Rebanho bovino brasileiro cresce 1,5% e chega a 218,2 milhões de cabeças

Foto: AEN/Gov. PR

Em 2020, o rebanho bovino nacional cresceu 1,5%, chegando a 218,2 milhões de cabeças, maior efetivo desde 2016. O Centro-Oeste respondeu por 34,6% do total (75,4 milhões). A maior alta foi na Região Norte: 5,5%, ou mais 2,7 milhões de cabeças, somando 52,4 milhões. Mato Grosso segue líder, com 32,7 milhões de cabeças e alta de 2,3% ante 2019. Entre os municípios, São Félix do Xingú (PA), manteve a liderança com 2,4 milhões de cabeças e alta de 5,4%, no ano. As informações constam da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2020, divulgada nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O valor de produção dos principais produtos pecuários cresceu 27,1% em 2020, chegando a R$ 75,5 bilhões. A produção de leite concentrou 74,9% deste valor, seguida pela produção de ovos de galinha (23,6%), mel (0,8%), ovos de codorna (0,5%), lã (0,1%) e casulos de bicho da seda (0,1%). O maior valor de produção foi na região Sudeste, com 36,3% do total, seguida pela Região Sul, com 31,9% (R$ 24,04 bilhões). Minas Gerais foi líder em valor de produção: R$ 17,8 bilhões, sendo 89,8% desse total (R$ 15,99 bilhões) proveniente da produção de leite.

A produção nacional de leite chegou ao recorde de 35,4 bilhões de litros em 2020, com alta de 1,5% ante 2019. Minas Gerais continua líder na produção de leite: 9,7 bilhões de litros, ou 27,3% do total, nacional, com alta de 2,6% no ano. Castro (PR) é o maior produtor de leite do país, com 363,9 milhões de litros.

A produção nacional de ovos de galinha bateu novo recorde: 4,8 bilhões de dúzias em 2020, alta de 3,5% frente a 2019. Em 2020, e em particular na pandemia, o ovo foi uma fonte de proteína alternativa mais acessível. O estado de São Paulo, maior produtor, concentrava 25,6% da produção nacional. Santa Maria de Jetibá (ES) foi o maior produtor em 2020, com 371,6 mil dúzias.

A piscicultura cresceu 4,3%, chegando a 551,9 mil toneladas. O Paraná continua líder, com 25,4% do total nacional. Nova Aurora (PR) concentra 3,6% da piscicultura do país. Já a produção de camarão em cativeiro cresceu 14,1%, totalizando 63,2 mil toneladas. Juntos, Rio Grande do Norte e o Ceará são responsáveis por 68,0% da produção e Aracati (CE) é o maior produtor, com 3,9 mil toneladas.

Efetivos da Pecuária
Tipos de Rebanho Quantidade (cabeças) Variação Anual (%) Principal município criador  Quantidade (cabeças) % da produção nacional
Bovinos (cabeças) 218.150.298 1,5 São Felix do Xingu (PA) 2.361.887 1,1%
Bubalinos (cabeças) 1.502.482 4,8 Chaves (PA) 190.702 12,7%
Equinos (cabeças) 5.962.126 1,9 Corumbá (MS) 45.805 0,8%
Suínos – total (cabeças) 41.124.233 1,4 Toledo (PR) 1.173.500 2,9%
Matrizes de suínos (cabeças) 4.839.630 1,4 Toledo (PR) 63.390 1,3%
Caprinos (cabeças) 12.101.298 4,0 Casa Nova (BA) 538.078 4,4%
Ovinos (cabeças) 20.628.699 3,3 Casa Nova (BA) 468.140 2,3%
Galináceos – total (cabeças) 1.479.363.352 1,5 Santa Maria de Jetibá (ES) 19.541.884 1,3%
Galinhas (cabeças) 252.570.646 2,0 Santa Maria de Jetibá (ES) 16.213.282 6,4%
Codornas (cabeças) 16.512.169 -5,2 Santa Maria de Jetibá (ES) 3.654.701 22,1%
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Pecuária Municipal 2020.

São Félix do Xingú (PA) continua com o maior rebanho bovino do país

Em 2020, a alta do preço do boi gordo e o crescimento nas exportações de carne contribuíram para que o rebanho bovino crescesse 1,5% ante 2019, chegando a 218.150.298 cabeças de gado. Foi o maior número de bovinos desde 2016 (218.190.768 cabeças).

