“Verdades” da grande mídia ignoram importância do agro para economia brasileira

Gil Reis, consultor em Agronegócio – Foto: Arquivo pessoal

*Gil Reis

Há uma miríade de assuntos disponíveis no Brasil para qualquer articulista de qualquer área, o que torna cada vez mais difícil escolher qual o tema a abordar. Venho optando ao longo de meus artigos por um mix de abordagens e creio que estou no caminho certo, buscando levar ao leitor minhas interpretações sobre as informações publicadas por alguns veículos de comunicação.

O primeiro tema é o próprio comportamento de alguns veículos de comunicação. Houve uma época que as notícias eram a simples narrativa dos fatos sem quaisquer interpretações. As interpretações vinham sempre através das canetas dos articulistas e editores como a palavra do veículo.  Tal época, como costumo dizer, se perdeu nas areias do tempo.

O grande dilema hoje é em quem e no que acreditar. Tiraram dos leitores, telespectadores e ouvintes o direito inalienável de suas próprias interpretações e conclusões. Adicionalmente foram abolidos o otimismo e as boas notícias. A mídia segue “ipsis litteris” a máxima “boas notícias não vendem jornais”, o que não deixa de ser uma grande verdade, pois fomos treinados ao longo dos anos a valorizar as más notícias, mesmo que não sejam notícias e sim meras interpretações e especulações de quem as divulga. Infelizmente esse comportamento contaminou a mídia de todo o planeta.

A imprensa, em qualquer democracia, que deveria ter o relevante papel de fiscalizar e denunciar malfeitos, hoje tem lado e, em razão da crescente partidarização dos veículos de comunicação, a cada dia perde a sua credibilidade – a democracia chora “lágrimas de sangue” e perdeu seu grande instrumento fiscalizatório.

Felizmente surgiu um outro instrumento – a internet – onde jornalistas sérios e independentes podem manifestar livremente, sem a tirania dos veículos da grande mídia, as suas críticas, favoráveis ou não, fiscalizando de forma construtiva sem partidarização.

Vejamos parte do artigo da cientista política Eli Boscato analisando a obra “Número Zero”, de Umberto Eco, que versa sobre a imprensa e inicia o texto com a seguinte frase “Os jornais ensinam como se deve pensar…as pessoas não sabem no início que tendências têm, depois nós lhes dizemos e elas percebem que as tinham” e encerra com uma crítica sobre a imprensa:

“Os interesses da imprensa, como grandes empresas de mídia, se voltaram não para a qualidade, mas cada vez mais para a quantidade de informação, a rapidez na divulgação e em atrair grandes anunciantes. Não se trata nem mesmo de ser a favor desse ou daquele, mas sim de quem está ou tem boas chances de chegar ao poder em determinado momento e poder proporcionar, em troca de apoio ou do silêncio da imprensa, bons dividendos, sejam eles políticos ou monetários. O grande jornalista e editor Joseph Pulitzer foi visionário ao dizer que “com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.

Cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal, seja em relação à covid-19 ou à leitura da realidade sob a ótica da mídia tradicional, que, não raro, tem um olhar que não coincide com o meu”

Já mudando de tema e, diante do crescimento do agro em termos de PIB, geração de riquezas e de empregos, cada dia que passa mais fica evidente a frase do falecido colunista Ibrahim Sued: “Enquanto os cães ladram, a caravana passa”. Enquanto a grande mídia se preocupa em criticar o agro, em contabilizar e se regozijar com o número de mortes diárias por covid, nós continuamos trabalhando, gerando riquezas, empregos e alimentando a todos, sejam amigos ou inimigos e boa parte do mundo.

Ainda com relação à covid, é bom lembrar que as nossas mamães sempre nos trataram das tais “viroses”, diagnóstico médico em moda nos últimos anos. Nossas mamães letradas ou não, intuitivamente, sempre souberam que não há, praticamente, cura para os vírus existentes no planeta e sempre nos trataram dos efeitos colaterais, tipo febre, dores de garganta, dores de cabeça etc. E aqui estamos nós, vivos, porque superamos as doenças da infância.

Muitas mamães não tinham recursos para comprar medicamentos e nos cuidaram com a velha e eficaz medicina caseira, passada de mães para as filhas através da tão desprezada “tradição oral”, sempre muito atentas às prevenções: meu filho, se agasalhe porque que está muito frio; meu filho, não tome chuva; meu filho, cuidado com o sereno, e assim por diante.

Já critiquei em diversos artigos o fato de a OMS, pela primeira vez na história da medicina, não ter recomendado o tratamento no começo dos sintomas. Ao contrário: no início da pandemia, recomendou que nos trancássemos em casa e somente procurássemos atendimento médico quando o mal se agravasse. Assim milhares de pessoas morreram. Com as vacinas, vamos superar a pandemia, todavia, não sejamos ingratos e agradeçamos aos médicos que, com seus tratamentos precoces e medicamentos, recomendados ou não, salvaram milhares de vidas.

Quanto a mim, já tomei as duas doses da vacina. Mesmo assim, continuo a agir como se não tivesse sido e, por isso, mantenho as medidas preventivas e a precaução até que o novo coronavírus desista de nós. Cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal, seja em relação à covid-19 ou à leitura da realidade sob a ótica da mídia tradicional, que, não raro, tem um olhar que não coincide com o meu.

*Consultor em Agronegócio

** Os artigos publicados pelo AGROemDIA não refletem, necessariamente, a opinião do portal. 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: