Preço do leite ao produtor precisa ter previsibilidade, defende Gadolando

Foto: JM Alvarenga/Divulgação

O presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, defendeu, nesta terça-feira (20), a necessidade de os produtores de leite terem previsibilidade no valor que recebem dos laticínios, a fim de que possam honrar seus compromissos. A manifestação do dirigente reforça o pedido que vem sendo feito há anos pela base produtora do setor.

“Temos que lutar para que ter lucro. O preço é só um desses elementos. O produtor trabalha de sol a sol, mas entrega o seu produto sem saber quanto vai receber. Precisamos ter a previsibilidade, pois o leite é um negócio de médio a longo prazo. Precisaríamos de contrato para saber o que podemos receber por pelo menos seis meses para poder fazer uma boa gestão”, diz Tang.

Para ele, também são necessárias medidas de proteção aos produtores para que eles possam enfrentar o mercado internacional. “Entendemos o livre mercado, mas precisamos de proteção. Quando os produtores fecharem as portas e engrossarem os cordões das periferias das grandes cidades, vão nos trazer mais problemas sociais e não teremos a soberania nacional de produzir alimentos. Precisamos manter o produtor na atividade.”

Estiagem e pandemia

De acordo com Tang, os produtores gaúchos ainda estão sentindo os reflexos da estiagem e da pandemia. “Mesmo com a melhora em relação ao ano passado, ainda existem dificuldades na recomposição da alimentação animal por meio da silagem. No caso do milho, além da seca, a cigarrinha, que atacou lavouras nos últimos tempos, também trouxe empecilhos para quem buscou uma alternativa com a safrinha.”

Segundo o presidente da Gadolando, os últimos períodos foram atípicos por causa da estiagem e houve pouca capacidade para fazer a alimentação dos animais. “Nos últimos dias, quem fez a safrinha teve uma breve estiagem. São vários fatores que atrapalham a formação e armazenamento da alimentação da silagem de milho, apesar de estar melhor que na outra safra.”

O dirigente da associação enfatiza ainda que o setor enfrenta um aumento dos insumos entre 25% e 30%. Conforme Tang, até 60% desses custos são com a alimentação dos animais. “O leite não teve esse ganho. Chegamos, no máximo, a 5%. Embora tenha ganho real, ainda fica bem abaixo. Então, tivemos o ganho real ruim, continuamos tendo pouca sobra e, o pouco que nos sobra, tivemos que pegar para alimentação do gado.”

A perspectiva, pontua Tang, é que agora, com a entrada das pastagens de inverno, com chuvas regulares, ocorra uma baixa do custo de produção ao produtor. Além disso, acrescenta, há expectativa de aumento do preço ao produtor, porque historicamente entre meses entre maio e agosto há uma melhor remuneração.

“Mas estamos vendo com preocupação a timidez com que está chegando esse aumento. Para recuar dez, quinze ou até vinte centavos, é dois toques. Se faz uma reunião e baixa o preço. Agora, quando vemos internacionalmente o leite em pó bem valorizado, observamos o leite subir no máximo até 5 centavos.”

 

 

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: