As agritechs e os fundos de venture capital

Pompeo Scola, CEO e Founder da Cyklo Agritech – Foto: Divulgação

Por Pompeo Scola

CEO e Founder da Cyklo Agritech, instalada no Matopiba, com sede em Luis Eduardo Magalhães/BA

Mesmo sendo o AGRO a grande oportunidade de crescimento do Brasil, quando olhamos para o volume de investimentos que os fundos de venture capital vêm realizando nesta área, vamos perceber que a parcela do valor e números de DEALS (quantidade de investimentos feitos) em STARTUPs do AGRO ainda é pouco expressiva comparado com o volume total de recursos aplicados, principalmente na etapa relacionada à SÉRIE A e PRÉ SÉRIE A (após aceleração e quando a STARTUP mais precisa de alavancagem…).

Uma das causas relevantes é a diversidade e abrangência das TESES e a verticalidade técnica dos projetos (biotecnologia, sensoriamento, espectro de ondas eletromagnéticas, micronutrientes e por aí em diante…).  São assuntos complexos e de profundidade técnica que podem aumentar o grau de dificuldade no processo de avaliação do DEAL para os executivos dos FUNDOS DE VC…

Portanto, fica difícil decidir pelo investimento, principalmente na fase em que não há faturamento, ou o faturamento não é expressivo e são apenas poucos clientes… é difícil assinar embaixo.

Como tendência, acreditamos na especialização dos ATORES de investimento EARLY STAGE e dos programas de ACELERAÇÃO (construindo condições especiais e verticalidade de conhecimento nos ECOSSISTEMAS de desenvolvimento das STARTUPs ).

Exemplos não faltam: SP VENTURES, que verticalizou sua carteira de investidas no AGROBUSINESS; o BOSSA NOVA, que recentemente lançou O BOSSA NOVA AGRO; Clube de Investimentos no AGRONEGÓCIO como a AGROVEN, que já agrega mais de uma centena de investidores com verticalidade de conhecimento.  Aparelhos de ACELERAÇÃO como a CYKLO (MATOPIBA) e a ORCHESTRA (GO), que já nasceram focados no AGRO…, entre tantos que vêm surgindo nos últimos 2 anos.

Outra questão relevante é que o ambiente onde podem florescer as INOVAÇÕES para o AGRO necessariamente passa pelo CAMPO. Os programas de aceleração neste caso são OBRIGATÓRIAMENTE PRESENCIAIS, pois é preciso VER e SENTIR de perto as condições operacionais e técnicas do cenário para desenhar soluções inteligentes e aplicáveis (viáveis).

Assim, prevemos a consolidação de núcleos geográficos especializados pelo Brasil afora (como acontece hoje no MATOPIBA), onde surgem ECOSSISTEMAS em fase de maior Maturidade.

Nestas regiões, vamos encontrar:

  • Grandes Produtores dispostos a testar as soluções
  • Consultorias de Inteligência Agronômica
  • Fabricantes de Insumos
  • Revendas e Distribuidores
  • Operadores Logísticos
  • Centros de Pesquisa Verticalizados
  • Universidades com cursos direcionados ao AGRO
  • Aceleradoras e Incubadoras de Startups e Projetos
  • Grandes Empresas relacionadas à cadeia de negócio
  • Poder público (municipal, estadual e federal) ativo
  • Agentes de fomento e programas dirigidos à inovação
  • Clientes Anjo e Investidores Anjo (produtores locais)

O VALE DO SILÍCIO DO AGRO É O CAMPO!

Com a adequada articulação destes ecossistemas, as STARTUPs EARLY STAGE têm mais chance de sobreviver ao VALE DA MORTE (fase pós aceleração onde o capital dos fundos acaba por suportar a necessidade de recursos financeiros). Hoje, o PRÓPRIO CAMPO antecipa as receitas desta fase através de aporte anjo dos empresários do agronegócio em rodadas de investimento mais pontuais para a startup e também dos PRODUTORES RURAIS que se constituem em CLIENTES ANJO).

Aliás, quando se trata de agricultura, o Brasil não é apenas seguidor de tendências, ele cria tendências no mercado agrícola!

A Cyklo Agritech, instalada no município do oeste baiano de Luís Eduardo Magalhães, no Matopiba, por exemplo, não desenvolve as startups necessariamente nos moldes tradicionais em que o ecossistema gosta de ver, por acreditar que o projeto é, em geral, mais importante do que esse formato que o mercado tradicionalmente utiliza para validar a STARTUP.

Se o projeto for bom e a equipe competente, a Cyklo investe, por entender que se a inovação for gerar faturamento já no ano de sua aceleração, a startup  termina esse período com clientes pagantes no Matopiba. Foi o que aconteceu na primeira safra da Cyklo: as startups aceleradas em 2020 já têm clientes e devem faturar, juntas, R$ 5 milhões de reais em 2021.  Esse resultado decorre do fato de que as soluções criadas foram ao encontro do produtor rural, atendendo suas necessidades e fazendo com que fossem imediatamente absorvidas pelo ecossistema.

Isso faz com que os recursos do fundo de série A não sejam tão imprescindíveis para a startup iniciar sua escalada, porque ela já começa gerando receita. Faz também com que as aceleradoras do agro, nessa linha de tendência, passem a olhar para um cenário de holding de investimento.

 

 

 

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

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