Custos de produção do pecuarista de leite com concentrado sobem 6,23% no 1º bimestre, diz Cepea

Foto: Embrapa/Divulgação

Os produtores de leite devem ter em 2021 um ano mais desafiador do que em 2020, pressionados principalmente pelos custos de produção, alerta o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em boletim divulgado nesta quinta-feira (1º). Nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, os custos de produção com concentrados subiram 6,23%, de acordo com dados do Projeto Campo Futuro, uma iniciativa da CNA/Senar, informa o Cepea. Nesse período, a receita do pecuarista leiteiro caiu 4,3%.

“No primeiro bimestre de 2021, enquanto gastos com os principais itens que compõem os custos da atividade leiteira continuam subindo, os valores pagos pelo leite ao produtor registraram queda intensa”, pontua o Cepea.

Segundo o Cepea, a pressão sobre os custos vem especialmente dos grãos. “O peso dos alimentos concentrados (a ração é composta basicamente por milho e farelo de soja) está aumentando ainda mais sobre o bolso de pecuaristas, o que certamente resulta em achatamento das margens da atividade.”

Considerando-se a “Média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), assinala o Cepea, os custos com o concentrado subiram 6,23% no primeiro bimestre de 2021, segundo dados do Projeto Campo Futuro.

“No mesmo período, a receita, por outro lado, registrou retração de 4,3%, também tomando- -se como base a “Média Brasil”. Esse contexto desfavoreceu a relação de troca ao pecuarista.”

Leia, abaixo, a análise do Cepea sobre os custos de produção do setor leiteiro em janeiro e fevereiro:

“1º bimestre de 2021 já deixa evidente que ano exigirá cautela de produtores leiteiros

O ano de 2020 foi marcado por adversidades dentro e fora do campo. A chegada da pandemia de coronavírus alterou de forma brusca o comportamento do consumidor e, do lado da oferta, o clima prejudicou a atividade em muitas regiões. Além disso, o dólar alto encareceu insumos importados e elevou os preços do farelo de soja e do milho, à medida que a valorização da moeda norte-americana favoreceu as exportações desses produtos. Apesar disso, os preços do leite subiram com força em 2020, atingindo recordes e aliviando a margem de produtores na maior parte do ano.

Já no primeiro bimestre de 2021, enquanto gastos com os principais itens que compõem os custos da atividade leiteira continuam subindo, os valores pagos pelo leite ao produtor registraram queda intensa. Isso evidencia que o ano de 2021 deve ser ainda mais desafiador, o que exigirá muita cautela do produtor.

E a pressão sobre os custos vem especialmente dos grãos. Assim, o peso dos alimentos concentrados (a ração, que é composta basicamente por milho e farelo de soja) vem aumentando ainda mais sobre o bolso de pecuaristas, o que certamente resulta em achatamento das margens da atividade.

Considerando-se a “Média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), os custos com o concentrado subiram 6,23% no primeiro bimestre de 2021, segundo dados do Projeto Campo Futuro.

No mesmo período, a receita, por outro lado, registrou retração de 4,3%, também tomando- -se como base a “Média Brasil”. Esse contexto desfavoreceu a relação de troca ao pecuarista.

Dados de desembolsos com os concentrados em relação à receita do leite para propriedades modais de produção semiextensivas do Projeto Campo Futuro mostram como aumentou o peso desses insumos sobre o custo de produção frente a anos anteriores.

Nos estados de São Paulo e do Paraná, a média do desembolso com a ração representou 41% da receita do primeiro bimestre, contra 31% no mesmo período do ano passado. Para Minas Gerais e Santa Catarina, em média, 39% da receita vinda com a venda do leite esteve comprometida com a aquisição dos concentrados e, no Rio Grande do Sul e Goiás, cerca de 35% da receita foi destinada à compra de alimentação.

É importante lembrar que a ração é o insumo diretamente ligado ao desempenho produtivo dos animais e, consequentemente, à receita da atividade. Portanto, são necessários critérios técnicos e econômicos muito bem fundamentados para adotar alguma alteração na dieta diante da elevação de custos. Dado que o insumo é indispensável para a eficiência do sistema, a opção de redução arbitrária do fornecimento de ração para os animais em produção pode gerar uma degradação maior ainda nas margens do negócio.

O produtor deve fazer sua análise baseada nos dados de desempenho individual e na curva de lactação dos seus animais em produção, para, então, chegar a uma análise de equilíbrio entre custo individual com a ração e receita gerada por cada animal. A separação correta dos lotes dos animais permite a racionalização do uso do insumo e torna mais fácil essa percepção.

Em sistemas em que não há essa separação dos animais, pode ocorrer um desequilíbrio entre a oferta de concentrado e as demandas dos animais, resultando em desperdícios e prejuízos. O intuito dessas medidas é justamente potencializar a produtividade individual das vacas e, assim, aumentar a eficiência do sistema e a diluição dos custos fixos.

Os meses de fevereiro e março marcam a colheita das lavouras de milho destinadas à produção de silagem. Dependendo da região produtora, o aumento no custo de produção de silagem esteve entre de 15% a 20% da safra 2019/20 para a 2020/21. Entretanto, mesmo com um custo maior, uma silagem de boa qualidade nutricional e bem conservada pode auxiliar na redução da necessidade do volume de concentrados nas dietas.

O ano de 2021 deve permanecer com os custos de produção elevados. Fatores como câmbio, exportações dos grãos e incertezas climáticas para a segunda safra de milho devem ditar os mercados dos principais insumos nos próximos meses. Aos produtores, no campo, cabe o acompanhamento sistemático dos mercados e, principalmente, o uso eficaz de ferramentas de gestão de seus custos de produção.”

 

AGROemDIA

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