Mato Grosso e Goiás mantiveram-se com os maiores rebanhos bovinos do país e, juntos, foram responsáveis por 25,8% do efetivo nacional. Mato Grosso elevou seu efetivo em 2,3%, totalizando 32,7 milhões de animais. Goiás teve alta de 3,5% e fechou o ano de 2020 com 23,6 milhões de cabeças de gado. Em terceiro vem o Pará, com 22,3 milhões, crescimento de 6,3%. Em quarto, perdendo a terceira posição para o Pará, veio Minas Gerais, com alta anual de 6,6% em seu rebanho, totalizando 22,2 milhões de cabeças.

O maior rebanho continua em São Félix do Xingú (PA): 2,4 milhões de cabeças e alta de 5,4%, no ano.  Corumbá (MS) veio a seguir, com 1,8 milhão. Com alta de 11,8% em seu rebanho (1,3 milhão de bovinos), Marabá (PA) subiu da quinta para a terceira colocação.

Com 35,4 bilhões de litros, produção de leite tem recorde de volume e de preço

Em 2020, a produção nacional de leite chegou a 35,4 bilhões de litros, recorde da pesquisa, com alta de 1,5% ante 2019. Minas Gerais seguiu liderando, com 9,7 bilhões de litros de leite, (ou 27,3% do total nacional) e alta de 2,6% em relação a 2019. Minas Gerais também obteve o maior valor da produção de leite entre os estados, R$ 16,0 bilhões, com alta de 38,9% frente a 2019. Em segundo lugar, veio o Paraná com R$ 7,8 bilhões e alta de 34,4% no ano.

Produtos da Pecuária
Produto  Quantidade produzida Variação Anual (%) Principal município produtor  Quantidade produzida % da produção nacional
Leite (Mil litros) 35.445.059 1,6 Castro (PR) 363.915 1,0%
Ovos de galinha (Mil dúzias) 4.767.338 3,5 Santa Maria de Jetibá (ES) 371.587 7,8%
Ovos de codorna (Mil dúzias) 295.904 -6,2 Santa Maria de Jetibá (ES) 70.048 23,7%
Mel de abelha (Quilogramas) 51.507.862 12,5 Arapoti (PR) 810.000 1,6%
Casulos do bicho-da-seda (Quilogramas) 2.742.372 -10,0 Nova Esperança (PR) 238.782 8,7%
Lã (Quilogramas) 7.978.317 -4,8 Sant’Ana do Livramento (RS) 1.000.600 12,5%
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Pecuária Municipal 2020.

Dos dez principais municípios nesse segmento, sete são mineiros, mas o primeiro lugar coube a Castro, no Paraná, responsável por 363,9 milhões de litros de leite, com alta anual de 30,0% e valor da produção de leite chegando a R$ 651,4 milhões. Em segundo lugar veio Carambeí (PR), com 224,8 milhões de litros de leite, alta de 24,9% no ano e R$ 402,4 milhões em valor da produção de leite. Patos de Minas (MG) caiu para a terceira posição, com 195,0 milhões de litros (-0,4%, no ano) e com valor de produção leiteira de R$ 352,9 milhões (alta de 39,7%).

O efetivo de vacas ordenhadas foi de 16,2 milhões de cabeças, 0,8% menor que o de 2019. Dois dos três destaques do setor tiveram decréscimo: Minas Gerais (-0,5%) e Goiás (-0,4%). Paraná, terceiro maior rebanho leiteiro nacional, apresentou acréscimo de 1,5% e totalizou 1,3 milhão de vacas ordenhadas. Minas continua com o maior rebanho leiteiro do País: 3,1 milhões de cabeças, ou 19,3% do total nacional. Em segundo lugar veio Goiás, com 1,9 milhão.

Cerca de 72,2% da produção de leite (25,6 bilhões de litros) foi adquirida por estabelecimentos com inspeção sanitária, segundo a Pesquisa Trimestral do Leite, também realizada pelo IBGE, o que significa que essa porcentagem passou então por alguma forma de industrialização. O restante da produção foi para consumo próprio das famílias e vendas diretas ao consumidor. O preço médio pago ao produtor pelo litro do leite subiu 28,9% em 2020, chegando a R$ 1,59 por litro. O valor da produção subiu 30,8% ante 2019, chegando a R$ 56,5 bilhões.

