Custos de produção e retração de mercado preocupam indústria de proteína animal

José Antônio Ribas Júnior: Agroindústria enfrentará muitos desafios em 2021 – Foto: Divulgação

Depois do excelente desempenho em 2020, as duas principais cadeias produtivas da indústria da proteína animal em Santa Catarina – a avicultura e a suinocultura – enfrentarão um ano de dificuldades em razão da brutal elevação de custos, da queda de consumo no mercado nacional e do aumento da competição no mercado mundial, avalia o presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav) e diretor do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne), José Antônio Ribas Júnior. A agroindústria catarinense, enfatiza, terá muitos desafios em 2021.

Uma das principais preocupações de Ribas é com o preço dos insumos – milho e farelo de soja – para a nutrição animal. A saca (60 kg) de milho está cotada atualmente em mais de R$ 85,00, o que representa alta de 61% em relação a fevereiro do ano passado. Aumento maior, observa, sofreu a tonelada de farelo de soja, comercializada hoje em R$ 2.750,00, 113% mais cara que há 12 meses. “Além disso, o cenário 2022 aponta para a manutenção elevação de preço e escassez de produto.”

De acordo com o presidente da Acav, esse encarecimento anula todos os ganhos dos suinocultores e avicultores, ao mesmo tempo em que afeta ou até inviabiliza a produção industrial. “Muitos frigoríficos de pequeno porte não conseguirão manter suas operações com os grãos nesses níveis de preços.”

Outro item da planilha de custos que afeta as operações nas granjas e nas fábricas é a energia elétrica, que subiu 70% nos últimos 10 anos, sublinha Ribas. “A média de alta prevista para 2021 é de 14,5%.”

Ribas cita ainda os aumentos nos custos de construção e ou de melhorias nas granjas de produção de aves e suínos.  Itens como aço, ferro e demais componentes sofreram reajustes elevados nos últimos meses, pontua. Isso, acrescenta, afeta de imediato os projetos em andamento e compromete as melhorias tecnológicas da produção.

Segundo ele, uma elevação sem precedentes de custos vai impactar a cadeia produtiva e derrubar as otimistas previsões da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que espera alta de 5,5% na produção nacional de carne de frango, chegando a 14,5 milhões de toneladas, e de 4,4% no consumo per capita, alcançando 47 kg/habitante/ano.

O dirigente da Acav diz que há muitas variáveis imprevisíveis que interferirão no mercado da carne neste ano. Entre elas, as oscilações cambiais que afetam os preços finais; a manutenção da demanda da China por carnes brasileiras que mantêm aquecido o setor; as reformas estruturais necessárias para restituir a confiança no Brasil dos investidores internacionais e a retomada do crescimento econômico. “Outro fator é a queda de consumo no mercado doméstico em razão do alto desemprego e do fim do auxílio emergencial.”

Porém, para o dirigente da ACAV e Sindicarne, “o desmedido aumento dos custos dos grãos tem efeito mais devastador porque atinge a base da cadeia produtiva”. Por isso, observa, as indústrias de abate e processamento de aves e suínos estão preocupadas com as maciças exportações de milho e soja, matéria-prima que pode faltar para o abastecimento interno.

Ações

Ribas expôs que há dificuldade em repassar esses custos, o que pode provocar redução de produção e afetar os preços ao consumidor. Sugere, para o enfrentamento desse cenário, ações imediatas, em curto prazo, e estruturantes em médio e longo prazos.

“Não podemos ficar expostos a esta situação. As iniciativas de importação e aumento da produção de cereais de inverno – especialmente nos estados do Sul – ajudarão, mas não serão suficientes sob a ótica de custos. Em longo prazo, precisamos ações estruturantes de logística de grãos para as regiões de produção de proteína, e o setor operar de maneira efetiva no mercado futuro. Há outras ações sendo tratadas junto ao governo federal. Todos estão sensibilizados para buscar alternativas para este cenário.”

O setor de aves e suínos cumpre seu papel de manter a produção de alimentos, gerar empregos e cuidar das pessoas, destaca Ribas. “Entretanto, é preciso atenção, pois a conta de diversas situações alheias a sua atuação acaba sendo paga por este.  É necessário e urgente um olhar do poder público, sob pena de desabastecimento e problemas de descontinuidade em granjas e empresas, com reflexos para o consumidor.”

 

 

 

 

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