Cepea: Oferta limitada faz preço do leite ao produtor subir 2,3% em abril

Foto: Alcides Obuko Filho/Embrapa

Depois de acumular queda de 10,7% no primeiro trimestre do ano em termos reais (dados deflacionados pelo IPCA de março/21), o preço do leite captado em março e pago aos produtores em abril subiu 2,3% na “Média Brasil” líquida, chegando a R$ 1,9837/litro, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em nota divulgada nesta quinta-feira (29). Esse valor é recorde para um mês de abril e supera em 28,4% o registrado no mesmo período de 2020.

De acordo com pesquisa do Cepea, a inversão na tendência do preço se deve a um cenário de oferta limitada de leite no campo. O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) caiu 3,7% de fevereiro para março e já acumula queda de 8,8% desde o início deste ano. A “Média Brasil” é calculada a partir de dados dos estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Tipicamente, a partir de março, verifica-se redução no volume de chuvas e, consequentemente, menor disponibilidade de pastagens – cenário que prejudica a alimentação do rebanho e a produção de leite no Sudeste e Centro-Oeste, assinala o Cepea.

“Assim, o avanço da entressafra da produção leiteira é, sazonalmente, um fator de desequilíbrio entre oferta e demanda e, portanto, de elevação de preços entre março e agosto. Contudo, neste ano, essa situação tem sido agravada por conta da valorização considerável e contínua dos grãos, principais componentes dos custos de produção da pecuária leiteira. Pesquisas do Cepea mostram perda substancial na margem do produtor nos últimos meses, o que tem freado investimentos na atividade, prejudicado o manejo alimentar dos animais e estimulado o abate de vacas”, ressalta a nota.

Com a oferta de leite limitada, enfatiza o Cepea, a competição das indústrias pela compra de matéria-prima se acirrou em março, levando, por conseguinte, à retomada dos preços pagos ao produtor em abril. “As negociações do leite spot se elevaram nas duas quinzenas de março, e a média mensal superou em 10,4% a de fevereiro de 2021.”

Nesse contexto, observa o Cepea, as indústrias tentaram repassar as altas nos preços dos lácteos negociados. A pesquisa do Cepea, realizada com apoio financeiro da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostrou que os preços médios mensais do leite UHT e do leite em pó negociados junto ao atacado de São Paulo subiram 7,5% e 7,6%, respectivamente, de fevereiro para março. No caso do queijo muçarela, o movimento de valorização se intensificou a partir da segunda quinzena de março, de modo que, na média mensal, a tendência de alta não foi observada, e o preço do lácteo caiu 5% na mesma comparação (dados deflacionados pelo IPCA de março/21).

“O setor lácteo atravessa um momento delicado: de um lado, os custos de produção elevam o preço do leite no campo e as indústrias precisam manter preços atrativos aos seus fornecedores; de outro, a grande pressão dos canais de distribuição dificulta o repasse da valorização da matéria-prima ao consumidor, que, por sua vez, está com menor poder de compra, diante do atual contexto econômico”, assinala o Cepea.

Ainda conforme o centro de estudos da Esalq/USP, apesar de haver, uma tendência de retomada dos preços do leite no campo, esse movimento de valorização deverá acontecer de forma comedida, sendo possivelmente freado pela demanda fragilizada.

 

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