Santa Catarina tem o maior rebanho de suínos 

O Brasil tem o quarto maior efetivo de suínos, é o quarto maior produtor mundial de carne suína e o quarto maior exportador. Em 2020, o país tinha 41,1 milhões de suínos, com alta de 1,4% ante 2019. O número de matrizes teve a terceira alta consecutiva (1,4%) e chegou a 4,8 milhões de cabeças.

Santa Catarina manteve a liderança entre os estados, com 7,8 milhões de cabeças e alta de 2,8% no ano. A seguir, vieram Paraná (6,9 milhões) e Rio Grande do Sul (5,9 milhões). Toledo (PR) foi o maior produtor, com 1,2 milhão de suínos, ou 2,9% do total nacional. A seguir, vieram Rio Verde (GO), com 660,0 mil cabeças, e Uberlândia (MG), com 632,2 mil.

Paraná responde por 26,7% do efetivo de galináceos

O efetivo de galináceos – galos, galinhas, frangos, frangas, pintos e pintainhas – somou 1,5 bilhão de cabeças, 1,5% maior que no ano anterior, com acréscimo de 21,7 milhões de animais. O Paraná lidera o ranking desde 2005, com 26,7% do total nacional. Outros destaques foram: São Paulo (13,6%), Rio Grande do Sul (11,1%), Santa Catarina (9,2%) e Minas Gerais (8,1%). Entre os municípios, Santa Maria de Jetibá (ES) apresenta o maior efetivo de galináceos desde 2016. A seguir, vieram Cascavel (PR), Bastos (SP), Itaberaí (GO) e Cianorte (PR).

O efetivo de galinhas para a produção de ovos somou 252,6 milhões, com alta de 2,0% no ano. São Paulo tinha o maior efetivo, com 21,4% do total nacional, seguido por Paraná (9,9%), Minas Gerais (8,3%), Rio Grande do Sul (7,9%) e Espírito Santo (7,2%). Os três municípios líderes são Santa Maria de Jetibá (ES), Bastos (SP) e São Bento do Una (PE).

Produção de ovos chega a 4,8 bilhões de dúzias e bate novo recorde

Foram produzidas 4,8 bilhões de dúzias de ovos de galinha no ano de 2020, um aumento de 3,5% em relação à produção estimada para 2019. Com rendimento de R$ 17,8 bilhões, a produção foi mais um recorde da série histórica que, desde 1999, aumenta a cada ano. Em 2020, e em particular na pandemia, o ovo foi uma fonte de proteína alternativa mais acessível. Ao cruzarmos as informações da PPM com as da Produção de Ovos de Galinha (POG), outra pesquisa do IBGE, é possível concluir que 83,1% da produção nacional de ovos de galinha teve origem em granjas de médio e grande porte.

São Paulo seguiu como o maior produtor, responsável por 25,6% do total da produção nacional de ovos, seguido pelo Paraná (9,4%) e Minas Gerais (8,5%). Os cinco principais municípios produtores não mudaram: Santa Maria de Jetibá (ES), Bastos (SP), Primavera do Leste (MT), São Bento do Una (PE) e Itanhandu (MG).

Santa Maria de Jetibá (ES) tem o maior efetivo de codornas do país

Em 2020, o efetivo de codornas somou 16,5 milhões de aves e a produção de ovos de codorna atingiu 295,9 milhões de dúzias, ambos com queda de 5,2% e 6,2%, respectivamente. Os líderes foram Espírito Santo (23,4% das aves e 25,1% dos ovos); São Paulo (22,5% das aves e 22,7% dos ovos) e Minas Gerais (16,2% das aves e 17,0% dos ovos). Os três estados tiveram queda, tanto no efetivo de codornas quanto na produção de ovos.

Santa Maria de Jetibá (ES) apresentou redução de 0,7%, totalizando 3,7 milhões de cabeças, e queda de 9,1% em sua produção de ovos, totalizando 70,0 milhões de dúzias de ovos produzidos. Em São Paulo, o Município de Bastos foi o maior produtor, figurando em segundo lugar nacional, tanto em efetivo quanto na produção de ovos de codorna.

Bahia responde por 30,1% dos caprinos e 22,8% dos ovinos do país

Em 2020, houve crescimento de 4,0% no rebanho caprino e 3,3% no rebanho ovino, 12,1 milhões e 20,6 milhões de cabeças, respectivamente. A Bahia continuou líder para os dois rebanhos, com 30,1% do efetivo nacional de caprinos e 22,8% do rebanho de ovinos, cujo ranking passou a liderar em 2016, quando ultrapassou o Rio Grande do Sul. Pernambuco veio em segundo, com 25,8% do rebanho nacional de caprinos e 16,0% do total nacional ovinos.

