Poema “Ancestralidade na alma”, de Cristiane Sobral, por Vera Lopes (vídeo)
Com a intenção de transitar com a poesia em diferentes linguagens, a atriz gaúcha Vera Lopes inicia, neste momento de pandemia, o seu novo processo criativo e investigativo com a obra da escritora e poeta carioca Cristiane Sobral. A partir do poema “Ancestralidade na alma”, Vera Lopes busca percorrer um caminho com novas estéticas para falar, interpretar e filmar, valorizando assim a palavra e o conteúdo.
Ficha técnica
Direção: Jessé Oliveira
Interpretação: Vera Lopes
Edição: Engels Miranda
Ancestralidade na alma
Cristiane Sobral
Eu não olho para o chão
Minha alma não está nos meus pés
Não sou bicho de estimação
Meus dentes brancos não desperdiçam risos fúteis
Meus quadris largos não servem apenas para gingar
Meus seios fartos talvez não sejam destinados a amamentar
Eu não olho para o chão
Minha alma não está nos meus pés
Não sou bicho de estimação
Não sou animadora de festa
Nem carrego tudo e todos nas costas
Não sou o anjo negro consolador…
Eu não olho para o chão
Minha alma não está nos meus pés
Não sou bicho de estimação.
Escrevo palavras negras
Tatuando a ancestralidade na alma
Para refletir a nossa luz.

