Preço do leite ao produtor em janeiro cai 4,3%; custo de produção sobe 3,29%

Foto: Alcides Okubo Filho/Embrapa

Da redação//AGROemDIA

O cenário para a pecuária leiteira neste início de ano é pouco animador, como mostram os dados do Boletim do Leite de Fevereiro do Cepea/Esalq/USP, divulgado nesta sexta-feira 19. De acordo com a publicação, o preço do leite ao produtor caiu em janeiro, enquanto os custos de produção subiram, pressionados principalmente pelo concentrado.

Segundo a publicação, o preço do leite captado em dezembro de 2020 e pago aos produtores em janeiro de 2021 registou queda de 4,3% na “Média Brasil” líquida, chegando a R$ 2,0344/litro. A tendência, assinala o centro de estudos, é que o recuo nas cotações persista nos próximos meses.

Paralelamente, informa o boletim, os custos de produção seguem em alta. Em janeiro, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira subiu 3,29% na “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), bem acima da alta verificada no mesmo mês de 2020, que havia sido de 1,62%.

Leia, abaixo, as análises da Equipe Leite do Cepea:

Demanda retraída por lácteos pressiona cotações no campo

Natália Grigol e Juliana Santos/Cepea

O preço do leite captado em dezembro de 2020 e pago aos produtores em janeiro de 2021 registou queda de 4,3% na “Média Brasil” líquida, chegando a R$ 2,0344/litro. E pesquisas ainda em andamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, apontam que a essa tendência de queda deve permanecer nos próximos meses. A expectativa é de que o leite captado em janeiro e pago ao produtor em fevereiro registre recuo médio de cerca de cinco centavos por litro.

A desvalorização do leite no campo se deve ao enfraquecimento da demanda por lácteos, dado o contexto de diminuição do poder de compra do brasileiro, do fim do auxílio emergencial para muitas famílias, do recente agravamento dos casos de covid-19 e da elevação do desemprego.

Colaboradores consultados pelo Cepea informaram que, diante da instabilidade do consumo, há um esforço das indústrias em ajustar a produção para manter os estoques controlados, de modo a evitar quedas mais bruscas de preços, tanto para os derivados quanto para o produtor.

No entanto, o nível de estoques vem crescendo, e, desde dezembro de 2020, observa-se a intensificação da pressão exercida pelos canais de distribuição junto às indústrias para obter preços mais baixos nas negociações de derivados.

Pesquisas do Cepea, com apoio financeiro da OCB, mostram que, na média de janeiro, os preços do leite UHT e do queijo muçarela negociados no atacado do estado de São Paulo caíram 6,8% e 8,9%, respectivamente, enquanto os do leite em pó se mantiveram praticamente estáveis. As negociações de leite spot em Minas Gerais também recuaram, 12,3% na média mensal de janeiro. A tendência de queda continuou em fevereiro para os derivados (ver seção Derivados na página 5). No caso do spot, a média mensal recuou 0,7%. Esses resultados devem influenciar negativamente a precificação do leite captado em fevereiro e pago ao produtor em março.

Apesar de haver uma perspectiva de queda nos preços do leite no campo para fevereiro e março, espera-se que a média neste primeiro trimestre de 2021 ultrapasse a verificada no mesmo período de 2020 (quando a média foi de R$ 1,4655/litro, em termos reais – os valores foram deflacionados pelo IPCA de dezembro/20).

No entanto, é importante pontuar que preço não é sinônimo de rentabilidade. Mesmo que os valores do leite estejam em patamares considerados altos para o período do ano, a valorização considerável e contínua dos grãos (principais componentes dos custos de produção da pecuária leiteira) tem comprometido a margem do produtor e limitado o potencial de crescimento da atividade.

Pesquisas do Cepea mostram que o pecuarista precisou de, em média, 41,2 litros de leite para a aquisição de uma saca de 60 kg de milho, 16,3% a mais que em dezembro/20.

Ano se inicia com alta nos custos

Rodolfo Jordão/Cepea

O Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira iniciou 2021 em elevação. Em janeiro, o COE subiu 3,29% na “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), bem acima da alta verificada no mesmo mês de 2020, que havia sido de 1,62%. Assim como observado ao longo do ano passado, o item que mais influenciou o avanço nos custos em janeiro foi o concentrado, que se subiu 4,09%, devido aos aumentos nos preços dos grãos.

No caso da soja, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa avançou fortes 10,04% de dezembro/20 para janeiro/21. Quanto ao milho, o Indicador ESALQ/ BM&FBovespa teve expressiva alta de 11,04% na mesma comparação. Os estados que tiveram as maiores elevações nos custos de concentrado foram Minas Gerais (6,93%) e Paraná (3,64%).

Além disso, a valorização da suplementação mineral – de 3,64% na “média Brasil” – também se refletiu sobre os custos em janeiro. Esse cenário se deu diante do avanço do dólar em relação ao Real, de 4,28% de dezembro/20 para janeiro/21. Minas Gerais e Paraná foram os estados onde os valores da suplementação mineral subiram com mais força, 5,51% e 4,8% respectivamente.

Relação de troca

Diante da redução de 4,32% no preço do leite em janeiro (“média Brasil”) e da elevação nos valores do milho no mesmo período, a relação de troca ficou desfavorável ao produtor. Esse cenário é verificado após um final de ano de melhora no poder de compra. Assim, em janeiro, foram necessários 41,12 litros de leite para a compra de uma saca de milho de 60 kg, contra 35,43 litros de leite em dezembro. Trata-se, também, do momento mais desfavorável ao pecuarista leiteiro desde maio de 2016, quando foram precisos 44,49 litros de leite para realizar a mesma troca.

 

 

 

AGROemDIA

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