Dos dez principais municípios em efetivo de caprinos, sete eram baianos e três pernambucanos. Em 2020, os cinco municípios na liderança eram Casa Nova (BA), Floresta (PE), Juazeiro (BA), Curaçá (BA) e Petrolina (PE).

Já os cinco maiores rebanhos de ovinos estavam em Casa Nova (BA), Remanso (BA), Juazeiro (BA), Sant’ana do Livramento (RS) e Dormentes (PE).

Produção de mel cresce 12,5% e atinge o recorde de 51,5 mil toneladas

Em 2020 a produção nacional de mel atingiu 51,5 mil toneladas, um aumento de 12,5% em relação ao ano anterior. O valor de produção também aumentou, para R$ 621,5 milhões. Houve aumento de 52,2% nas exportações, favorecidas pela alta do dólar ao longo do ano de 2020, resultando na redução da oferta de mel em solo nacional. Isso levou ao aumento do preço, o que contribuiu para o acréscimo de 26,2% do valor de produção.

Os maiores produtores são Paraná, responsável por 15,2% da produção nacional, e Rio Grande do Sul com 14,5%. No Nordeste, os destaques foram Piauí, Bahia e Ceará, que responderam por 11,0%, 9,7% e 7,6% do total nacional. Em 2020, a maior produção de mel foi em Arapoti (Paraná), que ultrapassou Ortigueira (PR) e Botucatu (SP), agora segundo e terceiro lugares no ranking, seguidos por Itatinga (SP) e Campo Alegre de Lourdes (BA).

Paraná é responsável por 25,4% da piscicultura do país

Em 2020, a piscicultura brasileira produziu 551,9 mil toneladas, com alta de 4,3% frente a 2019. Os três principais estados produtores não mudaram: Paraná, com 25,4% do total nacional; São Paulo (10,0%) e Rondônia (8,7%).

Nova Aurora (PR), segue como principal município produtor, responsável por 3,6% da produção nacional e 14,0% da produção do estado.

Com alta de 6,1%, a tilápia continuou sendo a principal espécie, respondendo por 62,3% do total de peixes produzidos ou 343,6 mil toneladas. A região Sul se destaca na criação de tilápias, respondendo por 48,2% do total da espécie produzido no país em 2020. O Tambaqui é a segunda espécie mais produzida, com 100,6 mil toneladas, provenientes, principalmente, da Região Norte (73,0% do total).

Produtos da Aquicultura
Produto da Aquicultura  Quantidade produzida Variação Anual (%) Principal município produtor  Quantidade produzida % da produção nacional
Camarão (Quilogramas) 63.169.853 14,1 Aracati (CE) 3.919.647 6,2%
Ostras, vieiras e mexilhões (Quilogramas) 14.297.623 -6,4 Palhoça (SC) 8.835.750 61,8%
Total peixes (kg) 551.873.845 4,3 Nova Aurora (PR) 19.753.527 3,6%
Alevinos (Milheiros) 1.369.446 2,2 Nova Aurora (PR) 104.517 7,6%
Larvas e pós larvas de camarão (Milheiros) 12.541.720 4,5 Canguaretama (RN) 3.650.000 29,1%
Sementes de moluscos (Milheiros) 26.486 -42,6 Florianópolis (SC) 21.986 83,0%
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Pesquisa Pecuária Municipal 2020.

RN e CE concentram 68% da produção nacional de camarão

A produção de camarão criado em cativeiro cresceu 14,1%, totalizando 63,2 mil toneladas. O valor de produção da carcinicultura foi de R$ 1,3 milhão, alta de 9,3% ante 2019. O Nordeste foi responsável por 99,6% da produção do país, que é liderada por dois estados: Rio Grande do Norte (34,8%) e Ceará (33,2%).

Aracati (CE), após dois anos como segundo maior produtor, retornou para o primeiro lugar, com 3,9 mil toneladas, alta de 31,1%. Pendências (RN), após dois anos como maior município produtor, recuou 4,5% e caiu para segundo lugar, com 3,7 mil toneladas.

Da Agência IBGE Notícias

 

 

 

AGROemDIA

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