Sem desoneração, setor de aves e suínos prevê desemprego e mais inflação

Ricardo Santin, presidente da ABPA: “Com o aumento dos custos e a perda de competitividade, não teremos como manter o ritmo de contratações e ainda corremos o risco de demitir” – Foto: Divulgação

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) alerta que os preços ao consumidor da carne de frango, da carne suína e seus subprodutos poderão ser impactados já no primeiro trimestre de 2022, caso não ocorra a prorrogação do modelo de Contribuição Previdenciária sobre Receita Bruta (CPRB), a chamada “desoneração da folha de pagamento”.

Em vigor desde 2011 por meio da Lei 12.546/11, a CPRB foi estabelecida para estimular a geração de emprego e renda em cadeias produtivas de setores intensivos em mão de obra, como é o caso das cadeias agroindustriais da avicultura e da suinocultura, e outros quinze setores. O objetivo é que o prazo para a manutenção da desoneração seja estendido por mais quatro anos – caso contrário, terminará no final de dezembro deste ano.

De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, a reoneração dos setores – com a alteração do modelo tributário – deverá causar impactos diretos nos custos de produção, agravando o quadro inflacionário decorrente das altas de insumos, como ração, combustíveis e embalagens.

“No início da pandemia, nosso setor produtivo, considerado essencial à estabilidade social, foi convocado a manter a produção. Em resposta, incrementamos a oferta de alimentos e o consumo per capita de produtos avícolas e suinícolas cresceu. Agora, o quadro poderá ser inverso com mais altas nos alimentos, caso não ocorra a prorrogação da desoneração”, pontua Santin.

Outra consequência imediata é a provável suspensão das contratações pelo setor produtivo, que vem incrementando a oferta interna e as exportações de carne de frango e de carne suína.

“Apenas no ano passado, contratamos mais de 20 mil trabalhadores, que se somaram aos cerca de 500 mil colaboradores diretos em nossas fábricas. Com o aumento dos custos e a perda de competitividade, não teremos como manter o ritmo de contratações e ainda corremos o risco de demitir em meio à esperada retomada econômica”, enfatiza o presidente da ABPA.

Os 17 setores correm contra o relógio para sensibilizar parlamentares e o governo federal. Diversas autoridades do Executivo e do Legislativo já demonstraram apoio à manutenção da medida, que está sob apreciação da Comissão de Constituição e Justiça.  “É importante ressaltar que todos esses setores já recolhem impostos. Não se trata de isenção de contribuição e, sim, de um programa que incentiva a criação e a manutenção de empregos pelo país”, ressalta presidente da ABPA.

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