de 2,1 milhões de toneladas em janeiro, quase o dobro do line-up visto na mesma época do ano passado para o mês. O volume agendado, contudo, deve crescer.

“Vai exportar de 2,5 milhões a 3 milhões, vai sair um volume bom, mas não vai ser o volume que já exportamos (anteriormente), até porque as exportações de milho podem estar limitadas em função da escassez no mercado interno”, afirmou Pereira.

Ele lembrou também que os problemas na Argentina, que incluem uma anunciada paralisação de vendas por produtores em protesto contra suspensão das exportações pelo governo, trazem sustentação aos preços.

Procurado, o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, afirmou que a entidade “acredita que a Argentina saberá contornar essa situação” e que o “Brasil jamais iria se prevalecer deste tipo de situação para alterar as suas expectativas de exportações”.

As exportações brasileiras efetivas em janeiro de 2020 atingiram 2,1 milhões de toneladas de milho, segundo dados do governo.

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