Equipe Pecuária: Muito além do indicador

Shirley Martins Menezes, pesquisadora do Cepea – Foto: Cepea/Divulgação

Shirley Martins Menezes Svazati*

O Cepea é um Centro de Pesquisas ligado ao Departamento de Economia, Administração e Sociologia do campus da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba, a Esalq, e constitui um grupo registrado no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Desde 1982, desenvolve pesquisa aplicada e estudos nas áreas de economia, sociologia e administração, de forma a atender demandas de instituições públicas e privadas por serviços relacionados à área econômica do agronegócio.

O centro produz e difunde conhecimento de base científica, dando suporte não apenas às cadeias produtivas agroindustriais diretamente acompanhadas, mas também aos agentes dos setores de alimentos, fibras e bioenergia, bem como formuladores de política.

É constituído por professores da Esalq, pesquisadores (mestres e doutores) de diferentes universidades, com conhecimentos em áreas variadas – como agronomia, economia, administração, engenharia de produção, estatística e contabilidade –, profissionais de comunicação, de tecnologia da informação, administração e por estagiários de graduação da Esalq/USP e de outras escolas. Também recebe pesquisadores de universidades e instituições do exterior, com as quais realiza uma série de estudos.

Internamente, o Cepea organiza-se em grupos, cada um deles atuando sob a coordenação de professores do Departamento de Economia, Administração e Sociologia Rural da Esalq. Dentre as primeiras equipes do Cepea está a da pecuária, reconhecida nacional e internacionalmente pela divulgação – há quase 30 anos, e de forma ininterrupta – do Indicador do Boi Gordo CEPEA/B3, referência para liquidação financeira do contrato de mercado de futuro do boi gordo na B3 e amplamente utilizado por agentes do setor pecuário.

No entanto, a Equipe de Pecuária vai muito além da elaboração do Indicador CEPEA/B3, que tem como base dados levantados no estado de São Paulo. De segunda a sexta feira, a equipe, formada atualmente por 11 profissionais – que, por sua vez, recebem suporte de outros grupos do Cepea –, levanta informações junto a pecuaristas, agentes de frigoríficos e de escritórios também de outros 11 estados da federação, além de São Paulo – são eles: Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Pará, Rondônia, Bahia e Acre –, calcula e divulga preços médios de machos e fêmeas para abate e de animais para reposição (bezerro e boi magro) em 24 importantes praças pecuárias.

O fato de o levantamento de informações regionais nascer praticamente junto com o Indicador faz com que o banco de dados formado pela equipe também seja longo, possibilitando análises importantes. Algumas regiões dispõem de valores desde a década de 1990. No caso de praças do Paraná, Mato Grosso do Sul e de Minas Gerais, o banco de dados completa 26 anos em 2021. A série do Indicador do bezerro ESALQ/BM&FBovespa, que tem como base informações levantadas em Mato Grosso do Sul – e, assim como o Indicador do boi gordo, tem apoio financeiro da Bolsa – é divulgada desde 2000. Em 2001, Mato Grosso e Goiás passaram a fazer parte dos levantamentos da Equipe de Pecuária do Cepea, e em 2002, Rio Grande do Sul e Rondônia foram os novos estados incorporados nas pesquisas da Equipe.

Em 2006, depois de alguns anos de estudos, a equipe passa a divulgar preços no Tocantins, e em 2010, outros três estados são incorporados no levantamento: Bahia, Acre e Pará.

Além dos animais para reposição e para abate, a Equipe de Pecuária do Cepea também mantém levantamento e divulgação sistemáticos de preços da carne bovina (carcaça casada de boi, traseiro, dianteiro e ponta de agulha) negociada no mercado atacadista da Grande São Paulo. Neste caso, o banco de dados inicia-se em 2001.

Todas essas informações e banco de dados produzidos pela Equipe de Pecuária são bases consistentes para realização de análises periódicas disponibilizadas para agências de notícias nacionais e internacionais, para agentes de mercado que colaboram com o fornecimento de informações de mercado ao Centro de Pesquisas e também para a mídia, de modo geral.

Além das pesquisas periódicas de mercado, outras, pontuais, são desenvolvidas pela Equipe, no intuito de atender a demandas específicas de diferentes naturezas ou mesmo para ampliar o conhecimento sobre um determinado aspecto do setor pecuário. Neste caso, geralmente os resultados são divulgados em formato técnico e também científico, mostrando constante atualização dos pesquisadores que fazem parte do grupo.

As informações e o conhecimento gerados por outras equipes do Cepea, que estudam outros aspectos da cadeia da carne bovina, como o mercado de insumos e os custos de produção, ou outras cadeias agroindustriais, como a da carne suína e de grãos, somam-se às informações da Equipe de Macroeconomia, possibilitando análises complementares daquelas produzidas pela Equipe de Pecuária Bovina que muito enriquecem os resultados obtidos e apresentados pelo Cepea.

Um outro aspecto muito importante desenvolvido pela Equipe de Pecuária de corte e que contribui fortemente para disseminação de conhecimento é a formação profissional. Assim como acontece em outras equipes do Cepea, periodicamente, o grupo oferece oportunidades de estágios para estudantes da graduação e da pós-graduação, tanto da Esalq/USP quanto de outras instituições próximas. Estima-se que, desde 1994, já tenham passado pela Equipe de Pecuária mais de 300 pessoas que acompanharam de perto os procedimentos de coleta e processamento de dados, bem como elaboração de análises de resultados produzidos pelo Centro de Pesquisa. Justamente pela experiência desenvolvida no tempo que esteve no Cepea, muitos desses profissionais passaram a atuar posteriormente em importantes cargos do próprio setor, se destacando em bancos, universidades, governo, entre outros, seja no Brasil ou no exterior.

*Mestra e Pesquisadora do Cepea

** Publicado originalmente no site do Cepea em 17 de agosto de 2021

 

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