E haja vento e sol

Gil Reis*

Maiores que o ambientalismo desvairado são a arrogância e pretensão humana. Voltemos à frase que já publiquei em outro artigo: “Nunca comece nada sem saber como terminará”. Vamos trilhar o caminho mal pavimentado pela arrogância e pretensão de alguns mortais humanos. Convido a todos que façam um exame de consciência sobre as propostas do IPCC e da UE para salvar o planeta. Hipocritamente para beneficiar a humanidade, quando na realidade é uma armadilha para nos expurgar do geocomércio, embora sem qualquer estudo de viabilidade.

O que está posto é que precisamos eliminar toda e qualquer forma de geração de energia que utilizem combustíveis fosseis, a eliminação do metano produzido pelo processo ruminal dos bovinos e a redução da emissão de CO2. Talvez a ideia seja acabar com a produção de metano, suspendendo a produção de bovinos, deixando de comer carne e para usar os pastos disponíveis para pastar. Com relação à redução de CO2, além de todo e qualquer procedimento que o produza, inclusive as trilhões de toneladas do gás geradas pelos 7 bilhões de seres humanos no processo respiratório.

O mais grave é que as propostas para a substituição do uso de combustíveis fosseis por energia gerada por formas alternativas é apenas uma ideia que jamais foi estudada seriamente para saber a viabilidade e o volume que teríamos que usar. Bem a propósito o site “Manhattan Contrarian”, em 8 de outubro de 2021, publicou artigo de Francis Menton, sob o título “Divertindo-se observando o vento e a energia solar, sem conseguir aumentar o poder da economia mundial”, do qual transcrevo parte:

“Você não precisa ser nenhum tipo de gênio para descobrir que a geração eólica e solar nunca vai suplantar os combustíveis fósseis para alimentar a economia mundial. A principal razão é que o vento e o sol funcionam apenas meio período. Na verdade, bem menos da metade do tempo, na melhor das hipóteses. Com o vento, você nunca sabe quando ele pode funcionar e, ao longo de um ano, uma determinada instalação pode produzir em média cerca de 30-35% da capacidade nominal, com longos e aleatórios períodos de nada. Com o sol, você sabe desde o início que não obterá nada na metade do tempo (ou seja, à noite); e os dias nublados acabam com metade e mais da metade restante, novamente em momentos aleatórios. Em média ao longo do ano, você terá sorte de obter 20% da capacidade nominal de uma instalação solar.

Com a economia mundial finalmente se recuperando (espero) do ano e meio de pandemia, este é o momento para a energia eólica e solar se intensificarem e mostrarem o que podem fazer. Todas as economias avançadas (Europa, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália) têm impulsionado a energia eólica e solar por algumas décadas, com dezenas de bilhões de dólares em vários subsídios e incentivos fiscais. Agora existem turbinas eólicas e painéis solares por todo o lugar. Simultaneamente, os mesmos países fecharam usinas de carvão, reduziram a energia nuclear, baniram o fracking em muitos lugares (Europa, Reino Unido e grande parte dos EUA) e desencorajaram os combustíveis fósseis de todos os tipos de centenas de maneiras diferentes. Agora há um aumento na demanda por produtos manufaturados de todos os tipos. Isso vai exigir um pouco de energia. Vamos ver o que o vento e o sol podem fazer!

Enquanto estamos nisso, podemos também dar uma olhada na grande história da energia na primeira página do New York Times de hoje. Isso seria “O mundo deseja ação enquanto a China jorra emissões”.    É uma grande extravagância de três colunas, continuada em toda a página A-12 no interior. Resumindo: a China está produzindo uma grande porcentagem dos produtos manufaturados do mundo, e atualmente tem falta de eletricidade para fazer o trabalho, e vai construir mais usinas de combustível fóssil, sejam as pooh-bahs do resto do mundo goste ou não.

Estamos vendo, aos poucos, as consequências inevitáveis ​​de tentar substituir a energia real que funciona (combustíveis fósseis) por pó de fada”

Mas a China não construiu todos os tipos de instalações eólicas e solares e, por falar nisso, energia hidrelétrica? O Times os chama de “líderes mundiais” em todas as três categorias.

Então, por que eles simplesmente não usam essas fontes para fornecer a energia de que precisam e se esquecem do carvão e do gás natural? O Times nunca dirá isso, mas o fato é que todo o vento e a energia solar são totalmente para exibição. Eles produzem pequenas quantidades de energia em momentos aleatórios e, então, quando você realmente precisa deles, não há como contar com eles. Portanto, a China continua a construir usinas de gás natural e carvão, enquanto murmura promessas vazias sobre talvez um dia desacelerar esse processo.

De qualquer forma, estamos vendo, aos poucos, as consequências inevitáveis ​​de tentar substituir a energia real que funciona (combustíveis fósseis) por pó de fada. Isso continuará até que as pessoas de baixa e média renda do mundo descubram e joguem os cultistas do clima fora do poder. Enquanto isso, aqueles de nós que prestam atenção podem se divertir assistindo à queda inevitável do vento e da fantasia solar.”

Espero que todos entendam que as propostas de substituição da geração de energia com combustíveis fosseis por energia gerada por processos alternativos jamais mereceu um estudo sério de sua viabilidade sem quebrar a economia dos países. A proposta que está na mesa é que voltemos a viver como vivíamos na idade média, bem antes da revolução industrial.

Aqui no Brasil a sanha ambientalista é tão grande que os ativistas já voltaram a tentar impedir a construção de novas hidrelétricas e evitar a construção e implantação de novas ferrovias, além de defender o bloqueio da utilização de nossos rios como hidrovias. Para eles, o céu é o limite. Só ficam satisfeitos quando estão fazendo o que fazem agora, sabotando a regularização fundiária, a  certificação ambiental, o Código Floresta e lutando para alterar o marco temporal de terras indígenas para implantar uma série de novos enclaves em nosso território.

Fico contemplando, da janela do meu apartamento no Hotel Meliá Brasil 21 (minha residência 3 dias por semana em Brasília nos últimos 3 anos, antes da pandemia e agora com a retomada das atividades no país), as belezas arquitetônicas da nossa Capital Federal e imaginando que se houvesse todo esse ativismo ambientalista Juscelino não teria tido sucesso na construção e a cidade não existiria. Faço essa reflexão para todos perceberem como o ambientalismo desvairado pode causar enormes danos ao nosso país em todas as áreas.

Quando você, meu caro leitor, estiver disposto a usar a “máquina do tempo” do IPCC para voltar ao passado, não esqueça de respirar menos ou deixar de respirar. Prometo um sepultamento digno. Afinal, você está salvando o planeta.

*Consultor em Agronegócios

 

AGROemDIA

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