Primavera global

Gil Reis*

Recentemente escrevi que os países que aderirem ao ideário do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) serão conhecidos como ‘países outrora prósperos’. O mundo ocidental está em pleno processo de ‘primavera global’. Os povos das nações cujas lideranças absorveram o ‘ambientalismo desvairado’ tendem a trocá-las, porque não tiveram visão suficiente para perceber as trágicas consequências de suas ações.

Tais países “cantam de galo” no cenário internacional, enquanto internamente sofrem problemas seríssimos com falta de todo o tipo de abastecimento, consequência da crise energética promovida por essas próprias lideranças. Os países da EU, um caso típico de adoecimento por ingerir o seu próprio veneno, adotaram o ‘ambientalismo desvairado trágico’ em prejuízo de seus cidadãos.

As consequências foram imediatas com a chegada do inverno, os erros de gestão começaram a aparecer. Ironicamente, a Europa, mais uma vez, está sendo vencida pelo general inverno – não é possível que desta vez não aprendam diante de toda a revolta popular interna. Além de todos os problemas enfrentados, estão tendo que engolir um país que hostilizaram e isolaram nos últimos anos, a Rússia, para usarem a sua produção de gás.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) demonstrou, com todas as letras, o trabalho que vem realizando na agropecuária brasileira para a redução dos pobres 3% de GEE (Gases do Efeito Estufa) que o Brasil emite. Realmente o nosso país saiu na frente nesse processo com o ‘Programa ABC’, aperfeiçoado, após 10 anos de aplicação, com o ABC+. Ficou patente que atualmente não é a pecuária o maior emissor de GEE ou a agricultura. A ministra Teresa Cristina quando da sua participação online em um dos eventos da Conferência de Partes n°26, conhecida como COP26, afirmou: ‘A agropecuária, realizada de maneira sustentável, é parte da solução para um duplo desafio: mudança do clima e segurança alimentar’.

Paralelamente, com essa constatação, o que precisamos realmente é acabar com os famosos ‘lixões’ com investimentos consideráveis dos governos para implantar e implementar, em todos os estados, indústrias de processamento de lixo e aproveitamento dos resíduos. Implementar políticas para reduzir a emissão de metano dos próprios despojos humanos, pântanos, investimentos maiores para o setor de biocombustíveis e uma política para um melhor aproveitamento desses combustíveis. Maior controle para reduzir a emissão de gases de efeito estufa nos centros urbanos, como bem lembrou o ex-ministro Ricardo Sales. O que espanta é a falta de coragem da UE para confrontar os grandes países que se recusam a seguir as suas exigências aliadas às do IPCC. A covardia dos europeus é explícita quando direcionam seus ataques, coação e chantagem contra o Brasil.

Os fatos tão evidentes não conseguem tornar humildes os membros do Parlamento Europeu. Continuam atacando o Brasil, a despeito da lição que o nosso país deu. A falta de humildade e arrogância da Europa me faz lembrar de um texto que vem circulando na internet, postado em 25 de agosto de 2019, cujo título é “Ah…EUROPA…sua linda…!!!”

Apesar do texto ser chocante, confesso que me chocou na primeira leitura. Como estudioso da História Universal, consegui comprovar alguns fatos citados e outros não, principalmente em relação às quantidades. O que é interessante é que desperta a consciência que o passado não perdoa e que nunca fica esquecido. Há sempre pessoas com boas memórias e outras que também estudam a história do mundo e o desenvolvimento das ditas civilizações.

O texto relata em seu bojo todas as mazelas e crimes cometidos pelo chamado ‘velho mundo’ ao longo de sua história. Os países da Europa, para atingir o grau de civilização de hoje, violaram o Direito, os direitos humanos, bem-estar animal, criaram e propagaram ideologias que escravizam os seres humanos, desmataram e devastaram civilizações inteiras. Muitas vezes cometeram genocídio, destruíram culturas e assumiram a paternidade de descobertas feitas por outros povos e agora querem exigir de nós um comportamento que nunca tiveram.

Mas voltemos ao nosso assunto – a primavera global. Esse título faz referência à tão propalada ‘primavera árabe’, que significou para todos a revolta de um povo espoliado e maltratado pelo seu governante. Naturalmente o epíteto foi cunhado no ‘mundo ocidental’, correndo enorme risco por conhecer apenas superficialmente a cultura do ‘Oriente Médio’.

Hoje, a maioria dos países do ocidente que começou o processo de redução na utilização de combustíveis fosseis está atravessando uma séria crise de abastecimento, principalmente nas áreas de energia elétrica, transporte e, em consequência, no fornecimento da alimentação. Vejamos o que está acontecendo: atravessaram uma fase na área de saúde que redundou, em função de lockdown total, em crise econômica.  Com sua estrutura frágil de logística, a globalização potencializou a infiltração do ideário do ambientalismo desvairado nos governos. Todos esses problemas foram alimentados pela ONU, que deveria estar unindo e pacificando os países, em vez de implantar o caos.

Assim, está criada a tempestade perfeita, ensejando a primavera global, como mostram as revoltas populares que se iniciaram ainda no auge da pandemia. O povo se revoltando contra os governantes que escolheram e que deveriam estar cuidando do bem-estar dos cidadãos e que optaram por seguir os mestres ilusionistas do ambientalismo esquecendo as consequências. O mundo, como conhecemos, vai acabar com as mudanças climáticas no futuro? Não, vai acabar em menos de um ano com a carência de energia e as revoltas populares.

Creio que a maneira correta de encerrar este artigo é citando uma quadrinha da introdução do sexto livro da obra “Roda do Tempo – O senhor do caos”, de Robert Jordan:

“Cantam os leões, os montes fogem em rol.

De dia brilha a lua, de noite vem o sol.

Mulher cega, homem surdo, corvo atroz.

Vem, Senhor do Caos, reinar sobre nós.”

*Consultor em agronegócios

AGROemDIA

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